Terça-feira, 20 de Janeiro de 2015

Biomusicologia – Definição e Conceito

“A música, essa linguagem perfeita que poucos podem nomear, não ocupa um lugar de destaque, dirão alguns. Mas tal como numa oração, ela encerra o segredo de tudo”

(Alain Badiou – Almagestes, 1966)

 

Biomusicologia é um termo estabelecido por Nils L. Walin pela primeira vez em 1991, sendo uma disciplina que estuda os efeitos biológicos e evolutivos da música. Podemos dizer que é o estudo da base biológica para a criação e apreciação da música. Sendo a música um fenómeno existente na totalidade dos grupos humanos, os cientistas acreditam existir uma base biológica para a sua criação e apreciação.

Na década de 90, Nil Wallin, diretor do Institut for Biomusicology da Mid Sweden University em Östersund, conjuntamente com Steven Brown e Bjorg Merker, publicam o livro “The Origins of Music”, reunindo nesta obra uma coleção de 27 ensaios e artigos, fruto da colaboração de uma equipa multidisciplinar, na qual estão inseridos neurocientistas, biólogos, antropólogos, musicólogos, arqueólogos, etólogos e linguistas, num estudo que pretende compreender as origens da música em três planos, explicando que a Biomusicologia engloba três áreas principais de estudo:

 

Musicologia Evolutiva

Estudo das origens e da evolução da música, quer nos humanos quer nos animais.

•         Origens da música,

•         Canção animal,

•         Seleção natural pela evolução musical,

•         Evolução musical,

•         Evolução humana.

 

___________________________

 

 

Musicologia Comparativa

Estudo das funções, dos sistemas e do uso da música, bem como dos comportamentos musicais.

•         Funções e usos da música,

•         Vantagens e custos da produção musical,

•         Fatores universais do sistema musical

•         Comportamento musical.

 

 

___________________________

 

 

Neuromusicologia

Estudo da ontogenia da capacidade e habilidades musicais; estudo das áreas da inteligência e dos mecanismos cognitivos e neuronais no processo da aprendizagem musical.

•         Processamento musical cerebral,

•         Mecanismos neurais e cognitivos do processamento musical,

•         Habilidades musicais e ontogénese da música

 

 

Os aspetos práticos dos principais ramos contribuem para o que é denominado de Biomusicologia aplicada, cujo objetivo é conferir argumentos biológicos em áreas como:

  • Terapias médicas e psicológicas que usem música,
  • Uso generalizado de música nos meios audiovisuais,
  • Presença da música em locais públicos
  • O seu papel em influenciar o comportamento da população
  • Utilização de música para potenciar a aprendizagem

É importante referir que quando mencionamos a palavra “Música”, queremos com ela englobar todo o processo comunicativo de sons cuja origem, em termos de organização animal, remonta a um período anterior ao surgimento do homem.

Na visão desta pesquisadora, a música não é uma dádiva da inteligência humana, nem um fenómeno cultural com cerca de 52 000 anos (data dos mais antigos instrumentos musicais, encontrados na Eslovénia).

O facto da “música” das baleias corcundas ter refrão, rima e artifícios sonoros que facilitam a memorização dos trechos musicais, permite o entrelaçar intencional dessas ondas sonoras em determinados intervalos, produzindo ritmo e harmonia.

Ora, foi exatamente esta mesma ordem que surpreendeu os pesquisadores quando escutaram os sons emitidos pelas baleias no fundo dos oceanos.Nil Wallin , Steven Brown e Bjorg Merker são da opinião que as origens da música fornecem elementos para a compreensão da evolução humana.

A evolução da linguagem é altamente entrelaçada com a evolução da música. A música fornece um meio específico e direto na evolução das estruturas sociais humanas, na função de grupo e comportamento cultural.

Atualmente, uma equipa multidisciplinar tem pela primeira vez desenvolvido uma pesquisa conjunta, com o objetivo de analisar temáticas relacionadas com a biomusicologia evolutiva; num estudo que poderá contribuir enormemente para a nossa compreensão do percurso da música humana, nomeadamente nos seguintes pontos:

O “fabrico” da música é a quintessência da atividade cultural humana, e todas as culturas a produziram”.[1] Este trabalho inovador conduz-nos à necessidade de reavaliação do étimo da palavra “Música”, aqui entendida como um processo comunicativo no qual as funções originais da música, o seu uso e o seu real papel, em termos de difusão nas diversas culturas da Humanidade, devem ser reavaliadas. Isto porque “mais tarde novas organizações de estruturas sonoras se desenvolveram, com novos significados na construção da organologia e semânticas musicais da Humanidade”.[2]

Algumas delas produziam sequências musicais que demonstravam intencionalidade, fazendo isso lembrar a base da estrutura de uma sinfonia.

No entender de vários biomusicólogos, a História da Música pode retroceder até pelo menos 60 milhões de anos, quando as primeiras baleias apareceram nos oceanos. “Não é exagero dizer que esses mamíferos também criaram o que chamamos de música” (Patricia M. Gray).

Segundo um estudo da pesquisadora Patricia M. Gray, da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, publicado na revista Science, humanos e animais são organismos programados para a música.

Esta ciência, de cariz pioneiro, aborda de uma forma única os estudos já existentes nas áreas referidas, procurando dar-lhes uma sequência inovadora.

  • a evolução do aparelho vocal hominídeo,
  • a localização de funções cerebrais,
  • a estrutura sinalética e acústica,
  • a simbólica gestual e a manipulação emocional através do som,
  • a autoexpressão,
  • a criatividade,
  • a afinidade humana com a espiritualidade,
  • a conexão humana à própria música em si mesma.

Assim, no âmbito da pós-graduação e da especialização em Biomusicologia®, cuja vertente é voltada para a aplicação terapêutica, pretende‐se efetuar um trabalho de cariz eminentemente prático e que chegue a um elevado número de pessoas, cumprindo com um importante objetivo desta formação:

tornar a formação em Biomusicologia® pragmática e socialmente atuante.

Biomusicologia Terapêutica® controla os batimentos cardíacos, torna a respiração mais lenta e profunda, previne as enfermidades cardíacas, relaxa a musculatura, combate o nervosismo, combate enxaquecas, aumenta a resistência às excitações sensoriais, previne as neuroses, previne as enfermidades psicossomáticas, combate o stress, permite o domínio das forças afetivas e ajuda no bom funcionamento fisiológico.

  • Tanto pode causar um estado profundo de relaxamento semelhante ao da vigília, ou estado alpha, quanto pode elevar o espírito e trazer um estado de contentamento duradouro ao ato de celebrar e encontrar a verdadeira unidade.
  • Assim sendo, pode produzir no cérebro a mesma sensação de bem-estar produzida pelas endorfinas (grupo de proteínas segregado pelo hipotálamo, de grande poder analgésico, que estão presentes em estado natural no cérebro) responsável pela redução da dor que sentimos.
  • Esse estado leva à quietude mental, aliviando o stress, as preocupações, a insónia, a inquietação e a agitação mental. Faz tomar contacto com as emoções mais profundas retomando o sentido do verdadeiro Eu e dos valores mais importantes para a autorrealização.

Sendo a música um fenómeno existente na totalidade dos grupos humanos, os cientistas acreditam existir uma base biológica para a sua criação e apreciação.

Para além de terem descoberto que não somos os únicos seres abençoados com esse dom.

A Biomusicologia tem revelado que somos todos seres musicais!

