Terça-feira, 16 de Dezembro de 2014

Para Uma Consciência do Som

 

Há bem pouco tempo, a humanidade descobriu que as partículas do átomo de oxigénio protões e neutrões, vibram numa escala melódica maior, que os talos dos cereais que crescem, cantam cada um a sua própria canção e que todos ressoam num uníssono harmonioso; também ficámos a saber que ao processar-se a fotossíntese se ouvem trítonos e que a sexualidade é um fenómeno musical...

Até à pouco, o tempo e a matéria, eram os alicerces do conhecimento, sendo mesuráveis, avaliáveis e previsíveis.

Hoje os físicos estão diante de destroços. Uma das poucas certezas de que dispomos, é que o mundo é som, ritmo e vibração.

As descobertas da ciência moderna e as ideias desenvolvidas em vários movimentos sociais estão a mudar radicalmente a nossa visão do mundo. Lentamente uma nova perspetiva da realidade surge e esta será o alicerce futuro das ciências, da filosofia, da tecnologia e da economia – Este novo paradigma é uma visão holística do mundo.

Há que mudar o conceito de estrutura para o de ritmo a fim de que consigamos obter uma descrição coerente da realidade, capaz de integrar as descobertas mais recentes da física e das ciências da vida...Em todo o universo há padrões rítmicos - O mundo é som!

Desde o entrelaçamento dos padrões rítmicos da comunicação humana, das vibrações das moléculas e dos átomos, até aos “ritmos estáticos” dos cristais, aos padrões regulares dos organismos vivos, até à geometria sagrada presente em código nas grandes catedrais europeias; Tudo obedece à lei da harmonia musical.

Mas o padrão universal dinâmico, não consiste somente em vibração, ele vibra em proporções harmónicas.

Por entre biliões de vibrações possíveis, o universo opta com visível predileção, por aquelas poucas mil que têm um sentido harmónico.

Porquê?

A maioria de nós não percebe que o mundo existe de forma independente; para sermos mais precisos, somos nós que o criamos com os nossos processos de cognição e de perceção. No caso de organismos diversos, como as plantas, estes processos diferem, uma vez que dispõe de órgãos de perceção diferentes, o que os leva à criação de mundos próprios.

A compreensão de que o mudo é som, tem atualmente implicações profundas, refletindo-se, não somente na ciência e na filosofia, como ainda na nossa convivência quotidiana e sobretudo incidindo na nossa sociedade.

Se observarmos a palavra convivência, cuja raiz etimológica é constituída por dois elementos importantes, o prefixo “com” de origem latina “cum” e a raiz “vivência”. Este prefixo serve para marcar uma variedade de relações entre diferentes indivíduos ou situações. Por conseguinte “com” não é usado num contexto de singularidade pois o seu propósito é estabelecer relações com alguém, sendo pelo menos necessárias duas pessoas para que “com” tenha sentido. Assim a preposição adquire o seu sentido na medida em que serve para unir e não para separar elementos diferentes. Isto conduz-nos à ideia de conjunto, de companhia. É o passar da vivência explorativa para a vivência ecológica, assente na noção de cuidar do outro.

Desde há séculos que o ocidente coloca uma ênfase exagerada na visão, em detrimento da audição. Na atual mudança de paradigma, é urgente incluir uma modificação consciente e essencial dessa ênfase, que se deverá conduzir da visão para a audição.

Esta modificação “dos olhos para os ouvidos”, coincide com uma mudança de valores: dos masculinos, ou seja da cognição pela visão para os femininos, o que significa dizer para a cognição pela audição, que tantas vezes tem sido associada à nossa transformação cultural, refletindo-se da análise para a síntese, do conhecimento racional para a sabedoria intuitiva, do domínio e da agressividade para a não-violência e para a paz...

As pessoas desta geração, conhecem intuitivamente a vibração e o som. Este é um sinal do processo de consciencialização que ocorre nos dias em que vivemos. A presença desta nova consciência é sentida mesmo por aqueles que a recusam.

Nesta época em que a humanidade gasta milhões por minuto para a sua possível extinção, pode-se prever o fim de todos nós. E é essa a nossa experiência: seja o que for que a humanidade possa fazer – acaba por realiza-lo! Antes, somente as pessoas intuitivas sabiam disto, agora quase todos os sabem.

Encarar a verdadeira situação do mundo, é psiquicamente insuportável...

Embora esta seja uma afirmação polémica, o facto é que o raciocínio científico está diretamente relacionado com as graves ameaças à humanidade. Contudo não é possível dentro das diretrizes essenciais da ciência moderna, criar soluções eficazes para eliminação destas ameaças.

Enquanto isto, o fantasma da ingovernabilidade surgiu nos países industrializados, sendo que hoje alguns deles têm problemas maiores que os do 3º mundo. Mas se só uma nova consciência é capaz de nos libertar, isso significa dizer que, não podemos modificar o mundo a menos que nos modifiquemos, pois nós somos (o) mundo! Qualquer outro caminho é absurdo.

Tudo o que se modificou profundamente, mudou 1º na consciência de cada ser humano. Só depois é que isso se refletiu na transformação em que vive a coletividade humana. – Sabemos que tudo é um, de tal forma que o nosso intelecto pode compreende-lo ao mesmo tempo científica, matemática e experimentalmente.

Muito se tem falado sobre a nova consciência, mas, ainda não foi mencionado em nenhum lugar que há uma consciência das pessoas que ouvem. Nelas o som audível é mais importante que o som visível. Nelas os olhos não têm predomínio em relação aos ouvidos, pelo contrário, predominam sobre aqueles.

A pessoa que vê, analisa, separa as coisas em partes. O homem da visão acumulou de tal sorte a racionalidade que hoje estamos a assistir à sua ruína. Na era da televisão as pessoas que só veem, deixam-se conduzir, ad absurdum.

O símbolo dos ouvidos, é a concha que também simboliza o órgão sexual feminino – símbolo de recetividade e aconchego. No homem que ouve, a vida não é analisada, é aceite como um todo, ela é a realidade que está aí.

Os ouvidos têm a sua perceção mais apurada que os olhos e o tato. Os orientais consideravam os olhos um órgão Yang e os ouvidos um órgão Yin.

Para este o todo é mais importante que as partes, a síntese mais importante que a análise. Os inter-relacionamentos mais importantes que a especialização. O homem moderno perdeu-se devido à hipertrofia da audição. Não dá mais ouvidos ao divino em si. O âmbito da visão é a superfície, o da audição é a profundidade. A pessoa que ouve tem mais oportunidade de aprofundar-se do que aquela que vê.

