Segunda-feira, 17 de Agosto de 2015

Ψυχή, Psychē e Fado

O universo é vibração e no grande reino frequêncial das imagens arquetípicas e dos impulsos, estas não só nada têm a ver com as tendências da personalidade como também são tantas vezes contrárias a ela.

Questiono a vida do ego e a matriz maior do qual este se ergue com a sua ilusão de separatividade…
Os impulsos quais notas musicais soltas que estão acessíveis à consciência do individuo e que marcam a transição para uma outra fase ou oitava da consciência, se-lo-ão de facto? Esses impulsos são dissonantes trígonos ou melódicos acordes?

Observando a noção rítmica do tempo, a consciência não pode apreender a transição por só operar numa fracção de momento, sussurrando-nos que o que experimentamos é tão somente o perímetro da pauta na qual entre linhas e espaços se insere a realidade.

O que nos conduz a uma identificação com a realidade “objectiva” na qual a mão direita de Deus nos tolda e nós, deixamos de ver que esta é completamente subjectiva por ser meramente uma linha da pauta individual que expressa a nossa breve realidade, o grande mestra da ilusão, o Senhor da Fronteira não nos permite a ver que apenas criamos qual executante musical, a nossa própria interpretação da vida.

Ao atravessarmos a “noite escura da Alma”, “Caput Mortuum”, o nigredo, o grande mestre torna-nos cientes do Outro dentro de nós; o mero interprete torna-se então o compositor, revelando-se o verdadeiro poder criativo e curativo do Self.

Este processo meramente musical e psicológico, desperta-nos, porque o impulso que simboliza, como todos os conteúdos do inconsciente é projectado…

As notas musicais com que a vida nos envolve, parecem voltar ao individuo na forma de súbitos eventos emanados de fora, despedaçando a estrutura daquilo que este até então identifica como a sua realidade, da mesma forma que um músico observa a plateia ao mesmo tempo lhe é permitido vislumbrar a ideia colectiva subjacente sobre a qual construiu a sua realidade (interpretação) pessoal.

Porque a experiência existencial, geralmente escapa à percepção do indivíduo, com a qualidade de uma interpretação musical geralmente escapa ao próprio intérprete; a própria Psique é o fado, no qual através do choque ou da dor nos é permitido sermos conduzidos a um despertar para uma consciência vibracional maior.


Danuia Pereira Leite

Publicado por Re-ligare às 18:20
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Quinta-feira, 13 de Agosto de 2015

A PRESENÇA AUSENTE (três): O MEU PASTOR É VIRTUAL

Para quem não segue uma religião, como seu cultor ou crente, mas todas, sem exceção, com a curiosidade afetiva, científica e profunda, cultural e académica, incapaz de ignorar-lhe os pormenores, e a capacidade que possuem, indiscriminadamente, de moldar alguns comportamentos humanos (até à euforia e à excentricidade), a minha experiência mais recente merece ser contada. Deixe-me que lhe diga que, poucos dias antes dessa experiência que vou narrar, me vi confrontado com um anúncio televisivo muito comercial e dinâmico em que uma marca automóvel era comparada à uma divindade.


A marca anunciava que ao sétimo dia de composição criativa-criacionista tinha desembocado na perfeição (se for a ver bem, nenhuma divindade se atreveria a tanto, em especial se analisasse a criação humana, da sua responsabilidade e atrevimento, pobre criação tão distante do que devia ser perfeito mas se mostra incapaz de sê-lo).
Os criativos europeus criaram esta campanha para uma marca alemã. Convém recordar que na Alemanha a Igreja e o Estado são separados, mas há cooperação em várias áreas, principalmente no sector social e não é espantoso, mas ainda destacável que o presidente da Alemanha, o senhor Joachim Gauck, é um pastor luterano, político que teve um papel ativíssimo no processo da reunificação alemã. Se olharmos para outras religiões, uma campanha como esta podia figurar como uma afronta a princípios, crenças, dogmas...


Passando nas televisões – e outros veículos de propagação audiovisual – a referida campanha publicitária pare ter deixado indiferentes os crentes. Não sei também se motivou a compra do carro em questão. A verdade é que motivou a ressalva intelectual de alguns não crentes, e mais não digo.

 

Estava eu a digerir isto quando os acasos da vida me levaram a um acontecimento social sempre pesado e afetivamente incómodo: um funeral.