 

Danuia Pereira Leite

 

Bibliografia:

WALLIN, Nils L, BROWN, L. Steven, MERKER, Björn, (Eds., 1999): The Origins of Music, Cambridge, Mass. MIT Press;

PERETZ, Isabelle, The nature of music from a biological perspective, 2006100, pp. 1–32;

WISNIK, José Miguel, O som e o Sentido, s.d.

PERT, Candace, “Molecules of Emotions”, Pocket Books, 1997;

CAESER, Wesley, MusicAll – Contraponto, 1990;

____________

[1] Wallin, Nils L./Björn Merker/Steven Brown (Eds., 1999): “The Origins of Music”, Cambridge, Mass.: MIT Press. ISBN 0-262-23206-5.

[2] Wallin, Nils L./Björn Merker/Steven Brown Op. Cit

Publicado por Re-ligare às 00:38
Link do post | Comentar | Favorito
Quarta-feira, 24 de Dezembro de 2014

Natal, naTAO

Feliz Natal

Feliz naTAO

feliz é aquele(a)

que vive no Tao

 

Natal é Cristo

naTao é Buda

Natal é nascer

naTao é re-nascer.

 

Nas-cer

Renas-ser

 

Ser um

Em Cristo, em Buda

 

menino Jesus, menino Sidarta

menino você, menina você

 

todos somos crianças.

 

Quando é que vamos aprender?

 

Aprender a ser

Apreender

Empreender

Entender

 

Que Tao, em chinês

Virou Théos, em grego

Deus, em português.

 

Daí a reverência:

namas, em sânscrito

 

Deus em mim

Saúda Deus em Ti.

 

Namas, vem de namo, em páli.

Eu me refugio

na partícula

Buda

na partícula

Deus

que existe em mim

que existe em você,

no outro, no próximo.

 

E se Ele, está, é

tão perto, tão próximo

por que o tornamos tão longe?

 

A solução?

 

Todos os dias no Tao

todo dia é Natal

dia de florescer

a parte boa que existe em mim

a parte boa que existe em você.

 

Feliz Ano Novo também !

Se nascemos a todo instante

A cada momento surge um novo ano

uma nova oportunidade

de ser feliz.

 

Feliz Natal

Feliz tudo de bom

Feliz tudo de Buda

Feliz tudo de Cristo

 

Feliz Natal

feliz é você

que vive no Tao.

 

 

ANTONIO CARLOS ROCHA

 

antoniocpbr@ig.com.br

 

Publicado por Re-ligare às 12:38
Link do post | Comentar | Ver comentários (1) | Favorito
Sexta-feira, 19 de Dezembro de 2014

Encontro com Manuel Frias Martins

Foi num muito saboroso encontro – mais um – com o Professor Manuel Frias Martins, intelectual que me cativou pela leitura muito antes de conhecê-lo pessoalmente (eu corria o JL à procura dele, e das crítica literária que produzia, nesse Jornal de Letras onde também eu publiquei prosa, numa época que me parece já uma ficção esfumada); foi nesse encontro e pela gentileza de me oferecer dois livros seus, que revi uma frase inexplicavelmente perdida na minha memória. Manuel Frias Martins citou-a, em livro, e transcrevo-a agora: “o Reino de Deus é alcançado pela violência”.          

A frase inquieta alguns – não me incluo, pois sou de uma formação onde os reinos pouco cabem e as inquietações vêm sempre dos meus pares e nunca daqueles que nos transcendem– e é de um filósofo político, Thomas Hobbes (1588-1679). Não há coincidências – mas no mesmo dia da oferta do livro e do reler da frase, num alfarrabista de Santa Catarina, vi na montra o Leviatã (de 1651, do mesmo Hobbes).

Quem lia as tirinhas de banda desenhada de um dos nossos jornais diários – onde, pensando bem, noutra época eu também publiquei prosa -,da autoria do norte-americano Bill Watterson, conhece as histórias do irrequieto Calvin (Calvino) e do tigre Hobbes, tigre de pelúcia que, produto do imaginário, materializa-se de acordo com os requisitos da ação que emerge do fantasioso Calvin, menino com ansiedades de adulto, sendo inseparáveis companheiros de inquietação e desventuras.

Calvin – homenagem a Calvino, cristão suíço-francês, da Picardia, que teve papel fundamental na Reforma Protestante – e Hobbes, que observava a natureza humana e a necessidade de governos e sociedades. No estado natural, enquanto que alguns homens possam ser mais fortes ou mais inteligentes do que outros, nenhum se ergue tão acima dos demais por forma a estar além do medo de que outro homem lhe possa fazer mal. Por isso, cada um de nós tem direito a tudo, e uma vez que todas as coisas são escassas, existe uma guerra constante de todos contra todos (Bellum omnia omnes). No entanto, os homens têm um desejo, que é também em interesse próprio, de acabar com a guerra, e por isso formam sociedades entrando num contrato social.

João Calvino, que viveu entre 1509 e 1564 e discorria acerca da depravação total do homem e acerca da predestinação e Thomas Hobbes, autor da célebre frase “O homem é lobo do homem”- ou seja, cada homem é predador de seu próximo. Thomas possuía uma visão obscura e pessimista da humanidade (visão que o tigre da banda desenhada compartilha). Mas Calvino via o homem obscuro a cada passo.

Manuel Frias Martins num dos livros que me ofereceu – As Trevas Inocentes - explica tudo isto bem melhor do que eu, que apenas recolho sentimentalmente algumas frases que ele me inspirou. E não havendo coincidências, pensar que tudo isto se passou quando os talibãs afegãos condenavam publicamente o atentado perpetrado, pelos talibãs paquistaneses, contra uma escola do vizinho Paquistão, afirmando que matar crianças inocentes vai contra os princípios do Islão. Não havendo coincidências, fico aqui ao canto a pensar no que ressalta da violência. Do que ela ensina. Do que contem e do dela pode extrair-se. A Paz não seria entendida sem o conflito que a motiva e gera. A violência e o sagrado (Frias Martins cita o título de René Girar que usa a mesma expressão) estiveram sempre na mesma antecâmara, na mesma sala ritual, à mesma distância – por ventura uma legitima o outro e vice versa. A história mostra o que Hobbes escreveu: “o Reino de Deus é alcançado pela violência”. Mesmo sabendo que esse patamar é propriedade da utopia. Como o da paz – que é um estádio em que os homens convivem provisoriamente apaziguados com os seus conflitos.

                  

 Alexandre Honrado

Publicado por Re-ligare às 14:26
Link do post | Comentar | Favorito
Terça-feira, 16 de Dezembro de 2014

Para Uma Consciência do Som

 

Há bem pouco tempo, a humanidade descobriu que as partículas do átomo de oxigénio protões e neutrões, vibram numa escala melódica maior, que os talos dos cereais que crescem, cantam cada um a sua própria canção e que todos ressoam num uníssono harmonioso; também ficámos a saber que ao processar-se a fotossíntese se ouvem trítonos e que a sexualidade é um fenómeno musical...

Até à pouco, o tempo e a matéria, eram os alicerces do conhecimento, sendo mesuráveis, avaliáveis e previsíveis.

Hoje os físicos estão diante de destroços. Uma das poucas certezas de que dispomos, é que o mundo é som, ritmo e vibração.

As descobertas da ciência moderna e as ideias desenvolvidas em vários movimentos sociais estão a mudar radicalmente a nossa visão do mundo. Lentamente uma nova perspetiva da realidade surge e esta será o alicerce futuro das ciências, da filosofia, da tecnologia e da economia – Este novo paradigma é uma visão holística do mundo.