Urge pois reaprender a ver corretamente. No mundo ocidental existe desde o mundo grego e o Renascimento, a tradição do culto aos olhos, à luz, à visão; mas nada no mundo se compara àquilo que se refere à audição. A profunda modificação da consciência somente será uma realidade quando aprendermos a usar inteiramente o nosso sentido da audição, pois só assim corrigiremos a hipertrofia de que temos sido vitimas. Como disse Goetheos olhos do espírito têm de ver em uníssono com os olhos físicos, caso contrário, há o risco de ficarmos a olhar e, no entanto as coisas passarem despercebidas

  1. Porque é que a evolução diferenciou com tanto cuidado o nosso sentido da audição?
  2. Porque é que ela ocultou aqui a capacidade de avaliação?
  3. Porque é que nesta evolução se oculta ao mesmo tempo, a capacidade da transcendência e, acima de tudo, a capacidade do equilíbrio?
  4. Porque é que os dados que recebemos pelos ouvidos são mais exatos que os da visão?
  5. Porque é que o alcance do que podemos ouvir é 10 vezes maior do que o que podemos ver?
  6. Porque é que os homens não dão atenção ao que dizem as mulheres?
  7. Porque è que as vozes femininas são mais agudas que as masculinos?
  8. Porque motivo a ciência convencional ignorou o facto de que na natureza as vozes agudas têm uma função de liderança?
  9. Os instrumentos de tonalidade mais aguda (violinos, flautas, etc.) tocam a melodia, enquanto que os de tonalidade mais grave (violoncelos, baixos, trombones, tubas) em geral tocam o acompanhamento?
  10. Estes só podem ser considerados instrumentos melódicos, quando os mais agudos se mantêm em silêncio.
  11. O que é que tudo isto nos diz...?
  12. Porque é que o mundo científico dominado pelos homens, deixou de ver, deixou de “ouvir” estas questões?

Numa coleção de koans do Zen de 1783 o monge japonês Genro, de Quito diz “Uma doutrina que ignora a vida quotidiana, não é uma verdadeira doutrina”

No nosso ouvido há um templo, naqueles que ouvem a Alma viverá.

O som, ou a correnteza da consciência, é mais certo do que o Tempo e a Matéria...

“Se você anular os seus sentidos e o som, o que é que você ouve?”

 

Danuia Pereira Leite

 

Referências Bibliográficas

  • «O Poder Curador da Música», Mcclellan , Randall
  • «Inteligência Emocional», Golman, Daniel
  • «Musicofilia», Sacks, Oliver

 

Publicado por Re-ligare às 11:32
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Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2014

Um almoço, um planeta, o alvoroço

É bem provável que se saiba que um grupo, aparentemente muito heterogéneo, se reuniu por estes dias num hotel de Lisboa, perto da EXPO, para um simpático almoço de festas (não direi almoço de natal, não tendo a certeza de que todos os presentes festejem a quadra). A verdade é que o evento sentou ombro a ombro, em mesas ricas, líderes espirituais de muitas religiões, desde altos representantes da Igreja Católica, ao líder da comunidade muçulmana em Portugal, a responsáveis de variadas igrejas cristãs, membros da Fé Bahá’í), protestantes, evangélicos, judeus, agnósticos e ateus...

Eu sei que foi assim, pois eu estava sentado numa das mesas.

Este almoço foi possível por estarmos em Portugal, no Portugal de Abril, esse que consagrou – e legislou – liberdades fundamentais para que este almoço – e outras provas de ecumenismo à moda cristã - fosse possível.

A entrada em vigor e progressiva institucionalização da Lei da Liberdade Religiosa de 2001, bem como a Concordata com a Santa Sé e o Estado Português, de 2004, foram momentos marcantes nesse percurso, com algumas diatribes pelo meio, como a negação dos festejos dos feriados religiosos imposta pelo Governo, só para dar um dos exemplos de repressão mais discretos.

A Liberdade Religiosa – a par com a Liberdade de Expressão ou de Opção – é uma das mais nobres com que contamos. É um direito do espírito - palavra que uso a metafisicamente para me referir à consciência ou personalidade. Um direito fundamental. Para quem acredita nisto, limitar alguém nas suas liberdades é uma afronta ao coletivo. Não dar voz a um preso, violentar objetores de consciência, impedir o direito às ideias, individuais e coletivas – são exemplos do que é intolerância, do que é autoritarismo, do que conduz a formas de poder musculadas e excessivas, que conhecemos nas formas dos fascismos da História em várias facetas.

Enquanto o almoço decorria, as televisões mostravam imagens de Sydney onde um sequestro num café terminava com três mortos, sendo o sequestrador abatido pela polícia. A essa, seguia-se outra, sobre o grupo autodenominado "Estado Islâmico”, com a banalização a que levaram as suas crenças. Curiosamente, os temas de conversa, no almoço, passaram por estes exemplos. E pela distância que existe entre pessoas que vivem em liberdade e que respeitam direitos humanos e aquelas que desvalorizam o ser humano e o que ele é, intrinsecamente: um ser de construção e não de destruição. O tema da liberdade religiosa anda hoje em cima das mesas dos que pensam. E ultrapassa já a polémica que esteve presente quando os crucifixos nas salas de aula italianas, em 2009, vieram a título de notícia. Ou quando começaram os atentados de Bagdad e de Alexandria , em 2010, contra a liberdade de culto dos católicos. Ou quando a construção de mesquitas com minaretes foi discutida na Suíça, em 2009. Hoje, a campanha cada vez mais expressiva contra os muçulmanos do mundo está a comprometer a sua liberdade, sabendo como sabemos que os fundamentalistas são apenas uma percentagem ínfima de uma população equivalente a um quarto dos habitantes do mundo. Mas ver algumas generalizações mediáticas sobre imagens de extremismo imbecil, acéfalo, e cobarde, que decapita inocentes para formar um estado de excessos revoltantes, pode conduzir a outros fundamentalismos, implantados nos cérebros dos consumidores dessas mesmas generalizações mediáticas. É como vir a descobrir que todos os australianos são assassinos porque um deles atacou inocentes num café – e matou alguns desses inocentes.

Observar para a Liberdade Religiosa é hoje uma tarefa de todos. Nas nossas escolas, meninos budistas sentam-se ao lado de companheiros hindus, judeus, católicos, muçulmanos. Como nós naquele almoço de festa. Tão diferentes e todavia tão iguais no mesmo prazer de disfrutar uma Liberdade que nos revela como queremos: Humanos. Creio que foi Paul Valéry quem disse que “há momentos infelizes em que a solidão e o silêncio se tornam meios de liberdade.”

Escrever em momentos de crise, por exemplo. E fazer da Escrita uma bandeira, digo eu.”

 

Alexandre Honrado

Publicado por Re-ligare às 23:54
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Sábado, 13 de Dezembro de 2014

Neurociência – Música e Emoções

A música, mais do que um som, é a tradução de sentimentos humanos. A pergunta que se impõe e que se perde na noite dos tempos, é como descobriu o ser humano que a música, enquanto combinação de sons pode ser a expressão da sua alma?

Não sabendo explicar a natureza da música, o homem procurou responder a esta pergunta, considerando-a uma dádiva dos deuses. A associação quase universal entre a música e as emoções parece dever algo à contra-reforma, em particular nas decisões tomadas no Concílio de Trento (1545-1563), de restringir os “excessos” dos compositores no que diz respeito ao uso da polifonia.