 

Cheguei à Igreja onde se prestaria a última homenagem a quem partia e a primeira impressão foi impressionante. Construída numa terra de fortes tradições não religiosas, a igreja (católica) era uma peça de cenário sugestivo. No alto de uma elevação, com uma arquitetura fantástica, de grandes portas e janelas rasgadas permitindo ver, de longe, o interior. A igreja no seu esplendor teatral. À noite, o efeito era ainda maior: as luzes projetadas no interior, sobre fiéis e celebrantes, permitiam um espetáculo, mesmo à distância, para quem passasse. Não é um exemplo inédito, mas sendo uma construção recente, apreciei com demora. Todavia, o que se seguiu foi mais intenso.

 

Na capela mortuária, um pastor recebia os presentes. (Na igreja católica, que recebia um funeral protestante). O pastor então convidou os presentes a verem, nos seus telemóveis, os cânticos que ia propor na cerimónia. Podiam, os que que quisessem, descarregar a aplicação que permitia o acesso ao livro de cânticos. Confesso que fiquei um pouco admirado. Como já disse aqui, a linha invisível entre a modernidade e a pós-modernidade quebrou-se com a presença no mundo profano das tecnologias digitais, dos anos 90 até agora com uma rapidez invulgar de implantação e aceitação. Isso permitiu – e promoveu uma mudança de conceito nas relações religiosas com estas tecnologias. A assimilação dos meios tecnológicos aliou o digital e o espiritual. Hoje, o Pastor de cada um está na Internet, as missas e os cultos também.


Da confissão à ideia da vela virtual, a internet acende os crentes, perdoe-se a ousadia da comparação. As redes sociais enchem-se de citações, de salmos, de passagens bíblicas, corânicas, de citações de rabis ou do Talmude, ou de outros livros sagrados.


Distante do Homem e perto do PDF, do Twitter, do Facebook, do Twoo, de todas as formas electrónicas possíveis, há um deus na rede, um pastor virtual, uma salvação, em forma de redes interligadas num conjunto de protocolos padrão, que podem levá-lo do seu computador ao céu da sua vontade.

Alexandre Honrado

Publicado por Re-ligare às 16:49
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Terça-feira, 28 de Julho de 2015

A CULTURA QUE NOS REDEFINE - e o Apocalipse

De quando em vez, ocorre-nos o termo apocalipse, apokálypsis, revelação, a propósito de acontecimentos novos, violentos, que alteram o só aparente curso calmo do que nos é contemporâneo. A barbárie ganha terreno. E deixa marcas de sangue e cicatrizes sobre a pele sensível daqueles que torna miseráveis. A Europa conhece bem esse sintoma, emergente nos seus mais nefastos momentos de morte, só nos últimos cento e quinze anos viu duas guerras mundiais, as revoluções russa e iraniana, em 1917 e em 1979, a guerra da Bósnia, os atentados terroristas da Eta, do Ira, dos Baader-Meinhof, das Brigadas Vermelhas, dos separatistas chechenos, entre outros exemplos a que se junta a assustadora escalada da direita e da extrema direita a reocupar estatutos de um poder que julgava perdido e privilégios que a história escrita pelos mais ingénuos considerava destinados a jamais se reabilitarem. A verdade é que a Europa aproveita agora os noticiários oportunos em que os Talibã no Afeganistão e no Paquistão, o Boko Haram na Nigéria, e o Al Shabab no Corno de África, cuja 'ideologia' é apenas o poder político e o dinheiro, fazem esquecer o gérmen da barbárie que sempre alimentou em todo o ocidente e que contagiou todo o globo. A angústia (de uma faceta cultural, assente em valores mais elevados) é a de assistir à emergente nova cultura, desprovida de plataformas, onde o elemento dinâmico é, ao mesmo tempo, o desconsolador: uma deriva propulsionada pelo Eu em direção ao que é insensato, catastrófico, desenfreado, mortal. A Europa viu o seu declínio em muitos espelhos, também na ideia medíocre mais recenete de que é nos mercados que se joga o futuro da civilização, e na austeridade que se amordaça os povos e os assalta, para com o seu dinheiro restaurar bancos falidos por erros de estratégia, de gestão e de ambição política míope e cruel. Um percurso doentio, esquecendo o Homem e os seus valores mais elevados, retirando-lhe o pundonor, a autoestima, a qualidade humana no que tem de mais louvável. As “massas”, convencidas de que a sua força está no desinteresse pelas instituições a que se subordinam – e não na capacidade de transformar as mesmas – passeiam-se pelas sombras moribundas do desencanto.