Há que mudar o conceito de estrutura para o de ritmo a fim de que consigamos obter uma descrição coerente da realidade, capaz de integrar as descobertas mais recentes da física e das ciências da vida...Em todo o universo há padrões rítmicos - O mundo é som!

Desde o entrelaçamento dos padrões rítmicos da comunicação humana, das vibrações das moléculas e dos átomos, até aos “ritmos estáticos” dos cristais, aos padrões regulares dos organismos vivos, até à geometria sagrada presente em código nas grandes catedrais europeias; Tudo obedece à lei da harmonia musical.

Mas o padrão universal dinâmico, não consiste somente em vibração, ele vibra em proporções harmónicas.

Por entre biliões de vibrações possíveis, o universo opta com visível predileção, por aquelas poucas mil que têm um sentido harmónico.

Porquê?

A maioria de nós não percebe que o mundo existe de forma independente; para sermos mais precisos, somos nós que o criamos com os nossos processos de cognição e de perceção. No caso de organismos diversos, como as plantas, estes processos diferem, uma vez que dispõe de órgãos de perceção diferentes, o que os leva à criação de mundos próprios.

A compreensão de que o mudo é som, tem atualmente implicações profundas, refletindo-se, não somente na ciência e na filosofia, como ainda na nossa convivência quotidiana e sobretudo incidindo na nossa sociedade.

Se observarmos a palavra convivência, cuja raiz etimológica é constituída por dois elementos importantes, o prefixo “com” de origem latina “cum” e a raiz “vivência”. Este prefixo serve para marcar uma variedade de relações entre diferentes indivíduos ou situações. Por conseguinte “com” não é usado num contexto de singularidade pois o seu propósito é estabelecer relações com alguém, sendo pelo menos necessárias duas pessoas para que “com” tenha sentido. Assim a preposição adquire o seu sentido na medida em que serve para unir e não para separar elementos diferentes. Isto conduz-nos à ideia de conjunto, de companhia. É o passar da vivência explorativa para a vivência ecológica, assente na noção de cuidar do outro.

Desde há séculos que o ocidente coloca uma ênfase exagerada na visão, em detrimento da audição. Na atual mudança de paradigma, é urgente incluir uma modificação consciente e essencial dessa ênfase, que se deverá conduzir da visão para a audição.

Esta modificação “dos olhos para os ouvidos”, coincide com uma mudança de valores: dos masculinos, ou seja da cognição pela visão para os femininos, o que significa dizer para a cognição pela audição, que tantas vezes tem sido associada à nossa transformação cultural, refletindo-se da análise para a síntese, do conhecimento racional para a sabedoria intuitiva, do domínio e da agressividade para a não-violência e para a paz...

As pessoas desta geração, conhecem intuitivamente a vibração e o som. Este é um sinal do processo de consciencialização que ocorre nos dias em que vivemos. A presença desta nova consciência é sentida mesmo por aqueles que a recusam.

Nesta época em que a humanidade gasta milhões por minuto para a sua possível extinção, pode-se prever o fim de todos nós. E é essa a nossa experiência: seja o que for que a humanidade possa fazer – acaba por realiza-lo! Antes, somente as pessoas intuitivas sabiam disto, agora quase todos os sabem.

Encarar a verdadeira situação do mundo, é psiquicamente insuportável...

Embora esta seja uma afirmação polémica, o facto é que o raciocínio científico está diretamente relacionado com as graves ameaças à humanidade. Contudo não é possível dentro das diretrizes essenciais da ciência moderna, criar soluções eficazes para eliminação destas ameaças.

Enquanto isto, o fantasma da ingovernabilidade surgiu nos países industrializados, sendo que hoje alguns deles têm problemas maiores que os do 3º mundo. Mas se só uma nova consciência é capaz de nos libertar, isso significa dizer que, não podemos modificar o mundo a menos que nos modifiquemos, pois nós somos (o) mundo! Qualquer outro caminho é absurdo.

Tudo o que se modificou profundamente, mudou 1º na consciência de cada ser humano. Só depois é que isso se refletiu na transformação em que vive a coletividade humana. – Sabemos que tudo é um, de tal forma que o nosso intelecto pode compreende-lo ao mesmo tempo científica, matemática e experimentalmente.

Muito se tem falado sobre a nova consciência, mas, ainda não foi mencionado em nenhum lugar que há uma consciência das pessoas que ouvem. Nelas o som audível é mais importante que o som visível. Nelas os olhos não têm predomínio em relação aos ouvidos, pelo contrário, predominam sobre aqueles.

A pessoa que vê, analisa, separa as coisas em partes. O homem da visão acumulou de tal sorte a racionalidade que hoje estamos a assistir à sua ruína. Na era da televisão as pessoas que só veem, deixam-se conduzir, ad absurdum.

O símbolo dos ouvidos, é a concha que também simboliza o órgão sexual feminino – símbolo de recetividade e aconchego. No homem que ouve, a vida não é analisada, é aceite como um todo, ela é a realidade que está aí.

Os ouvidos têm a sua perceção mais apurada que os olhos e o tato. Os orientais consideravam os olhos um órgão Yang e os ouvidos um órgão Yin.

Para este o todo é mais importante que as partes, a síntese mais importante que a análise. Os inter-relacionamentos mais importantes que a especialização. O homem moderno perdeu-se devido à hipertrofia da audição. Não dá mais ouvidos ao divino em si. O âmbito da visão é a superfície, o da audição é a profundidade. A pessoa que ouve tem mais oportunidade de aprofundar-se do que aquela que vê.

Urge pois reaprender a ver corretamente. No mundo ocidental existe desde o mundo grego e o Renascimento, a tradição do culto aos olhos, à luz, à visão; mas nada no mundo se compara àquilo que se refere à audição. A profunda modificação da consciência somente será uma realidade quando aprendermos a usar inteiramente o nosso sentido da audição, pois só assim corrigiremos a hipertrofia de que temos sido vitimas. Como disse Goetheos olhos do espírito têm de ver em uníssono com os olhos físicos, caso contrário, há o risco de ficarmos a olhar e, no entanto as coisas passarem despercebidas

  1. Porque é que a evolução diferenciou com tanto cuidado o nosso sentido da audição?
  2. Porque é que ela ocultou aqui a capacidade de avaliação?
  3. Porque é que nesta evolução se oculta ao mesmo tempo, a capacidade da transcendência e, acima de tudo, a capacidade do equilíbrio?
  4. Porque é que os dados que recebemos pelos ouvidos são mais exatos que os da visão?
  5. Porque é que o alcance do que podemos ouvir é 10 vezes maior do que o que podemos ver?
  6. Porque é que os homens não dão atenção ao que dizem as mulheres?
  7. Porque è que as vozes femininas são mais agudas que as masculinos?
  8. Porque motivo a ciência convencional ignorou o facto de que na natureza as vozes agudas têm uma função de liderança?
  9. Os instrumentos de tonalidade mais aguda (violinos, flautas, etc.) tocam a melodia, enquanto que os de tonalidade mais grave (violoncelos, baixos, trombones, tubas) em geral tocam o acompanhamento?
  10. Estes só podem ser considerados instrumentos melódicos, quando os mais agudos se mantêm em silêncio.
  11. O que é que tudo isto nos diz...?
  12. Porque é que o mundo científico dominado pelos homens, deixou de ver, deixou de “ouvir” estas questões?