Santo Agostinho demonstrou a sua preocupação em que os prazeres da música, distraíssem a mente do conteúdo representacional dos textos litúrgicos; reconhecendo no entanto, que os textos cantados exerciam um efeito muito maior do que se apenas lidos. Nos finais do séc. XVI, a Camerata (grupo de teorizadores florentinos que estabeleceu os fundamentos da ópera primitiva) fundamentou que a música devia representar adequadamente as emoções que o texto exprimia. A teoria imitativa platónica, segundo a qual a música representa emoções imitando o discurso e os movimentos corporais, ganhou predominância.

Como Platão fizera na “República”, os teóricos da igreja sobrestimaram as qualidades emotivas da música, ao mesmo tempo que suspeitavam dos prazeres da música quando esta deixa de ser meramente funcional ou ilustrativa. Tendo considerado que esta apelava sobretudo às emoções e não à razão, havia que refrear a música, fazendo-a evocar emoções “corretas”, através da austeridade estética.

A ideia moderna, expressionista de uma relação especial entre a música e as emoções mantém a dicotomia entre razão e emoção com uma sobrevalorização desta última.

Tanto na “República” de Platão, como na “Cidade de Deus” de Santo Agostinho, a boa música funciona como uma metáfora da cidade bem ordenada. O romantismo preservou a ênfase nas emoções e trocou a cidade do bem ordenado pelo indivíduo desordenado.

Perguntamos, o estado emocional de um indivíduo determina a forma como ele percebe o mundo? O que tem a dizer sobre isto a neurociência?

A música é a única arte que é em simultâneo, completamente abstrata e profundamente emocional. Apesar de no contexto ser incapaz de representar um objeto exterior ou interior, tem ainda assim a capacidade poderosa e única de expressar estados intelectuais ou até mesmo sentimentos.

Comove-nos quando nos toca diretamente o coração exprimindo sentimentos sem necessidade de mensuração. É paradoxal quando em simultâneo nos faz mergulhar num universo de dor, presenteando-nos com consolação e alívio.

Tem a real capacidade de nos sintonizar com o nosso estado de espírito.

A música dirige-se à dualidade da nossa natureza, levando-nos a tomar consciência do seu aspeto simultaneamente emocional e intelectual.

A neurociência da música centra-se em mecanismos emocionais, nos quais somos perceptores da melodia, do ritmo, altura ou intervalos; no entanto, a fruição dos aspetos afetivos da música, conduz-nos a uma ligação entre psicologia e neurociência. O equilíbrio reside no ouvido crítico que estabelece a ponte entre a correção técnica e a emoção numa perfeita conjugação de beleza e estrutura formal da composição.

Robert Burton na “Anatomia da Melodia”, descreve pormenorizadamente os poderes da música, da mesma forma que John Stuart Mill refere que apenas a música tem o poder de resgatar de estados de anedonia ou melancolia.

Utilizando os termos de Styron, a música “trespassa-nos o coração” quando mais nada o consegue tocar; libertando em nós uma cascata de imagens, sentimentos ou recordações. Misto de alegria e de catarse, o poder da música chega até nós e invade-nos sem que disso tenhamos uma premeditação consciente. Indo para além do alcance das palavras, de um modo misterioso e caprichoso, produzindo o seu efeito, proporcionando-nos um reconforto profundo, invadindo-nos como uma bênção ou uma graça inesperadas, qual “impulso criador que tende para a libertação”, para usarmos a expressão de E. M. Foster.

Se considerarmos que a musicalidade pode ser entendida como inata, a sensibilidade emocional em relação à música, baseada em capacidades preceptivas e cognitivas, já se reveste de uma maior complexidade pois é fruto da influência de fatores neurológicos e pessoais, conduzindo-nos a uma experiência na qual mecanismos de apreciação e aspetos estruturais e emocionais se manifestam de forma variada e por vezes, até mesmo divergente; dependendo da pessoa em si mesma.

Linhas de investigação tais como as de Blood e Zatore (artigo de 2001), revelam-nos a existência de uma vasta rede que envolve as regiões corticais e subcorticais na base das respostas emocionais à música.

Isabelle Peretz, pensa existir “uma arquitetura funcional particular, subjacente à interpretação emocional da música”. A resposta emocional à música pode ter uma base psicológica própria, distinta e específica, na qual assentam de um modo geral as reações emocionais.

A música faz parte do ser humano e não há cultura em que esta não conheça um desenvolvimento eminente ou não seja estimada. A música para a espécie humana, não é um luxo mas antes uma necessidade, porque nos devolve a nós próprios e aos outros, ainda que por vezes, como no caso de patologias de foro psiquiátrico, que por um só momento. A perceção da música e das emoções que esta suscita, não depende apenas da memória, e a própria demência não diminui a profundidade da experiência emocional, pois continua a existir um self, que pode ser interpelado e a quem apenas a música pode falar.

A música pode chamar as pessoas a muitos níveis, entrar nelas, alterá-las, sendo isto um acontecimento tanto em pacientes dementes como em todos nós. A extraordinária robustez neuronal da música é uma evidência.

 

Danuia Pereira leite

 

Referências Bibliográficas

«Ao encontro de Espinosa», Damásio, António, Publicações Europa-América, 2004;

«O livro das Emoções», Esquível, Laura, Asa 2011;

«Molecules of Emotions», Pert, Candace, Pocket Books, 1997;

«Inteligência Emocional», Golman, Daniel, Sábado, 2006.;

«Musicofilia», Sacks, Oliver, Relógio D’Água, 2007

 

Publicado por Re-ligare às 12:13
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Quarta-feira, 10 de Dezembro de 2014

CONTEXTO BIOLÓGICO DA BIOMUSICOLOGIA

O som é constituído por vibrações que pulsam em oscilações rítmicas. O ser humano, por sua vez, é constituído por estruturas físicas e não físicas que vibram, igualmente em frequências rítmicas, oscilatórias. O biomusicólogo pode estabelecer a sincronia entre estes sistemas através do principio da ressonância vibratória, visando alcançar resultados pré-determinados, com fins terapêuticos. Este procedimento requer conhecimento técnico, pesquisas e experimentação prévia sobre os sons e terapias vibratórias a serem utilizadas, além de um estudo do perfil psicológico e social do indivíduo (anamnese) que se submeterá à influência da biomusicologia.

Uma vez que esta ciência envolve diversas áreas do conhecimento, é assumida uma visão interdisciplinar e integrativa de várias ciências tendo como objectivo final a máxima eficiência da terapeutica. Nomeadamente promove o encontro entre a biologia, a física, a música e ainda, numa abordagem mais ampla, envolverá a antropologia e filosofia, com o fim de incorporar o rico conhecimento de povos tradicionais que utilizavam o som na cura terapêutica.É necessário utilizar o som como veiculo de expressão de inteligência de cooperação e fraternidade.

A Biomusicologia intervêm a um nível profundo onde a energia sub-atómica e a informação que a estrutura, influem e controlam os comportamentos a nível material no corpo físico e emocional. Cada organismo, célula, tecido ou órgão possui uma frequência electromagnética única e identificável. São as perturbações electromagnéticas do corpo que ao fim de certo tempo geram alterações que se manifestam ao nível das modificações bioquímicas. Quando o campo magnético está em ordem o corpo está saudável.