O poder exercido por muito poucos esmaga todos os outros, que tantos são. E os mais sofridos parecem surpreendentemente gratos apenas por continuarem a sobreviver, e sobreviver não passa da forma anestesiante e nauseante de viver. Expurgado no que tem de essencial, o homem afasta-se da sua cultura, daquela que o tinha como centro, e que levou milénios a evoluir a estádios toleráveis - e permite-se o avanço de formas variadas de manipulação, que tanto podem vir do mais demagogo tribuno ou da estrutura de crença mais enganadora. Em certos momentos do desgaste, alguns pensadores saem à rua para dizer o que pensam da maquinação e do desastre, da ferida aberta do quotidiano. Poucos são os que põem em primeiro plano a cultura – talvez porque ela seja uma casa comum, porém muito indecifrável. No pós-Guerra (em 1948, isto é, no pós-Segunda Grande Guerra), T.S.Eliot escrevia as suas Notes towards the Definition of Culture, as Notas para a Definição de Cultura, onde, no seu estilo conservador, procurava interpretar a Classe e as Elites, a unidade e a diversidade, a seita e o culto, a cultura e a política. O grande falhanço de Eliot esteve então no seu não distanciamento e na aparente pouca densidade da análise, o que constitui um contraste flagrante com outros escritos seus (sobretudo para quem conhece a consistência de toda a sua poesia, essa “superficialidade” era evidente). Genial – denso e genial – enquanto poeta, não é um crítico profundo do social, como não é um politólogo, um sociólogo, um historiador ou um antropólogo. A sua visão – de quase estudo social – “conservadora em política, classicista em literatura e anglo-católica em religião”, é superficial. Esse texto, de 1948, inspirará outro, de George Steiner, em 1971.

Sob o ponto de vista cultural, 1971 assina um dos acontecimentos mais revolucionários da história do homem: a Intel lança o primeiro microprocessador do Mundo. É a condicionante comum mais forte do futuro do homem, até aos nossos dias desgastados. Mas Steiner, alheio ao facto, escreve, ele também, “algumas notas para a redefinição da cultura”, num livro simbolicamente intitulado "No Castelo do Barba Azul". Steiner diz avisadamente que “é possível que o nosso quadro de apocalipse, ainda que tratado com moderação e temperado de ironia, seja perigosamente inflacionista”. É verdade que muito nos entusiasmamos com o catastrofismo e qualquer estudioso da psicossociologia do consumidor aconselha lançar aos títulos da comunicação social os gritinhos histéricos dos infortúnios, os gemidos do drama, da tragédia, do desastre – que tanto encantam a “massa” consumidora, a "opinião pública", sempre facilmente enganada pela opinião publicada. Com certa surpresa, reler o texto de Steiner, aqui e agora, com esta fluência de novos reveses do século XXI, conduz-nos à perplexidade interpretativa. Steiner afirma que “Não é o passado literal que nos governa, exceto, talvez numa acepção biológica. São as imagens do passado: com frequência tão intensamente estruturadas e tão imperativas como os mitos. As imagens e as construções simbólicas do passado, encontram-se impressas, quase à maneira de informações genéticas, na nossa sensibilidade”. Porém, talvez não sejam, como pensava Comte, os mortos, mas sim as suas imagens, a governar os vivos. É a ideia de cultura que outros adiante recuperarão, a cultura como um sistema de significação realizado, um sistema social caracterizado por formas padronizadas de comunicação. É também a tentativa de mobilização total do indivíduo pelo óbvio, que alguns autores sugerem, mas que nos inquieta vivamente.

Mas se Steiner afirmava, à época, que “cada época histórica se contempla no quadro e na mitologia ativa do seu próprio passado ou de um passado tomado de empréstimo a outras culturas”, a verdade é que presenciamos a emergência de gerações sem memória cultivada, sem referenciais humanos, sem o orgulho da prova da sua identidade. Gerações que facilmente desvalorizam o valor da vida humana e matam pelo único prazer de se sentirem vivos.

A cultura foi sempre entendida como o repositório chave dos valores culturais e das significações. Sem eles, sem esses valores, o plano inclinado da qualidade leva-nos do caos a uma espessa lama aniquiladora. Não sejamos perigosamente inflacionistas. Empunhemos só aquilo em que acreditamos, usando-o para a redefinição, mas sobretudo como criação da força da resistência onde nos defendamos do apocalipse, isto é de qualquer revelação, que se oponha àquilo que nos faz melhores e mais humanos.