Numa coleção de koans do Zen de 1783 o monge japonês Genro, de Quito diz “Uma doutrina que ignora a vida quotidiana, não é uma verdadeira doutrina”

No nosso ouvido há um templo, naqueles que ouvem a Alma viverá.

O som, ou a correnteza da consciência, é mais certo do que o Tempo e a Matéria...

“Se você anular os seus sentidos e o som, o que é que você ouve?”

 

Danuia Pereira Leite

 

Referências Bibliográficas

  • «O Poder Curador da Música», Mcclellan , Randall
  • «Inteligência Emocional», Golman, Daniel
  • «Musicofilia», Sacks, Oliver

 

Publicado por Re-ligare às 11:32
Link do post | Comentar | Favorito
Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2014

Um almoço, um planeta, o alvoroço

É bem provável que se saiba que um grupo, aparentemente muito heterogéneo, se reuniu por estes dias num hotel de Lisboa, perto da EXPO, para um simpático almoço de festas (não direi almoço de natal, não tendo a certeza de que todos os presentes festejem a quadra). A verdade é que o evento sentou ombro a ombro, em mesas ricas, líderes espirituais de muitas religiões, desde altos representantes da Igreja Católica, ao líder da comunidade muçulmana em Portugal, a responsáveis de variadas igrejas cristãs, membros da Fé Bahá’í), protestantes, evangélicos, judeus, agnósticos e ateus...

Eu sei que foi assim, pois eu estava sentado numa das mesas.

Este almoço foi possível por estarmos em Portugal, no Portugal de Abril, esse que consagrou – e legislou – liberdades fundamentais para que este almoço – e outras provas de ecumenismo à moda cristã - fosse possível.

A entrada em vigor e progressiva institucionalização da Lei da Liberdade Religiosa de 2001, bem como a Concordata com a Santa Sé e o Estado Português, de 2004, foram momentos marcantes nesse percurso, com algumas diatribes pelo meio, como a negação dos festejos dos feriados religiosos imposta pelo Governo, só para dar um dos exemplos de repressão mais discretos.

A Liberdade Religiosa – a par com a Liberdade de Expressão ou de Opção – é uma das mais nobres com que contamos. É um direito do espírito - palavra que uso a metafisicamente para me referir à consciência ou personalidade. Um direito fundamental. Para quem acredita nisto, limitar alguém nas suas liberdades é uma afronta ao coletivo. Não dar voz a um preso, violentar objetores de consciência, impedir o direito às ideias, individuais e coletivas – são exemplos do que é intolerância, do que é autoritarismo, do que conduz a formas de poder musculadas e excessivas, que conhecemos nas formas dos fascismos da História em várias facetas.

Enquanto o almoço decorria, as televisões mostravam imagens de Sydney onde um sequestro num café terminava com três mortos, sendo o sequestrador abatido pela polícia. A essa, seguia-se outra, sobre o grupo autodenominado "Estado Islâmico”, com a banalização a que levaram as suas crenças. Curiosamente, os temas de conversa, no almoço, passaram por estes exemplos. E pela distância que existe entre pessoas que vivem em liberdade e que respeitam direitos humanos e aquelas que desvalorizam o ser humano e o que ele é, intrinsecamente: um ser de construção e não de destruição. O tema da liberdade religiosa anda hoje em cima das mesas dos que pensam. E ultrapassa já a polémica que esteve presente quando os crucifixos nas salas de aula italianas, em 2009, vieram a título de notícia. Ou quando começaram os atentados de Bagdad e de Alexandria , em 2010, contra a liberdade de culto dos católicos. Ou quando a construção de mesquitas com minaretes foi discutida na Suíça, em 2009. Hoje, a campanha cada vez mais expressiva contra os muçulmanos do mundo está a comprometer a sua liberdade, sabendo como sabemos que os fundamentalistas são apenas uma percentagem ínfima de uma população equivalente a um quarto dos habitantes do mundo. Mas ver algumas generalizações mediáticas sobre imagens de extremismo imbecil, acéfalo, e cobarde, que decapita inocentes para formar um estado de excessos revoltantes, pode conduzir a outros fundamentalismos, implantados nos cérebros dos consumidores dessas mesmas generalizações mediáticas. É como vir a descobrir que todos os australianos são assassinos porque um deles atacou inocentes num café – e matou alguns desses inocentes.

Observar para a Liberdade Religiosa é hoje uma tarefa de todos. Nas nossas escolas, meninos budistas sentam-se ao lado de companheiros hindus, judeus, católicos, muçulmanos. Como nós naquele almoço de festa. Tão diferentes e todavia tão iguais no mesmo prazer de disfrutar uma Liberdade que nos revela como queremos: Humanos. Creio que foi Paul Valéry quem disse que “há momentos infelizes em que a solidão e o silêncio se tornam meios de liberdade.”

Escrever em momentos de crise, por exemplo. E fazer da Escrita uma bandeira, digo eu.”

 

Alexandre Honrado

Publicado por Re-ligare às 23:54
Link do post | Comentar | Favorito
Sábado, 13 de Dezembro de 2014

Neurociência – Música e Emoções

A música, mais do que um som, é a tradução de sentimentos humanos. A pergunta que se impõe e que se perde na noite dos tempos, é como descobriu o ser humano que a música, enquanto combinação de sons pode ser a expressão da sua alma?

Não sabendo explicar a natureza da música, o homem procurou responder a esta pergunta, considerando-a uma dádiva dos deuses. A associação quase universal entre a música e as emoções parece dever algo à contra-reforma, em particular nas decisões tomadas no Concílio de Trento (1545-1563), de restringir os “excessos” dos compositores no que diz respeito ao uso da polifonia.

Santo Agostinho demonstrou a sua preocupação em que os prazeres da música, distraíssem a mente do conteúdo representacional dos textos litúrgicos; reconhecendo no entanto, que os textos cantados exerciam um efeito muito maior do que se apenas lidos. Nos finais do séc. XVI, a Camerata (grupo de teorizadores florentinos que estabeleceu os fundamentos da ópera primitiva) fundamentou que a música devia representar adequadamente as emoções que o texto exprimia. A teoria imitativa platónica, segundo a qual a música representa emoções imitando o discurso e os movimentos corporais, ganhou predominância.

Como Platão fizera na “República”, os teóricos da igreja sobrestimaram as qualidades emotivas da música, ao mesmo tempo que suspeitavam dos prazeres da música quando esta deixa de ser meramente funcional ou ilustrativa. Tendo considerado que esta apelava sobretudo às emoções e não à razão, havia que refrear a música, fazendo-a evocar emoções “corretas”, através da austeridade estética.

A ideia moderna, expressionista de uma relação especial entre a música e as emoções mantém a dicotomia entre razão e emoção com uma sobrevalorização desta última.

Tanto na “República” de Platão, como na “Cidade de Deus” de Santo Agostinho, a boa música funciona como uma metáfora da cidade bem ordenada. O romantismo preservou a ênfase nas emoções e trocou a cidade do bem ordenado pelo indivíduo desordenado.

Perguntamos, o estado emocional de um indivíduo determina a forma como ele percebe o mundo? O que tem a dizer sobre isto a neurociência?

A música é a única arte que é em simultâneo, completamente abstrata e profundamente emocional. Apesar de no contexto ser incapaz de representar um objeto exterior ou interior, tem ainda assim a capacidade poderosa e única de expressar estados intelectuais ou até mesmo sentimentos.

Comove-nos quando nos toca diretamente o coração exprimindo sentimentos sem necessidade de mensuração. É paradoxal quando em simultâneo nos faz mergulhar num universo de dor, presenteando-nos com consolação e alívio.