Neste contexto a Ressonância é o mecanismo biológico (de indução física), através do qual as frequências induzidas afectam sistemas físicos desequilibrados. O efeito da ressonância vibratória simpática no organismo é também afectado por sons inaudíveis

 

Vibração acústica, som e música

 

O que normalmente chamamos de "som", é a percepção subjectiva de um fenômeno vibratório, que dentro de certos parâmetros estimulou o órgão sensorial da audição. No Homem, o caminho que as vibrações fazem, advindas do meio externo, através do ouvido externo, ouvido médio até o ouvido interno, é essencialmente um processo mecânico. Trata-se da transferência de energia comunicada através do meio gasoso (no ouvido externo), meio sólido (no ouvido médio - membrana timpânica _ martelo _ bigorna _ estribo _ janela oval), meio liquido (dentro do ouvido interno - cóclea), até chegar a estimular as células ciliadas que transformam o impulso recebido em impulsos elétricos que são transmitidos ao cérebro via nervo auditivo. Somente a partir deste ponto, ou seja, da completa transformação do movimento mecânico em impulso nervoso é que de facto se pode falar de "som" e sua percepção. Até então pode-se, quando muito, referir-se a uma sensação táctil, por exemplo, como a que ocorre no tímpano quando este é estimulado pelas alternâncias de pressão que compõe o fenômeno vibratório acústico.

Portanto, entende-se que "som" (sensação sonora), só existe dentro de um ser, na medida em que um órgão apropriado é capaz de transformar um processo mecânico em impulso nervoso e que no cérebro seja feita a interpretação correcta desta informação. O ponto central do processo encontra-se ao nível neurológico, pois tanto o corpo todo pode servir como "ouvido", captar e levar até o ouvido interno as vibrações acústicas (como acontece muitas vezes com deficientes auditivos), como também de forma sutil a própria "imaginação sonora" faz ouvir sons e melodias.

 

A natureza Vibratória do Som e do Corpo Humano

 

Onde existir energia em movimento que actua sobre um corpo, existirá também um corpo que vibra para o ambiente. Todo o corpo vivo emite som, todas as células do corpo possuem propriedades vibratórias e são receptores sonoros. O Som é movimento, mais do que isso, som é impulso vibracional, é o movimento repetido, aleatório ou periódico de átomos e moléculas; ou seja, somos compostos de sons.

O corpo humano é uma fonte de energia, que emana vibrações contínuas que se alteram de acordo com o estado psicológico e mental. A cada momento, o corpo troca energia com outros corpos, e com tudo o que o rodeia, está imerso num oceano de ondas, de vibrações.

Somos, assim, uma sinfonia de frequências, sons e ritmos num fluxo constante que procura manter um estado de harmonia. Possuidores de diversas células em constante movimento, sendo que, onde há movimento há fricção e onde há fricção o som está presente; cada célula do corpo humano produz uma frequência ou harmónico ressonante. De acordo com a frequência e o harmónico ressonante das células, elas unem-se para formarem cada órgão do corpo (ex: pulmão, fígado etc.).

O terapeuta cimático Guy Manners, dá a seguinte explicação: “Cada célula é como um pai, e produz um filho. Se a célula-pai funciona como parte de um fígado, conhece apenas o sinal do fígado. Logo, tem-se um harmónico do fígado. Ora, o coração tem uma forma diferente. As células são as mesmas, mas, tendo uma forma diferente, assim também é o seu harmónico”.

Entende-se com isso, que cada órgão forma-se no corpo humano em harmonia com seu próprio padrão e dos outros órgãos que estão nas proximidades, mais ainda, em harmonia com o padrão de onda do ambiente circundante.

Os átomos através dos elétrões em movimento constante irradiam ondas eletromagnéticas, que se associam através do princípio de ressonância. A frequência destas ondas varia de acordo com a estrutura do corpo, cada estrutura é mantida e formada por um harmónico das células, ou seja, pode-se dizer que o som cria as estruturas do nosso corpo.

A totalidade humana é composta de diversos aspectos, desde a psique multidimensional, ritmos orgânicos, glandulares, ondas cerebrais etc. O conjunto desses aspectos é que faz o corpo todo vibrar. A música é criada dentro de certos padrões harmónicos e vibracionais que actuam sobre o campo vibracional e emocional do ser humano, fazendo o corpo ressoar as características de seu próprio psiquismo. a música funciona como influência vibratória que “afina” o padrão vibratório da pessoa.

Pesquisas demonstraram que a totalidade de nosso corpo vibra de 7.8 a 8 ciclos por segundo em seu estado natural de repouso, o mesmo valor é encontrado na frequência das ondas cerebrais de um indivíduo em profundo relaxamento e os números não param por aí; os físicos provaram que a terra inteira vibra nessa frequência básica de 8 ciclos por segundo, portanto, há uma ressonância real entre o ser humano em estado de relaxamento e a atmosfera terrestre.

O campo da cimática (estudo dos efeitos das ondas sonoras sobre a matéria física) provou que as ondas sonoras dão forma à “matéria” física das nossas células, tecidos e órgãos e estão directamente ligados ao nosso estado de saúde ou de doença. Segundo esta visão, a doença resulta de uma mudança da frequência vibracional na harmonia do corpo.

Vejamos um exemplo de acordo com a visão do Dr. Guy Manners, o que poderia acontecer no caso do fígado ser bombardeado por uma vibração em dissonância com seu padrão natural.

  1. O fígado poderá opor resistência e obrigar o impulso estranho a vibrar com seu ritmo e padrão vibratório, anulando a perturbação.
  2. Se a dissonância, a vibração estranha permanecer por muito tempo, o fígado produzirá stress que provavelmente abalará a saúde do órgão.
  3. A vibração estranha poderá adquirir força e impor sua vibração ao fígado, que poderá com o tempo, criar uma nova disposição molecular, prejudicial à harmonia do corpo todo e abalar a saúde do indivíduo.

 

Energia vibratória e o seu efeito na matéria

 

O fenômeno vibratório-sonoro tem uma força capaz de criar e destruir formas, gerar processos e agir como elemento regulador na natureza e no Homen, e é uma ideia que nos acompanha há milénios. Diversas passagens da Bíblia, dos Vedas indianos, da literatura Persa e das mitologias Grega e Chinesa, relatam, de modo surpreendente, como a partir de um som, algo foi criado, destruído ou curado. O astrónomo e matemático Johannes Kepler, no tratado Weltharmonik de 1619 (KEPLER, 1971), coloca a música e as suas leis como força determinante para a estruturação da natureza e dos movimentos celestes.