Alexandre Honrado
Publicado por Re-ligare às 17:28
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Segunda-feira, 16 de Março de 2015

Música e Emoções - Romantismo, Fisiologia ou Semelhança?

 

Como estabelecer a natureza das nossas respostas emocionais à música? É a nossa resposta meramente fisiológica? Assenta numa conceção romântica? Faz sentido responder emocionalmente à música?

Será o estabelecimento da relação existente entre a música e as emoções humanas central no campo da filosofia das artes?

Sendo a música definida como a arte de exprimir sentimentos e impressões por meio de sons, através dessa combinação de sons, a alma do Homem é expressa, revelando-se através de sete emoções. Numa perspetiva objetiva e de real importância, estão teorias da psicologia e da neurociência, representadas por Daniel Goleman e António Damásio. Estas mostram-nos que as emoções são biológicas, físicas, e não um produto de abstração.

Segundo Paul Ekman, as emoções básicas, inatas no ser humano e transversais a todas as culturas, são sete: Tristeza, Alegria, Medo, Aversão, Surpresa, Desprezo, Raiva. Acreditamos que elas estão para o corpo como as sete notas estão para um instrumento musical. A observância das notas musicais ajuda-nos a saber “tocar” as “notas” dos nossos corpos; as emoções, num generoso contributo que visa a sua própria compreensão e libertação.

Ao darmos significado às emoções, reconhecemo-las enquanto possibilidades de vida, conservação, desenvolvimento, realização de interesses e tarefas que estas nos oferecem, afirmando assim a não predominância do racional no ser humano. Do mesmo modo que ao não darmos significado às emoções, restituímos a razão como característica dominante do Homem, que lhe permite a ordem, a harmonia e a perfeição.

Quando dizemos que a música é concebida tanto para provocar como para exprimir ou representar emoções definidas, como estabelecemos essa relação? Ou seja, onde nos baseamos para afirmar que as emoções são o conteúdo e o objeto da música? Em respostas emocionais à música? Numa explicação fisiológica?

Devemos questionar se a música tem a capacidade de provocar em quem a ouve, emoções definidas, ou se um compositor pode através dela, exprimir emoções igualmente definidas. De acordo com livro, o Do Belo Musical, um trabalho de 1891, redigido pelo crítico musical alemão Eduard Hanslick; a música não pode provocar, nem tampouco exprimir emoções definidas.

Segundo Hanslick, as emoções têm um elemento intencional, ou seja, um conteúdo que envolve estados mentais, assim sendo, a música não pode provocar emoções definidas pois não estabelece uma relação causal com emoção provocada no ouvinte, uma vez que ao escutarem a mesma música, pessoas diferentes podem reagir com emoções diferentes.

Além disso, de acordo com Hanslick, a música absoluta não dispõe de uma linguagem adequada para representar estados mentais sendo por isso que p.ex. uma crença ou o desejo não podem ser representados por meio de sons sem significado.

No entanto, como explicamos o fato de sermos emocionalmente afetados pela música? Qual é o processo que está aqui subjacente? Como esclarecemos a natureza da experiência emocional que a música nos proporciona? Bastará a este respeito tomar em consideração uma explicação de natureza fisiológica? Ou antes, argumentarmos que este não é um problema filosófico? Qual a chave de resposta que pode dar por concluída esta questão?

Do ponto de vista da física e da biologia:

Ouvimos sons em virtude de vibrações que são conduzidas através do ar. A orelha funciona como uma concha acústica, que capta os sons e os direciona para o canal auditivo. As ondas sonoras por sua vez, fazem vibrar o ar dentro do canal do ouvido e a vibração é transmitida ao tímpano. Esticada como a pele de um tambor, a membrana timpânica vibra, movendo o osso martelo, que faz vibrar o osso bigorna, que por sua vez, faz vibrar o osso estribo. Esses ossículos funcionam como amplificadores das vibrações. A base do osso estribo conecta-se a uma região da membrana da cóclea denominada janela oval, e fá-la vibrar, comunicando a vibração ao líquido coclear. O movimento desse líquido faz vibrar a membrana basilar e as células sensoriais. Os pelos dessas células, ao encostarem levemente na membrana tectórica, geram impulsos nervosos, que são transmitidos pelo nervo auditivo ao centro de audição do córtex cerebral.[1]

Podemos concluir dizendo que, as vibrações, na forma de ondas sonoras, são transformadas em impulsos nervosos e levadas ao cérebro que as interpreta como espécies diferentes de sons que levam, de algum modo, à experiência de alguma emoção. Mas, será tal explicação suficiente?