Tem a real capacidade de nos sintonizar com o nosso estado de espírito.

A música dirige-se à dualidade da nossa natureza, levando-nos a tomar consciência do seu aspeto simultaneamente emocional e intelectual.

A neurociência da música centra-se em mecanismos emocionais, nos quais somos perceptores da melodia, do ritmo, altura ou intervalos; no entanto, a fruição dos aspetos afetivos da música, conduz-nos a uma ligação entre psicologia e neurociência. O equilíbrio reside no ouvido crítico que estabelece a ponte entre a correção técnica e a emoção numa perfeita conjugação de beleza e estrutura formal da composição.

Robert Burton na “Anatomia da Melodia”, descreve pormenorizadamente os poderes da música, da mesma forma que John Stuart Mill refere que apenas a música tem o poder de resgatar de estados de anedonia ou melancolia.

Utilizando os termos de Styron, a música “trespassa-nos o coração” quando mais nada o consegue tocar; libertando em nós uma cascata de imagens, sentimentos ou recordações. Misto de alegria e de catarse, o poder da música chega até nós e invade-nos sem que disso tenhamos uma premeditação consciente. Indo para além do alcance das palavras, de um modo misterioso e caprichoso, produzindo o seu efeito, proporcionando-nos um reconforto profundo, invadindo-nos como uma bênção ou uma graça inesperadas, qual “impulso criador que tende para a libertação”, para usarmos a expressão de E. M. Foster.

Se considerarmos que a musicalidade pode ser entendida como inata, a sensibilidade emocional em relação à música, baseada em capacidades preceptivas e cognitivas, já se reveste de uma maior complexidade pois é fruto da influência de fatores neurológicos e pessoais, conduzindo-nos a uma experiência na qual mecanismos de apreciação e aspetos estruturais e emocionais se manifestam de forma variada e por vezes, até mesmo divergente; dependendo da pessoa em si mesma.

Linhas de investigação tais como as de Blood e Zatore (artigo de 2001), revelam-nos a existência de uma vasta rede que envolve as regiões corticais e subcorticais na base das respostas emocionais à música.

Isabelle Peretz, pensa existir “uma arquitetura funcional particular, subjacente à interpretação emocional da música”. A resposta emocional à música pode ter uma base psicológica própria, distinta e específica, na qual assentam de um modo geral as reações emocionais.

A música faz parte do ser humano e não há cultura em que esta não conheça um desenvolvimento eminente ou não seja estimada. A música para a espécie humana, não é um luxo mas antes uma necessidade, porque nos devolve a nós próprios e aos outros, ainda que por vezes, como no caso de patologias de foro psiquiátrico, que por um só momento. A perceção da música e das emoções que esta suscita, não depende apenas da memória, e a própria demência não diminui a profundidade da experiência emocional, pois continua a existir um self, que pode ser interpelado e a quem apenas a música pode falar.

A música pode chamar as pessoas a muitos níveis, entrar nelas, alterá-las, sendo isto um acontecimento tanto em pacientes dementes como em todos nós. A extraordinária robustez neuronal da música é uma evidência.

 

Danuia Pereira leite

 

Referências Bibliográficas

«Ao encontro de Espinosa», Damásio, António, Publicações Europa-América, 2004;

«O livro das Emoções», Esquível, Laura, Asa 2011;

«Molecules of Emotions», Pert, Candace, Pocket Books, 1997;

«Inteligência Emocional», Golman, Daniel, Sábado, 2006.;

«Musicofilia», Sacks, Oliver, Relógio D’Água, 2007

 

Publicado por Re-ligare às 12:13
Link do post | Comentar | Favorito
Quarta-feira, 10 de Dezembro de 2014

CONTEXTO BIOLÓGICO DA BIOMUSICOLOGIA

O som é constituído por vibrações que pulsam em oscilações rítmicas. O ser humano, por sua vez, é constituído por estruturas físicas e não físicas que vibram, igualmente em frequências rítmicas, oscilatórias. O biomusicólogo pode estabelecer a sincronia entre estes sistemas através do principio da ressonância vibratória, visando alcançar resultados pré-determinados, com fins terapêuticos. Este procedimento requer conhecimento técnico, pesquisas e experimentação prévia sobre os sons e terapias vibratórias a serem utilizadas, além de um estudo do perfil psicológico e social do indivíduo (anamnese) que se submeterá à influência da biomusicologia.

Uma vez que esta ciência envolve diversas áreas do conhecimento, é assumida uma visão interdisciplinar e integrativa de várias ciências tendo como objectivo final a máxima eficiência da terapeutica. Nomeadamente promove o encontro entre a biologia, a física, a música e ainda, numa abordagem mais ampla, envolverá a antropologia e filosofia, com o fim de incorporar o rico conhecimento de povos tradicionais que utilizavam o som na cura terapêutica.É necessário utilizar o som como veiculo de expressão de inteligência de cooperação e fraternidade.

A Biomusicologia intervêm a um nível profundo onde a energia sub-atómica e a informação que a estrutura, influem e controlam os comportamentos a nível material no corpo físico e emocional. Cada organismo, célula, tecido ou órgão possui uma frequência electromagnética única e identificável. São as perturbações electromagnéticas do corpo que ao fim de certo tempo geram alterações que se manifestam ao nível das modificações bioquímicas. Quando o campo magnético está em ordem o corpo está saudável.

Neste contexto a Ressonância é o mecanismo biológico (de indução física), através do qual as frequências induzidas afectam sistemas físicos desequilibrados. O efeito da ressonância vibratória simpática no organismo é também afectado por sons inaudíveis

 

Vibração acústica, som e música

 

O que normalmente chamamos de "som", é a percepção subjectiva de um fenômeno vibratório, que dentro de certos parâmetros estimulou o órgão sensorial da audição. No Homem, o caminho que as vibrações fazem, advindas do meio externo, através do ouvido externo, ouvido médio até o ouvido interno, é essencialmente um processo mecânico. Trata-se da transferência de energia comunicada através do meio gasoso (no ouvido externo), meio sólido (no ouvido médio - membrana timpânica _ martelo _ bigorna _ estribo _ janela oval), meio liquido (dentro do ouvido interno - cóclea), até chegar a estimular as células ciliadas que transformam o impulso recebido em impulsos elétricos que são transmitidos ao cérebro via nervo auditivo. Somente a partir deste ponto, ou seja, da completa transformação do movimento mecânico em impulso nervoso é que de facto se pode falar de "som" e sua percepção. Até então pode-se, quando muito, referir-se a uma sensação táctil, por exemplo, como a que ocorre no tímpano quando este é estimulado pelas alternâncias de pressão que compõe o fenômeno vibratório acústico.

Portanto, entende-se que "som" (sensação sonora), só existe dentro de um ser, na medida em que um órgão apropriado é capaz de transformar um processo mecânico em impulso nervoso e que no cérebro seja feita a interpretação correcta desta informação. O ponto central do processo encontra-se ao nível neurológico, pois tanto o corpo todo pode servir como "ouvido", captar e levar até o ouvido interno as vibrações acústicas (como acontece muitas vezes com deficientes auditivos), como também de forma sutil a própria "imaginação sonora" faz ouvir sons e melodias.

 

A natureza Vibratória do Som e do Corpo Humano

 

Onde existir energia em movimento que actua sobre um corpo, existirá também um corpo que vibra para o ambiente. Todo o corpo vivo emite som, todas as células do corpo possuem propriedades vibratórias e são receptores sonoros. O Som é movimento, mais do que isso, som é impulso vibracional, é o movimento repetido, aleatório ou periódico de átomos e moléculas; ou seja, somos compostos de sons.