Relatam-se aqui brevemente alguns fenômenos de ordem física. Em torno de 1800, o físico Ernst F. F. Chladni demonstrou de forma clara como o processo vibratório podia ser visualizado e assim revelar sua acção formadora de padrões em substâncias granulares minerais. Com o descobrimento das "Figuras de Chladni" , todo um novo leque de possibilidades se abriu para a compreensão da actuação sonoro-vibratória . Entre os anos 1960 e 1972, ou seja, quase dois séculos depois dos primeiros experimentos de Chladni, o médico, pintor e pesquisador suíço Hans Jenny deu novo impulso a este estudo, desenvolvendo um "Tonoscópio", aparelho que permite a visualização do efeito de vibrações diretamente sobre diversas substâncias. Com o Tonoscópio eletro-mecânico, é possível controlar a freqüência e intensidade em que uma placa ou recipiente acoplado ao aparelho deve vibrar. Assim Jenny (1967, 1974) submeteu diversas substâncias à ação de vibrações e registrou os fenômenos observados em livros, fotos e filmes. Especialmente as substâncias viscosas e os líquidos ofereceram todo um novo campo de pesquisa, produzindo uma série de fenómenos de circulação e pulsação. Jenny elaborou a partir destes experimentos um corpo de reflexões acerca da natureza vibratória das formas e processos na natureza, remetendo-nos para a ancestral e moderna concepção vibracional do mundo. O seu trabalho teve continuidade na excelente pesquisa e registro feito por Alexander Lauterwasser (2002), que se dedica em especial aos fenômenos vibratórios na água.

Em recentes descobertas usando um Microscópio de Força Atômica, descobriram os “sons celulares”. Foram observadas oscilações em frequências na faixa audível em nano-escala na membrana de células de Saccharomyces cerevisiae e o estudo dos sons gerados por diversas células foi batizado de “Sonocitologia”. Os autores relatam que a vibração, que pode ser percebida auditivamente uma vez amplificada, reflete o estado vital da célula: células saudáveis produzem sons harmónicos enquanto células doentes produzem um som ruidoso. Os autores também sugerem que o processo vibratório-sonoro pode anteceder à manifestação concreta da patologia e, portanto, a Sonocitologia poderia ser usada como um método de diagnóstico vibratório. Neste sentido há uma concordância com os fenômenos observados com substâncias inertes das figuras de Chladni, Jenny e Lauterwasser, onde o impulso vibratório age configurando a substância segundo a sua própria estrutura.

A partir do acima exposto, e de modo geral o processo vibratório cria formas e processos reais, que se tornam visíveis à medida que as substâncias são a eles agregadas. Pode-se dizer que, no âmbito das substâncias inertes, o padrão vibratório precede a forma material e trabalha para que esta se manifeste, movendo e ordenando as suas partículas. Esta constatação permite indagar sobre os efeitos que um estímulo sonoro-vibratório possa ter sobre um organismo vivo. Uma vez constatados estes efeitos, deve-se perguntar: é possível fornecer exteriormente uma informação vibratória específica e assim levar o organismo alvo a intensificar, desenvolver, inibir, ou, em caso de distúrbios, restabelecer seu padrão saudável? Recordando que um organismo possui a sua própria dinâmica e padrões de desenvolvimento e constrói a sua existência em diálogo com o meio ambiente.

 

Bio-acústica

 

Muitos organismos biológicos usam ondas sonoras ou vibrações para orientação ou comunicação. Curiosamente, para além da sinalização química, parte significativa da comunicação animal depende das ondas de propagação, tais como, luz, acústica e ondas eletromagnéticas. Do ponto de vista evolutivo, a recepção e processamento da energia transportada nestas ondas é vantajosa, uma vez que permite obter informação sobre o meio ambiente, próximo ou distante. Com efeito, para perceber vibrações sonoras e / ou mecânicas, os vários grupos de organismos evoluíram e desenvolveram uma diversidade de órgãos sensoriais com estruturas morfológicas e funções adaptadas, e com as respostas sensoriais adaptadas às diversas fontes, formas e meios de comunicação através da qual as vibrações se propagam.

Por exemplo, os humanos e muitos mamíferos terrestres desenvolveram estruturas auditivas externas, o pavilhão auricular, para recolher as vibrações do ar e transmiti-las ao tímpano – sendo a primeira fase de acoplamento e transformação da energia acústica em energia mecânica. E ainda a maioria dos animais não apresenta esta morfologia externa, e muitos também não têm tímpanos. Os pássaros e sapos não têm orelhas externas, mas a sua audição pode ser mais refinada do que a nossa. Muitos insectos não tem ouvidos externos, apesar de terem presentes tímpanos que podem também ser encontrados em vários locais do corpo, dependendo das espécies Nos mosquitos e mosca da fruta, a audição é mediada por um morfologia especializada bem diferente – as antenas são dotadas na base de orgãos de johnston, receptores mecânicos ultra- sensiveis que oscilam com o campo sonoro.

Notavelmente, as cobras não têm ouvidos exteriores ou tímpanos, no entanto as suas mandíbulas actuam como elementos para receber vibrações transmitidas pela terra, e entregar informação acústica para um sistema mecano-sensorial tipo cóclea- Como o som se propaga rapidamente e em longas distancias num substracto denso como o solo, o acoplamento directo da cobra ao substrato é um ponto chave, sendo muito eficiente e permitindo a captura de informação de fontes sonoras distantes. A investigação na área da audição mostra que diferentes estruturas morfológicas podem ser funcionalmente adaptadas para executar a tarefa biofisica de detecção de sons ou vibrações.

Na verdade, a recepção e transdução de energia vibracional não exige as vias auditivas convencionais dos animais com timpano; o tímpano e estruturas cocleares são apenas uma possíbilidade, reconhecidamente como uma solução sofisticada, mas de modo algum constitui um requisito essencial para ouvir. Finalmente, dado que as vibrações do substracto estão sempre presentes em todos os tempos e lugares, pode-se supor que aqueles organismos que habitam ambientes subterrâneos (Por exemplo, mamíferos fossoriais) ou que estão de facto enraizados no solo (por exemplo, plantas) benefeciam de alguma forma com a percepção de vibrações do substracto.

Uma questão-chave reside naturalmente no natureza dos sons, e no seu conteúdo de informação. No futuro, não será surpreendente encontrar organismos dotados de mecanismos adaptados para detecção e transdução de vibrações no solo. Um grande desafio actual é, perceber os mecanismos biofísicos e fisiológicos que permitem a sensibilidade ao som via substrato e explorar a sua diversidade filogenética nas plantas. Esta capacidade de plantas para detectar e usar sons, sejam eles na forma de vibrações no ar ou substrato, demonstra o poder universal desta linguagem sonoro-vibratória.

 

Biomusicologia – estudo da base biológica para a criação e a apreciação da música

 

A música não é uma dádiva da inteligência humana, não é apenas um fenómeno artístico e cultural com no máximo, 52 mil anos (data provável dos mais antigos instrumentos musicais encontrados). Se depender dos biomusicólogos, a história da música pode retroceder até pelo menos 60 milhões de anos, quando apareceram as primeiras baleias, nos oceanos. “Não é exagero dizer que esses mamíferos também criaram o que chamamos de música”, diz M. Gray.

As pesquisas com as baleias e com outros animais têm levado os cientistas a acreditar que a inclinação humana para a música poderá estar mais relacionada com uma programação biológica do que com os padrões culturais exclusivos da nossa espécie. Como a música é um fenómeno encontrado em todas as comunidades ou grupos humanos, a comunidade cientifica acredita quee é provável a existência de uma base biológica para a sua criação e apreciação.

Apesar do hemisfério direito do cérebro ter sido considerado inicialmente como o hemisfério musical, a nossa percepção musical é fruto da interseção dos neurónios de ambos os hemisférios. Não existe um centro musical no cérebro. As mesmas regiões responsáveis por outras formas de cognição são também usadas para a percepção da música.