O filósofo norte-americano Paul Boghossian, no seu artigo “Explaining Musical Experience” (2007), respondeu negativamente a esta questão. Porque se torna insuficiente uma explicação fisiológica? Na realidade, porque parece haver algo mais do que uma simples reação fisiológica na nossa experiência musical, esta não pode ser reduzida meramente a reações corporais.

Segundo Boghossian, precisamos de uma explicação da racionalidade e não da fisiologia, no que concerne às nossas respostas emocionais à música. Este autor, assenta a sua explicação na sugestão de que a explicação fisiológica demonstra que música induz estados emocionais, no entanto, ser afetado pela música não é apenas uma questão de determinar o tipo de reação química que ocorre no corpo do ouvinte.

No contexto da música, como se daria a explicação racional de tais respostas?

Clive Bell um dos defensores mais proeminentes do formalismo na estética, aponta-nos uma nova perspetiva, através da qual se pode defender que a música desperta um tipo especial de emoção: a emoção estética.

De acordo com Hanslick, ideia de que a música tem um significado expressivo é inaceitável, posto que a música não é capaz de representar estados mentais como crenças ou pensamentos, não fazendo sentido existir uma reação emocional como resposta à música, uma vez que esta é incapaz de dizer-nos coisas que tenham significado. Do ponto de vista de Hanslick, a música não pode exprimir emoções em virtude de não poder representar os estados mentais que estão ligados a elas.

A experiência quotidiana revela a qualquer um de nós que, mesmo que a música não possa dizer-nos coisas que tenham significado, a verdade é que continua a haver um aspeto racional nas nossas respostas emocionais a ela.

Da mesma forma que para podermos concebermos a representação de um qualquer objeto, necessitamos apenas do acesso a alguns aspetos do objeto representado, para que uma música consiga expressar ou representar uma emoção, será realmente necessário, que seja capaz de expressar os estados mentais nela envolvidos? Acreditamos que não.

Embora a música e as emoções humanas sejam objetos de natureza tão distinta, por analogia o reconhecimento de emoções consegue ser estabelecido, através da representação de sequências de sons de uma música que nos conectam com outros aspetos reveladores dos estados mentais ligados a estas mesmas emoções. Aspetos estes que nos permitem que reconheçamos de que emoção se trata.

De um ponto de vista pessoal, acreditamos que capacidade da música para exprimir emoções reside no fato de algumas das suas propriedades partilharem semelhanças com algumas características das emoções. Tais características podem ser de dois tipos:

 

1. Comportamental: p. ex. o modo como as pessoas falam e se comportam quando estão de posse de um determinado estado emocional

2. Psicológica: p.ex. a maneira como sentimos a passagem do tempo aquando da presença de alguma emoção.

 

Para a compreensão da ponte entre música e emoções, que estabelece a natureza da nossa resposta emocional à música, é importante esclarecer três conceitos básicos acerca da mesma, a saber:

  1. Andamento: As indicações de andamento são as que estabelecem a velocidade na qual será tocada a música. Os termos geralmente utilizados são sete (como sete são as notas musicais, ou as emoções básicas do ser humano, segundo Ekman): lento, larghetto, adágio, andante, allegro, presto, prestíssimo. Ao longo da peça, o andamento pode mudar, e para designar tal mudança são utilizados termos, como accelerando, stringendo, rallentando.
  2. Dinâmica: As indicações de dinâmica são as que determinam o volume ou a intensidade sonora. Os termos utilizados com este intuito são: pianíssimo, mezzo piano, mezzo forte, fortíssimo, sforzando. Portanto, dinâmica é a propriedade de um som ser mais forte ou fraco.
  3. Altura: Diz respeito à propriedade de um som ser mais grave ou agudo.

 

Mas para além do exposto, que assenta em estados emocionais de fácil identificação e evidência, que dizer do caso de aspetos comportamentais e psicológicos de pessoas que estão de posse de estados emocionais não tão evidentes como os resultantes de emoções como p. ex. a tristeza ou a alegria? O que dizer de emoções de natureza mais complexa? Como ultrapassamos ao nível da representação musical de tais emoções, aquilo que parecem ser limitações cognitivas no que concerne ao estabelecimento preciso das características comportamentais e psicológicas suscitadas por tais emoções?