O corpo humano é uma fonte de energia, que emana vibrações contínuas que se alteram de acordo com o estado psicológico e mental. A cada momento, o corpo troca energia com outros corpos, e com tudo o que o rodeia, está imerso num oceano de ondas, de vibrações.

Somos, assim, uma sinfonia de frequências, sons e ritmos num fluxo constante que procura manter um estado de harmonia. Possuidores de diversas células em constante movimento, sendo que, onde há movimento há fricção e onde há fricção o som está presente; cada célula do corpo humano produz uma frequência ou harmónico ressonante. De acordo com a frequência e o harmónico ressonante das células, elas unem-se para formarem cada órgão do corpo (ex: pulmão, fígado etc.).

O terapeuta cimático Guy Manners, dá a seguinte explicação: “Cada célula é como um pai, e produz um filho. Se a célula-pai funciona como parte de um fígado, conhece apenas o sinal do fígado. Logo, tem-se um harmónico do fígado. Ora, o coração tem uma forma diferente. As células são as mesmas, mas, tendo uma forma diferente, assim também é o seu harmónico”.

Entende-se com isso, que cada órgão forma-se no corpo humano em harmonia com seu próprio padrão e dos outros órgãos que estão nas proximidades, mais ainda, em harmonia com o padrão de onda do ambiente circundante.

Os átomos através dos elétrões em movimento constante irradiam ondas eletromagnéticas, que se associam através do princípio de ressonância. A frequência destas ondas varia de acordo com a estrutura do corpo, cada estrutura é mantida e formada por um harmónico das células, ou seja, pode-se dizer que o som cria as estruturas do nosso corpo.

A totalidade humana é composta de diversos aspectos, desde a psique multidimensional, ritmos orgânicos, glandulares, ondas cerebrais etc. O conjunto desses aspectos é que faz o corpo todo vibrar. A música é criada dentro de certos padrões harmónicos e vibracionais que actuam sobre o campo vibracional e emocional do ser humano, fazendo o corpo ressoar as características de seu próprio psiquismo. a música funciona como influência vibratória que “afina” o padrão vibratório da pessoa.

Pesquisas demonstraram que a totalidade de nosso corpo vibra de 7.8 a 8 ciclos por segundo em seu estado natural de repouso, o mesmo valor é encontrado na frequência das ondas cerebrais de um indivíduo em profundo relaxamento e os números não param por aí; os físicos provaram que a terra inteira vibra nessa frequência básica de 8 ciclos por segundo, portanto, há uma ressonância real entre o ser humano em estado de relaxamento e a atmosfera terrestre.

O campo da cimática (estudo dos efeitos das ondas sonoras sobre a matéria física) provou que as ondas sonoras dão forma à “matéria” física das nossas células, tecidos e órgãos e estão directamente ligados ao nosso estado de saúde ou de doença. Segundo esta visão, a doença resulta de uma mudança da frequência vibracional na harmonia do corpo.

Vejamos um exemplo de acordo com a visão do Dr. Guy Manners, o que poderia acontecer no caso do fígado ser bombardeado por uma vibração em dissonância com seu padrão natural.

  1. O fígado poderá opor resistência e obrigar o impulso estranho a vibrar com seu ritmo e padrão vibratório, anulando a perturbação.
  2. Se a dissonância, a vibração estranha permanecer por muito tempo, o fígado produzirá stress que provavelmente abalará a saúde do órgão.
  3. A vibração estranha poderá adquirir força e impor sua vibração ao fígado, que poderá com o tempo, criar uma nova disposição molecular, prejudicial à harmonia do corpo todo e abalar a saúde do indivíduo.

 

Energia vibratória e o seu efeito na matéria

 

O fenômeno vibratório-sonoro tem uma força capaz de criar e destruir formas, gerar processos e agir como elemento regulador na natureza e no Homen, e é uma ideia que nos acompanha há milénios. Diversas passagens da Bíblia, dos Vedas indianos, da literatura Persa e das mitologias Grega e Chinesa, relatam, de modo surpreendente, como a partir de um som, algo foi criado, destruído ou curado. O astrónomo e matemático Johannes Kepler, no tratado Weltharmonik de 1619 (KEPLER, 1971), coloca a música e as suas leis como força determinante para a estruturação da natureza e dos movimentos celestes.

Relatam-se aqui brevemente alguns fenômenos de ordem física. Em torno de 1800, o físico Ernst F. F. Chladni demonstrou de forma clara como o processo vibratório podia ser visualizado e assim revelar sua acção formadora de padrões em substâncias granulares minerais. Com o descobrimento das "Figuras de Chladni" , todo um novo leque de possibilidades se abriu para a compreensão da actuação sonoro-vibratória . Entre os anos 1960 e 1972, ou seja, quase dois séculos depois dos primeiros experimentos de Chladni, o médico, pintor e pesquisador suíço Hans Jenny deu novo impulso a este estudo, desenvolvendo um "Tonoscópio", aparelho que permite a visualização do efeito de vibrações diretamente sobre diversas substâncias. Com o Tonoscópio eletro-mecânico, é possível controlar a freqüência e intensidade em que uma placa ou recipiente acoplado ao aparelho deve vibrar. Assim Jenny (1967, 1974) submeteu diversas substâncias à ação de vibrações e registrou os fenômenos observados em livros, fotos e filmes. Especialmente as substâncias viscosas e os líquidos ofereceram todo um novo campo de pesquisa, produzindo uma série de fenómenos de circulação e pulsação. Jenny elaborou a partir destes experimentos um corpo de reflexões acerca da natureza vibratória das formas e processos na natureza, remetendo-nos para a ancestral e moderna concepção vibracional do mundo. O seu trabalho teve continuidade na excelente pesquisa e registro feito por Alexander Lauterwasser (2002), que se dedica em especial aos fenômenos vibratórios na água.

Em recentes descobertas usando um Microscópio de Força Atômica, descobriram os “sons celulares”. Foram observadas oscilações em frequências na faixa audível em nano-escala na membrana de células de Saccharomyces cerevisiae e o estudo dos sons gerados por diversas células foi batizado de “Sonocitologia”. Os autores relatam que a vibração, que pode ser percebida auditivamente uma vez amplificada, reflete o estado vital da célula: células saudáveis produzem sons harmónicos enquanto células doentes produzem um som ruidoso. Os autores também sugerem que o processo vibratório-sonoro pode anteceder à manifestação concreta da patologia e, portanto, a Sonocitologia poderia ser usada como um método de diagnóstico vibratório. Neste sentido há uma concordância com os fenômenos observados com substâncias inertes das figuras de Chladni, Jenny e Lauterwasser, onde o impulso vibratório age configurando a substância segundo a sua própria estrutura.

A partir do acima exposto, e de modo geral o processo vibratório cria formas e processos reais, que se tornam visíveis à medida que as substâncias são a eles agregadas. Pode-se dizer que, no âmbito das substâncias inertes, o padrão vibratório precede a forma material e trabalha para que esta se manifeste, movendo e ordenando as suas partículas. Esta constatação permite indagar sobre os efeitos que um estímulo sonoro-vibratório possa ter sobre um organismo vivo. Uma vez constatados estes efeitos, deve-se perguntar: é possível fornecer exteriormente uma informação vibratória específica e assim levar o organismo alvo a intensificar, desenvolver, inibir, ou, em caso de distúrbios, restabelecer seu padrão saudável? Recordando que um organismo possui a sua própria dinâmica e padrões de desenvolvimento e constrói a sua existência em diálogo com o meio ambiente.