A Biomusicologia é o estudo da base biológica para a criação e apreciação da música; sendo que esta é um aspecto do comportamento humano. Este termo foi cunhado por Nils L. Wallin em 1991.

Sendo a música um fenómeno existente na totalidade dos grupos humanos, os cientistas acreditam existir uma base biológica para a sua criação e apreciação. Para além de terem descoberto que não somos os únicos seres abençoados com esse dom, a Biomusicologia tem revelado que SOMOS TODOS SERES MUSICAIS, sendo a biologia mais responsável por isso do que aquilo que imaginávamos.

A biomusicologia tenta fornecer uma visão biológica em coisas como:

  • o uso terapêutico da música em tratamentos clínicos
  • a influência psicológica da música;
  • o uso difundido da música nos meios audiovisuais, como cinema e televisão,
  • a presença ubíqua da música em locais públicos
  • a influência da música nos comportamento de massa;.
  • o uso da música como um potenciador geral de aprendizagem A vibração como expressão cósmica impressa no ar e nos corpos influencia-nos a nível interno e externo. A vida é movimento e o movimento é a essência da própria matéria. Tudo é incessante vibração.  A substância são modos de movimento, distinguindo-se por diferentes velocidades de vibração. Actualmente biólogos, etologistas, antropólogos, arqueólogos, psicólogos, neurocientistas e linguistas, juntaram-se pela 1ª vez para analisar estas e outras temáticas relacionadas com a biomusicologia evolucionária; num estudo que poderá contribuir enormemente para a nossa compreensão do percurso da música humana,

Há que pensar...

Que forças biológicas e cognitivas esculpiram o comportamento musical dos seres humanos, e o seu rico reportório de composições musicais? Para que serve a música? E porque dispõe dela todas as culturas humanas? Quais são os aspectos universais da música? E quais são os aspectos do comportamento musical, através das culturas?

  • a evolução do aparelho vocal hominídeo,
  • a localização de funções cerebrais,
  • a estrutura sinalética e acústica,
  • a simbólica gestual, a manipulação emocional através do som,
  • a auto-expressão,
  • a criatividade,
  • a afinidade humana com a espiritualidade
  • e a conexão humana à própria música em si mesma.

O meu trabalho enquanto investigadora, a BiomusicologiaTerapeutica® – Uma Terapia harmoniosa que permite o funcionamento total de um organismo vivo, demonstra que a música age entre outras, sobre as hormonas que produzem uma substância que ajuda a reduzir o stress. Pelo facto das nossas amígdalas se activarem, estimulando a hipófise e produzindo ACTH2 (hormona), quando isso acontece uma outra hormona anti-stress é libertada através das glândulas supra-renais, fazendo com que a quantidade de açúcar seja aumentada no sangue; o que serve de alimento aos nossos músculos que estão em tensão; desse modo a música ajuda-nos a relaxar os músculos e a interromper o ciclo de stress.Somos constituídos por um corpo físico, feito de matéria e por uma aura, mais subtil, ou seja anti-matéria, que é o que reveste os nossos campos de energia.Ao nível da pesquisa foi demonstrado que o nosso DNA reage aos sons. Já foi demonstrado cientificamente que ao se utilizarem determinadas vibrações sonoras se produzem alterações em amostras de DNA vivo! Por mais incrível que possa parecer, o DNA é passível de re-programação através da utilização de determinadas frequências sonoras! A pesquisa cientifica já demonstrou que existe uma relação muito estreita entre o DNA e a linguagem, por exemplo. Assim sendo, alterações nas frequências saudáveis dos órgãos do corpo humano vão produzir os mais variados tipos de doenças orgânicas; da mesma forma que sons adequadamente produzidos conduzem ao restabelecimento das frequências saudáveis dos órgãos. Na realidade cada um de nós é som em estado sólido.

Neste trabalho, num ambiente de interacção entre a mente e o cérebro, o sistema nervoso e o sistema imunológico, são desenvolvidas actividades de grupo com o propósito específico de apoiar e reabilitar pacientes com os mesmos problemas de saúde.

Baseada na ideia do Dr. Joël Sternheimer, de que no interior das células existe "proto-música", ou seja, existe um arranjo harmonioso que permite o funcionamento total do organismo. Neste arranjo, as "ondas de frequência" associadas a alterações nas proteínas exercem sobre a sua biosíntese um papel regulador que conserva, de um modo surpreendente, a sua transposição para uma zona audível. Esta moderna e futurista terapia de som, orienta-se essencialmente no sentido do campo magnético em si próprio, e, por último, no sentido do corpo físico.

Para além do mencionado, este inovador trabalho parte da ideia de que a "matéria" de que é constituído o som é sentida pelo nosso corpo físico, ao passo que as harmonias mais subtis são perceptíveis pela nossa aura.

Mas, porque é que uma determinada melodia tem o dom de acalmar?

Biomusicologia® Terapêutica controla os batimentos cardíacos, torna a respiração mais lenta e profunda, previne as enfermidades cardíacas, relaxa a musculatura, combate o nervosismo, combate enxaquecas, aumenta a resistência às excitações sensoriais, previne as neuroses, previne as enfermidades psicossomáticas, combate o stress, permite o domínio das forças afectivas, ajuda no bom funcionamento fisiológico.Assim sendo, pode produzir no cérebro a mesma sensação de bem-estar produzida pelas endorfinas (grupo de proteínas secretado pelo hipotálamo de grande poder analgésico que estão presentes em estado natural no cérebro) responsável pela redução da dor que sentimos.

Esse estado leva a quietude mental aliviando o stress, as preocupações, a insónia, inquietação e agitação mental. Faz tomar contacto com as emoções mais profundas retomando o sentido do verdadeiro Eu e dos valores mais importantes para a auto-realização.

Tanto pode causar um estado profundo de relaxamento semelhante ao da vigília ou estado alpha quanto elevar o espírito e trazer um estado de contentamento duradouro ao acto de celebrar e encontrar a verdadeira unidade.

Actua sobre:

  • Cérebro, Tálamo e Hipotálamo (fenómenos vinculados ao subconsciente),
  • Hipófise (dom da concentração),
  • Cerebelo, Plexo Solar, Pulmões,
  • Pele e mucosas das membranas,
  • Músculos, Vasos Sanguíneos

Indicada para:

  • Baixar a tensão alta,                                        
  • Crianças e adultos apáticos,
  • Pessoas nervosas, depressivas, ansiosas,
  • Reduzir estados de pessimismo, melancolia e tristeza,
  • Combater os estados de preocupação, tensão, apatia, stress.

Destinado:

  • Doentes oncológicos
  • Doentes terminais
  • Doentes com patologias auto-imunes
  • Doentes com patologias degenerativas
  • Doentes com patologias hereditárias
  • Doentes com distúrbios no ciclo circadiano
  • Doentes com Ansiedade, Stress, Fobias, Depressão, Choques emocionais profundos
  • Crianças com hiperactividade ou com apatia
  • Idosos (de um modo geral)

 

RITMOS BIOLÓGICOS  

 

Os ritmos biológicos manifestam-se regularmente em todos os organismos vivos. Os seres vivos são dotados de uma estrutura organizacional que mantém padrões constantes de movimento oscilatório, ou seja, tudo o que ocorre no organismo obedece a padrões rítmicos gerados endogenamente.