Pode estas ser representadas musicalmente? Serão emoções como a inveja, o orgulho, o remorso ou vergonha, representáveis através da música?

No caso destas, há como que uma regra geral intuitiva a respeito dos seus aspetos que têm um análogo tonal em virtude das propriedades dinâmicas das músicas.

Sabemos que diversos fatores influenciam as nossas respostas fisiológicas e psíquicas à música, sendo fulcrais aspetos tais como, a capacidade particular de perceber e ouvir, a educação, a cultura, a situação social do momento, mas a conclusão a que chegamos é a de que, a capacidade da música para exprimir emoções, reside no fato de algumas das suas propriedades e caraterísticas partilharem semelhanças com algumas características das emoções, sendo a problemática do estabelecimento da relação existente entre a música e as emoções humanas fundamental no campo da filosofia das artes.

 

Bibliografia

Heilman, KM, Bowers D, Valenstein E, Watson RT. The right hemisphere neuropsychological functions. J Neurosurg, 64:693-704, 1986.

Sergent J. Music, the brain and ravel. Tins, 16(5):168-72, 1993.

Lauter JL, Herscovitch P, Formby C, Raichle ME. Tonotopic organization in huma auditory cortex revealed by positron emission tomography. Hear Res, 20:199-205, 1985.

Muszkat, M, Correia, CMF, Noffs, MHS, Vincenzo, NS, Campos, CJR. Especialização funcional hemisférica na afasia motora. Arq Neuropsiquiatria 53(1):88-93, 1995.

Wieser HG, Hungerbuhler H, Siegel AM, Buck A. Musicogenic epilepsy: review of the litterature and case report with ictal single photon emission computed tomography. Epilepsia, 38:200-7, 1997.

Zifkin BG, Zatorre RJ. Musicogenic epilepsy. Adv Neurol, 75:273-81, 1998.

Boghossian, P. Explaining Musical Experience. In Stock 2007

d'Aversa , Rafael A. Música e Emoção, 2010

Campos, Dinorá, Emoções 2011

Budd, M. Music and the Communication of Emotion. The Journal of Aesthetics and Art Criticism, 47.2, 1989

Budd, M. Music and the Emotions. Nova Iorque: Taylor & Francis e-Library. 2003

Carroll, N. Philosophy of Art. Nova Iorque e Londres: Routledge. 1999

Hanslick, E. Do Belo Musical. Trad. A. Mourão. Lisboa: Edições 70, 1994

Matravers, D. Expression in Music. In Stock 2007

Stock, K. org. Philosophers on Music: Experience, Meaning and Work. Nova Iorque: Oxford University Press. 2007

 

 

Danuia Pereira Leite

 

 

 

 

Publicado por Re-ligare às 15:28
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Terça-feira, 20 de Janeiro de 2015

Biomusicologia – Definição e Conceito

“A música, essa linguagem perfeita que poucos podem nomear, não ocupa um lugar de destaque, dirão alguns. Mas tal como numa oração, ela encerra o segredo de tudo”

(Alain Badiou – Almagestes, 1966)

 

Biomusicologia é um termo estabelecido por Nils L. Walin pela primeira vez em 1991, sendo uma disciplina que estuda os efeitos biológicos e evolutivos da música. Podemos dizer que é o estudo da base biológica para a criação e apreciação da música. Sendo a música um fenómeno existente na totalidade dos grupos humanos, os cientistas acreditam existir uma base biológica para a sua criação e apreciação.

Na década de 90, Nil Wallin, diretor do Institut for Biomusicology da Mid Sweden University em Östersund, conjuntamente com Steven Brown e Bjorg Merker, publicam o livro “The Origins of Music”, reunindo nesta obra uma coleção de 27 ensaios e artigos, fruto da colaboração de uma equipa multidisciplinar, na qual estão inseridos neurocientistas, biólogos, antropólogos, musicólogos, arqueólogos, etólogos e linguistas, num estudo que pretende compreender as origens da música em três planos, explicando que a Biomusicologia engloba três áreas principais de estudo:

 

Musicologia Evolutiva

Estudo das origens e da evolução da música, quer nos humanos quer nos animais.