 

Bio-acústica

 

Muitos organismos biológicos usam ondas sonoras ou vibrações para orientação ou comunicação. Curiosamente, para além da sinalização química, parte significativa da comunicação animal depende das ondas de propagação, tais como, luz, acústica e ondas eletromagnéticas. Do ponto de vista evolutivo, a recepção e processamento da energia transportada nestas ondas é vantajosa, uma vez que permite obter informação sobre o meio ambiente, próximo ou distante. Com efeito, para perceber vibrações sonoras e / ou mecânicas, os vários grupos de organismos evoluíram e desenvolveram uma diversidade de órgãos sensoriais com estruturas morfológicas e funções adaptadas, e com as respostas sensoriais adaptadas às diversas fontes, formas e meios de comunicação através da qual as vibrações se propagam.

Por exemplo, os humanos e muitos mamíferos terrestres desenvolveram estruturas auditivas externas, o pavilhão auricular, para recolher as vibrações do ar e transmiti-las ao tímpano – sendo a primeira fase de acoplamento e transformação da energia acústica em energia mecânica. E ainda a maioria dos animais não apresenta esta morfologia externa, e muitos também não têm tímpanos. Os pássaros e sapos não têm orelhas externas, mas a sua audição pode ser mais refinada do que a nossa. Muitos insectos não tem ouvidos externos, apesar de terem presentes tímpanos que podem também ser encontrados em vários locais do corpo, dependendo das espécies Nos mosquitos e mosca da fruta, a audição é mediada por um morfologia especializada bem diferente – as antenas são dotadas na base de orgãos de johnston, receptores mecânicos ultra- sensiveis que oscilam com o campo sonoro.

Notavelmente, as cobras não têm ouvidos exteriores ou tímpanos, no entanto as suas mandíbulas actuam como elementos para receber vibrações transmitidas pela terra, e entregar informação acústica para um sistema mecano-sensorial tipo cóclea- Como o som se propaga rapidamente e em longas distancias num substracto denso como o solo, o acoplamento directo da cobra ao substrato é um ponto chave, sendo muito eficiente e permitindo a captura de informação de fontes sonoras distantes. A investigação na área da audição mostra que diferentes estruturas morfológicas podem ser funcionalmente adaptadas para executar a tarefa biofisica de detecção de sons ou vibrações.

Na verdade, a recepção e transdução de energia vibracional não exige as vias auditivas convencionais dos animais com timpano; o tímpano e estruturas cocleares são apenas uma possíbilidade, reconhecidamente como uma solução sofisticada, mas de modo algum constitui um requisito essencial para ouvir. Finalmente, dado que as vibrações do substracto estão sempre presentes em todos os tempos e lugares, pode-se supor que aqueles organismos que habitam ambientes subterrâneos (Por exemplo, mamíferos fossoriais) ou que estão de facto enraizados no solo (por exemplo, plantas) benefeciam de alguma forma com a percepção de vibrações do substracto.

Uma questão-chave reside naturalmente no natureza dos sons, e no seu conteúdo de informação. No futuro, não será surpreendente encontrar organismos dotados de mecanismos adaptados para detecção e transdução de vibrações no solo. Um grande desafio actual é, perceber os mecanismos biofísicos e fisiológicos que permitem a sensibilidade ao som via substrato e explorar a sua diversidade filogenética nas plantas. Esta capacidade de plantas para detectar e usar sons, sejam eles na forma de vibrações no ar ou substrato, demonstra o poder universal desta linguagem sonoro-vibratória.

 

Biomusicologia – estudo da base biológica para a criação e a apreciação da música

 

A música não é uma dádiva da inteligência humana, não é apenas um fenómeno artístico e cultural com no máximo, 52 mil anos (data provável dos mais antigos instrumentos musicais encontrados). Se depender dos biomusicólogos, a história da música pode retroceder até pelo menos 60 milhões de anos, quando apareceram as primeiras baleias, nos oceanos. “Não é exagero dizer que esses mamíferos também criaram o que chamamos de música”, diz M. Gray.

As pesquisas com as baleias e com outros animais têm levado os cientistas a acreditar que a inclinação humana para a música poderá estar mais relacionada com uma programação biológica do que com os padrões culturais exclusivos da nossa espécie. Como a música é um fenómeno encontrado em todas as comunidades ou grupos humanos, a comunidade cientifica acredita quee é provável a existência de uma base biológica para a sua criação e apreciação.

Apesar do hemisfério direito do cérebro ter sido considerado inicialmente como o hemisfério musical, a nossa percepção musical é fruto da interseção dos neurónios de ambos os hemisférios. Não existe um centro musical no cérebro. As mesmas regiões responsáveis por outras formas de cognição são também usadas para a percepção da música.

A Biomusicologia é o estudo da base biológica para a criação e apreciação da música; sendo que esta é um aspecto do comportamento humano. Este termo foi cunhado por Nils L. Wallin em 1991.

Sendo a música um fenómeno existente na totalidade dos grupos humanos, os cientistas acreditam existir uma base biológica para a sua criação e apreciação. Para além de terem descoberto que não somos os únicos seres abençoados com esse dom, a Biomusicologia tem revelado que SOMOS TODOS SERES MUSICAIS, sendo a biologia mais responsável por isso do que aquilo que imaginávamos.

A biomusicologia tenta fornecer uma visão biológica em coisas como:

  • o uso terapêutico da música em tratamentos clínicos
  • a influência psicológica da música;
  • o uso difundido da música nos meios audiovisuais, como cinema e televisão,
  • a presença ubíqua da música em locais públicos
  • a influência da música nos comportamento de massa;.
  • o uso da música como um potenciador geral de aprendizagem A vibração como expressão cósmica impressa no ar e nos corpos influencia-nos a nível interno e externo. A vida é movimento e o movimento é a essência da própria matéria. Tudo é incessante vibração.  A substância são modos de movimento, distinguindo-se por diferentes velocidades de vibração. Actualmente biólogos, etologistas, antropólogos, arqueólogos, psicólogos, neurocientistas e linguistas, juntaram-se pela 1ª vez para analisar estas e outras temáticas relacionadas com a biomusicologia evolucionária; num estudo que poderá contribuir enormemente para a nossa compreensão do percurso da música humana,

Há que pensar...

Que forças biológicas e cognitivas esculpiram o comportamento musical dos seres humanos, e o seu rico reportório de composições musicais? Para que serve a música? E porque dispõe dela todas as culturas humanas? Quais são os aspectos universais da música? E quais são os aspectos do comportamento musical, através das culturas?

  • a evolução do aparelho vocal hominídeo,
  • a localização de funções cerebrais,
  • a estrutura sinalética e acústica,
  • a simbólica gestual, a manipulação emocional através do som,
  • a auto-expressão,
  • a criatividade,
  • a afinidade humana com a espiritualidade
  • e a conexão humana à própria música em si mesma.