Estes ritmos, porém, podem ser alterados devido a factores ambientais como a presença ou não de luz, ciclo das estações do ano, ciclos da lua, ciclo das marés, e, também, pelos ritmos de outras frequências e com os ciclos geofísicos como, por exemplo, ciclos de temperatura, ciclos de alimentação e ciclos de interação social, apesar destes serem mais difíceis de serem quantificados.

Os eventos rítmicos biológicos possuem um tempo de duração do ciclo de actividade,

bastante variável. Os ritmos biológicos manifestam-se em períodos que vão de milissegundos, como os ritmos de disparo de neurônios ou de batimento do flagelo de espermatozóides, até anos, como o ciclo reprodutivo da cigarra americana (13 ou 17 anos) ou do bambu chinês (100 anos). Nos humanos, o acto de dormir, as actividades motoras, o desempenho psicomotor e cognitivo, a percepção sensorial, a secreção hormonal, a temperatura corporal, as actividades reprodutoras e vários outros fenômenos fisiológicos e psicológicos manifestam-se em períodos rítmicos.

Os ritmos biológicos observados não são simples flutuações de reações químicas internas do organismo, mas, sim, o resultado da interação entre mecanismos internos e sincronizadores externos.

O organismo vivo e o meio ambiente estão em contínua interação na busca de um estado de equilíbrio dinâmico. Como os sistemas biológico e psicológico do ser humano são mais ‘abertos’ do que os dos organismos não humanos, podemos, com razão, esperar encontrar interações organismo-meio ambiente muito mais complexas influenciando os biorritmos e o comportamento humano.” Os ritmos biológicos manifestam-se regularmente em ciclos com diferentes períodos de duração.

 

Danuia Pereira Leite

 

Referências Bibliográficas:

Peretz, Isabelle (2006): "The nature of music from a biological perspective." Cognition

Wallin, Nils L./Björn Merker/Steven Brown (Eds., 1999): The Origins of Music

Oliver Sacks (2007): Musicophilia: Tales of Music and the Brain (2007)

Zatorre, R./Peretz, I. (2000): The Biological Foundations of Music, New York: National Academy Press

Hauser, Marc D./Josh McDermott (2003): "The evolution of the music faculty: a comparative perspective." In: Nature Neuroscience Vol. 6

 

 

Publicado por Re-ligare às 12:03
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Domingo, 26 de Outubro de 2014

Entre a pobreza e a miséria

 

Participei, da forma mais modesta, na Jornada Internacional pela Erradicação da Pobreza levada a efeito no passado dia 17 de Outubro. Não sei se posso dizer que participei – pois dar a cara, escrever umas linhas, mostrar-me comprometido com o lado social e humano, não chega a ser digno de menção. Pode, ao ler-me, julgar que eu promovo qualquer equívoco, já que o tema não é cingido a Mafra, mas dir-lhe-ei que não só a conexão existe – em Mafra há pobreza, há miséria, há ainda o encapotar da mesma, sob o manto envergonhado de não confessar que se passa por privações graves – como é uma realidade cada vez mais generalizada. Ouvi vários argumentos nessa Jornada e no entanto só registei o eco daqueles que não ouvi. O mundo mudou nos últimos 40 anos. Sim, dos anos 1970 do século passado para agora. Não foi uma mudança nacional – aqui, mesmo assim, a euforia de Abril deu-nos a cor que não tínhamos e depois um futuro que temos vindo a perder, em especial nos últimos 3 anos – mas uma mudança profunda no mundo ocidental. Hoje há conflitos cada vez mais fortes e os mais ferozes são entre ricos e pobres – apesar da aparente calma da nossa sociedade portuguesa, passividade que reflete bem como os mais carenciados não têm voz nem acesso ao poder. Esses conflitos resultam do que se passou nestas quatro décadas: a crueldade progressiva suportada pela maioria das pessoas, numa economia moldada e codificada há décadas para servir o interesse de muito poucos. É todavia um erro pensar que vivemos num país em que, uma a uma, as instituições que eram suporte e esteio da sociedade vão sendo corrompidas, destruídas ou que sofrem uma implosão – é mais acertado dizer que é essa a imagem que estamos a adquirir (e a sofrer) do mundo em geral, sombra daquele que conhecíamos ainda há pouco. Não é um exclusivo nosso, portanto. É pouco – é pobre – brandir apenas um chavão. Por exemplo, o da necessidade de proclamar ilegal a pobreza. As vaias não bastam. Obviamente, sem ir incomodar Karl Marx lá ao seu repouso no Cemitério de Highgate, no Reino Unido, diria que o eco mais forte dos muitos que não ouvi ressoam na expressão luta de classes, que Marx e herdeiros brandiram como sua. A luta de uma classe de trabalhadores (os geradores da riqueza, a classe média) contra aqueles que a destituem e exploram. Uma nova luta, uma velha luta. É dela que resultam os pobres e sem eles não haveria os mais ricos. Outro eco que não ouvi é o da evidência: a recessão económica está ligada à recessão da democracia. Esta última é tão profunda, que há políticos que assumem que nem precisam de ouvir as pessoas – porque não são a sua prioridade. Mas o declarado abandono do interesse público, da responsabilidade e do compromisso com a real democracia por parte de uns é o que deve motivar todos os outros. É que sem as pessoas não se faz nada, nem mesmo a sua pobreza. Precisamos já de um novo modo de vida que não se baseie na maximização do poder de compra, mas na maximização dos valores importantes na vida. E como ainda há o que resta da democracia, ainda temos valores, ideais e sobretudo ainda temos o voto como arma. Não temos de regressar aos mercados mas ao respeito pelas pessoas, ao combate à corrupção e à influência empresarial sobre o destino social. E já agora, outro eco: são os cidadãos os defensores da cidadania.

         

 Alexandre Honrado, investigador e docente da área de Ciência das Religiões da Un. Lusófona

(texto escrito para o Jornal de Mafra)

      

 

 

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Sábado, 18 de Outubro de 2014

Missões, evangelização e a identidade portuguesa

Encheu-me de gozo ouvir o arcebispo de Goa em Fátima agradecer a fé cristã recebida dos portugueses e dizer que a sua mãe o ensinou dar o nome de Fátima a Nossa Senhora. A evangelização e lusofonia na expansão, colonização e emigração portuguesas são inseparáveis, como ficou bem evidenciado no Congresso dos 500 anos da diocese do Funchal. O caldo lusófono de Banguecoque, Sri Lanka, India, Brasil, Angola; e das comunidades de emigração , Canadá , Estados Unidos,Venezuela, África do Sul, Austrália, para não falar das da Europa, consta de marcas e vestígios católicos, igrejas e capelas; nomes de bispos portugueses, missionários, fundadores de obras sociais; santos portugueses, catecismos, festas religiosas, que tornam inseparáveis lusofonia e evangelização católica. As duas dão visibilidade a Portugal no mundo. Surpreende que em tantos volumes eruditos sobre lusofonia se omita esta ligação com a evangelização. A aldeia global lusófona não existiria sem a evangelização católica realizada por missionários e leigos católicos. Ser conhecido, do Brasil ao Japão, Portugal deve-o aos missionários das naus de Lisboa.

Sem expansão missionária católica quem notaria Portugal? Sem o ímpeto da evangelização na expansão, colonização e emigração portuguesa a dimensão da lusofonia ficaria meia apagada. Em Lusofonia e Identidade na Diáspora concluímos a urgência de um “Mapa de lusofonia e portugalidade” da língua e cultura portuguesa no mundo, como serviço ao revigoramento da identidade e da pertença ao “Portugal Missionário”. Sem as missões do Padroado a identidade portuguesa ficaria sem afirmação. Nem se esqueça que para além das bandeiras do Futebol e do Fado, Fátima e Nossa Senhora, a grande evangelizadora, ainda é um dos maiores focos de irradiação da portugalidade e lusofonia!

A mentalidade de génese pombalina, liberalista e maçónica hostil à Igreja persiste em escamotear a coesão do empreendimento português de séculos entre a expansão, colonização e evangelização católica. Algumas tensões e conflitos neste empreendimento não anulavam a necessária unidade e colaboração pelo ideal comum de expandir Portugal e dilatar a Fé Católica. Hoje sobram os conflitos ideológicos e falta a coesão à volta de um empreendimento capaz de unir e dinamizar os portugueses. E não será encontrado sem a chave perdida da lusofonização evangelizadora. Não se enxerga “cola” que possa unir o país. A primeira globalização  veio do fermento evangelizador lusófono; a grande pequenez do Portugal de Quinhentos dilatou-se na expansão de sentido evangélico que ainda hoje espanta e leva muitos povos dos cinco continentes a agradecer a Portugal a sua fé católica.

Precisamos de um mapa guia para visitar os marcos da história de lusofonização e evangelização católica que fomos e somos. As   muitas centenas de igrejas e capelas; nomes de   evangelizadores, ruinas de conventos, hospitais, escolas e residências de bispos, missionários, religiosos; devoções e irmandades difundidas; e a suas obras escritas nos arquivos e bibliotecas pedem entrada nesse mapa para em dia das Missões nos dizerem o que somos e o que arriscamos esquecer.

Funchal, 17 de setembro de 2014

Aires Gameiro

Publicado por Re-ligare às 15:49
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Sábado, 11 de Outubro de 2014

A inutilidade de sermos história

            

Aprendemos a voar como os pássaros, a nadar como os peixes, mas não aprendemos a arte de vivermos juntos, como irmãos

              

Martin Luther King

              

              

Dificilmente, à distância, um futuro historiador olhará para estes quase 15 anos do arranque do século XXI e para as fontes de interpretação que dele restarem, com um olhar melhor que o da comiseração. Sentirá remorsos, porque a falta de objetividade desse sentimento limitá-lo-á na sua tarefa. Sentirá como recompensa o prazer de ser um sobrevivente. Ao contrário dos que aventavam os jornalistas económicos, a sua profissão manteve-se, para explicar-lhes como estavam errados. Ficará talvez conformado, esse historiador, por não ter sido ainda este o tempo do fim da História que colegas seus haviam preconizado. Até porque um historiador não deve produzir futurologia, a sua missão de entender o passado é que permite exatamente o futuro e o estonteante, efémero, pulverizado momento presente. Ficará, o mesmo historiador, um pouco abismado com a arte de dominar o descartável dos povos do passado, afinal seus pais e avós: no início do século XXI somos deglutição. Ficará espantado ao perceber que Paquistão, Afeganistão, a Serra Leoa que estavam nas capas dos jornais desapareceram para dar lugar à República centro Africana, esta à Somália, e à Nigéria, ao Mali, ao Egito, engolidas pela Ucrânia, a Rússia, o Iraque, a Síria, a Palestina, Israel, o ébola..., num desfile de horrores sem consequência, apenas a voracidade dos espectadores, quase todos ocidentais, sentados na poltrona da paciência, vendo o medo e a estupefacção alheios como produto de entretenimento e coisa intocável. Espetadores que um dia não entenderam a Primavera Árabe, no dia seguinte não perceberam as sublevações no Brasil e uma semana a seguir não quiseram esperar para ver como acabava a situação das raparigas raptadas pelo grupo extremista Boko Haram, apenas por falta de interesse e paciência. A realidade alheia é sempre menor. Como encarar um século que começa com o 11 de setembro como grande chancela, e banaliza progressivamente o terrorismo? Temos saudades das suspeitas sobre Saddam Hussein, e do seu alegado programa de construção de ogivas de mísseis, quando vemos agora o sangue em direto e os corpos dilacerados, dia após dia, nos territórios mais variados. Sentimos uma certa romântica nostalgia por Bin Laden, aventureiro das arábias. Aqui na Europa, onde quase ninguém sabe ainda onde fica a Bósnia, já ninguém se lembra de Atocha e interpreta-se Auschwitz como estância de ficção. As guerras de hoje fazem pouco sentido para a maior parte de nós. E todavia houve momentos da História em que se justificaram: as guerras libertadoras, as guerras em nome de causas, as guerras pela autodeterminação e pelo erradicar do jugo, as guerras em nome do que se acreditava – e as que se travavam dentro do Homem, pela sua dignidade. As guerras de causa voaram nos estilhaços dos interesses económicos. E quando vemos um pobre desvairado a agitar a sua arma, acreditando que tem nas mãos o destino do Mundo, sabemos que o seu epitáfio será escrito com poeira pobre, dessa que se faz com pólvora, lama e sangue desperdiçado. Mesmo que combata numa guerra pesada, ele não tem o menor peso. E ao banalizar a violência esgotou-lhe o pouco sentido que ela podia ter. Se o terror se estabelecer, se for uma generalização já ninguém se aterroriza, limita-se a viver sob o novo padrão do medo e a ser o próprio medo. É frustrante. É uma narrativa que se dilui na sua própria estrutura, sem sentido nem vitória. Tranquilo com a abolição do califado por Ataturk, o Mundo acorda anos depois com a vontade do restauro do mesmo califado, por vontade de um franco-atirador de quem (ainda) não se fixa o nome. Talvez o futuro seja apenas um pátio escuro ou a explosão solar. E o que acreditados em matéria de direitos humanos, de democracia, de laicidade, da herança das Luzes, finde num massacre. Talvez o historiador do futuro entenda que quem abriu as portas à tragédia, tenham sido aqueles que afastaram o Homem como centro, como os ultraliberais, os adoradores dos mercados, os salvadores dos bancos – que patrocinam as guerras, que os enriquecem. O historiador do futuro achará inútil as mortes. As do World Trade Center ou de Kobani, na Síria, ou as crianças-soldado em todos os cenários de Guerra. Provavelmente, achará inútil a própria história e tudo aquilo que, juntos, fomos incapazes de aprender.”

               

Alexandre Honrado

 

Publicado por Re-ligare às 22:55
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