O meu trabalho enquanto investigadora, a BiomusicologiaTerapeutica® – Uma Terapia harmoniosa que permite o funcionamento total de um organismo vivo, demonstra que a música age entre outras, sobre as hormonas que produzem uma substância que ajuda a reduzir o stress. Pelo facto das nossas amígdalas se activarem, estimulando a hipófise e produzindo ACTH2 (hormona), quando isso acontece uma outra hormona anti-stress é libertada através das glândulas supra-renais, fazendo com que a quantidade de açúcar seja aumentada no sangue; o que serve de alimento aos nossos músculos que estão em tensão; desse modo a música ajuda-nos a relaxar os músculos e a interromper o ciclo de stress.Somos constituídos por um corpo físico, feito de matéria e por uma aura, mais subtil, ou seja anti-matéria, que é o que reveste os nossos campos de energia.Ao nível da pesquisa foi demonstrado que o nosso DNA reage aos sons. Já foi demonstrado cientificamente que ao se utilizarem determinadas vibrações sonoras se produzem alterações em amostras de DNA vivo! Por mais incrível que possa parecer, o DNA é passível de re-programação através da utilização de determinadas frequências sonoras! A pesquisa cientifica já demonstrou que existe uma relação muito estreita entre o DNA e a linguagem, por exemplo. Assim sendo, alterações nas frequências saudáveis dos órgãos do corpo humano vão produzir os mais variados tipos de doenças orgânicas; da mesma forma que sons adequadamente produzidos conduzem ao restabelecimento das frequências saudáveis dos órgãos. Na realidade cada um de nós é som em estado sólido.

Neste trabalho, num ambiente de interacção entre a mente e o cérebro, o sistema nervoso e o sistema imunológico, são desenvolvidas actividades de grupo com o propósito específico de apoiar e reabilitar pacientes com os mesmos problemas de saúde.

Baseada na ideia do Dr. Joël Sternheimer, de que no interior das células existe "proto-música", ou seja, existe um arranjo harmonioso que permite o funcionamento total do organismo. Neste arranjo, as "ondas de frequência" associadas a alterações nas proteínas exercem sobre a sua biosíntese um papel regulador que conserva, de um modo surpreendente, a sua transposição para uma zona audível. Esta moderna e futurista terapia de som, orienta-se essencialmente no sentido do campo magnético em si próprio, e, por último, no sentido do corpo físico.

Para além do mencionado, este inovador trabalho parte da ideia de que a "matéria" de que é constituído o som é sentida pelo nosso corpo físico, ao passo que as harmonias mais subtis são perceptíveis pela nossa aura.

Mas, porque é que uma determinada melodia tem o dom de acalmar?

Biomusicologia® Terapêutica controla os batimentos cardíacos, torna a respiração mais lenta e profunda, previne as enfermidades cardíacas, relaxa a musculatura, combate o nervosismo, combate enxaquecas, aumenta a resistência às excitações sensoriais, previne as neuroses, previne as enfermidades psicossomáticas, combate o stress, permite o domínio das forças afectivas, ajuda no bom funcionamento fisiológico.Assim sendo, pode produzir no cérebro a mesma sensação de bem-estar produzida pelas endorfinas (grupo de proteínas secretado pelo hipotálamo de grande poder analgésico que estão presentes em estado natural no cérebro) responsável pela redução da dor que sentimos.

Esse estado leva a quietude mental aliviando o stress, as preocupações, a insónia, inquietação e agitação mental. Faz tomar contacto com as emoções mais profundas retomando o sentido do verdadeiro Eu e dos valores mais importantes para a auto-realização.

Tanto pode causar um estado profundo de relaxamento semelhante ao da vigília ou estado alpha quanto elevar o espírito e trazer um estado de contentamento duradouro ao acto de celebrar e encontrar a verdadeira unidade.

Actua sobre:

  • Cérebro, Tálamo e Hipotálamo (fenómenos vinculados ao subconsciente),
  • Hipófise (dom da concentração),
  • Cerebelo, Plexo Solar, Pulmões,
  • Pele e mucosas das membranas,
  • Músculos, Vasos Sanguíneos

Indicada para:

  • Baixar a tensão alta,                                        
  • Crianças e adultos apáticos,
  • Pessoas nervosas, depressivas, ansiosas,
  • Reduzir estados de pessimismo, melancolia e tristeza,
  • Combater os estados de preocupação, tensão, apatia, stress.

Destinado:

  • Doentes oncológicos
  • Doentes terminais
  • Doentes com patologias auto-imunes
  • Doentes com patologias degenerativas
  • Doentes com patologias hereditárias
  • Doentes com distúrbios no ciclo circadiano
  • Doentes com Ansiedade, Stress, Fobias, Depressão, Choques emocionais profundos
  • Crianças com hiperactividade ou com apatia
  • Idosos (de um modo geral)

 

RITMOS BIOLÓGICOS  

 

Os ritmos biológicos manifestam-se regularmente em todos os organismos vivos. Os seres vivos são dotados de uma estrutura organizacional que mantém padrões constantes de movimento oscilatório, ou seja, tudo o que ocorre no organismo obedece a padrões rítmicos gerados endogenamente.

Estes ritmos, porém, podem ser alterados devido a factores ambientais como a presença ou não de luz, ciclo das estações do ano, ciclos da lua, ciclo das marés, e, também, pelos ritmos de outras frequências e com os ciclos geofísicos como, por exemplo, ciclos de temperatura, ciclos de alimentação e ciclos de interação social, apesar destes serem mais difíceis de serem quantificados.

Os eventos rítmicos biológicos possuem um tempo de duração do ciclo de actividade,

bastante variável. Os ritmos biológicos manifestam-se em períodos que vão de milissegundos, como os ritmos de disparo de neurônios ou de batimento do flagelo de espermatozóides, até anos, como o ciclo reprodutivo da cigarra americana (13 ou 17 anos) ou do bambu chinês (100 anos). Nos humanos, o acto de dormir, as actividades motoras, o desempenho psicomotor e cognitivo, a percepção sensorial, a secreção hormonal, a temperatura corporal, as actividades reprodutoras e vários outros fenômenos fisiológicos e psicológicos manifestam-se em períodos rítmicos.

Os ritmos biológicos observados não são simples flutuações de reações químicas internas do organismo, mas, sim, o resultado da interação entre mecanismos internos e sincronizadores externos.

O organismo vivo e o meio ambiente estão em contínua interação na busca de um estado de equilíbrio dinâmico. Como os sistemas biológico e psicológico do ser humano são mais ‘abertos’ do que os dos organismos não humanos, podemos, com razão, esperar encontrar interações organismo-meio ambiente muito mais complexas influenciando os biorritmos e o comportamento humano.” Os ritmos biológicos manifestam-se regularmente em ciclos com diferentes períodos de duração.

 

Danuia Pereira Leite

 

Referências Bibliográficas:

Peretz, Isabelle (2006): "The nature of music from a biological perspective." Cognition

Wallin, Nils L./Björn Merker/Steven Brown (Eds., 1999): The Origins of Music

Oliver Sacks (2007): Musicophilia: Tales of Music and the Brain (2007)

Zatorre, R./Peretz, I. (2000): The Biological Foundations of Music, New York: National Academy Press

Hauser, Marc D./Josh McDermott (2003): "The evolution of the music faculty: a comparative perspective." In: Nature Neuroscience Vol. 6

 

 

Publicado por Re-ligare às 12:03
Link do post | Comentar | Favorito

.Mais sobre Ciência das Religiões

.Pesquisar

.Posts recentes

. Biomusicologia – Definiçã...

. Natal, naTAO

. Encontro com Manuel Frias...

. Para Uma Consciência do S...

. Um almoço, um planeta, o ...

. Neurociência – Música e E...

. CONTEXTO BIOLÓGICO DA BIO...

.Arquivos

.tags

. todas as tags

.Links

.Links

blogs SAPO

.subscrever feeds