•         Origens da música,

•         Canção animal,

•         Seleção natural pela evolução musical,

•         Evolução musical,

•         Evolução humana.

 

___________________________

 

 

Musicologia Comparativa

Estudo das funções, dos sistemas e do uso da música, bem como dos comportamentos musicais.

•         Funções e usos da música,

•         Vantagens e custos da produção musical,

•         Fatores universais do sistema musical

•         Comportamento musical.

 

 

___________________________

 

 

Neuromusicologia

Estudo da ontogenia da capacidade e habilidades musicais; estudo das áreas da inteligência e dos mecanismos cognitivos e neuronais no processo da aprendizagem musical.

•         Processamento musical cerebral,

•         Mecanismos neurais e cognitivos do processamento musical,

•         Habilidades musicais e ontogénese da música

 

 

Os aspetos práticos dos principais ramos contribuem para o que é denominado de Biomusicologia aplicada, cujo objetivo é conferir argumentos biológicos em áreas como:

  • Terapias médicas e psicológicas que usem música,
  • Uso generalizado de música nos meios audiovisuais,
  • Presença da música em locais públicos
  • O seu papel em influenciar o comportamento da população
  • Utilização de música para potenciar a aprendizagem

É importante referir que quando mencionamos a palavra “Música”, queremos com ela englobar todo o processo comunicativo de sons cuja origem, em termos de organização animal, remonta a um período anterior ao surgimento do homem.

Na visão desta pesquisadora, a música não é uma dádiva da inteligência humana, nem um fenómeno cultural com cerca de 52 000 anos (data dos mais antigos instrumentos musicais, encontrados na Eslovénia).

O facto da “música” das baleias corcundas ter refrão, rima e artifícios sonoros que facilitam a memorização dos trechos musicais, permite o entrelaçar intencional dessas ondas sonoras em determinados intervalos, produzindo ritmo e harmonia.

Ora, foi exatamente esta mesma ordem que surpreendeu os pesquisadores quando escutaram os sons emitidos pelas baleias no fundo dos oceanos.Nil Wallin , Steven Brown e Bjorg Merker são da opinião que as origens da música fornecem elementos para a compreensão da evolução humana.

A evolução da linguagem é altamente entrelaçada com a evolução da música. A música fornece um meio específico e direto na evolução das estruturas sociais humanas, na função de grupo e comportamento cultural.

Atualmente, uma equipa multidisciplinar tem pela primeira vez desenvolvido uma pesquisa conjunta, com o objetivo de analisar temáticas relacionadas com a biomusicologia evolutiva; num estudo que poderá contribuir enormemente para a nossa compreensão do percurso da música humana, nomeadamente nos seguintes pontos:

O “fabrico” da música é a quintessência da atividade cultural humana, e todas as culturas a produziram”.[1] Este trabalho inovador conduz-nos à necessidade de reavaliação do étimo da palavra “Música”, aqui entendida como um processo comunicativo no qual as funções originais da música, o seu uso e o seu real papel, em termos de difusão nas diversas culturas da Humanidade, devem ser reavaliadas. Isto porque “mais tarde novas organizações de estruturas sonoras se desenvolveram, com novos significados na construção da organologia e semânticas musicais da Humanidade”.[2]

Algumas delas produziam sequências musicais que demonstravam intencionalidade, fazendo isso lembrar a base da estrutura de uma sinfonia.

No entender de vários biomusicólogos, a História da Música pode retroceder até pelo menos 60 milhões de anos, quando as primeiras baleias apareceram nos oceanos. “Não é exagero dizer que esses mamíferos também criaram o que chamamos de música” (Patricia M. Gray).

Segundo um estudo da pesquisadora Patricia M. Gray, da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, publicado na revista Science, humanos e animais são organismos programados para a música.

Esta ciência, de cariz pioneiro, aborda de uma forma única os estudos já existentes nas áreas referidas, procurando dar-lhes uma sequência inovadora.

  • a evolução do aparelho vocal hominídeo,
  • a localização de funções cerebrais,
  • a estrutura sinalética e acústica,
  • a simbólica gestual e a manipulação emocional através do som,
  • a autoexpressão,
  • a criatividade,
  • a afinidade humana com a espiritualidade,
  • a conexão humana à própria música em si mesma.

Assim, no âmbito da pós-graduação e da especialização em Biomusicologia®, cuja vertente é voltada para a aplicação terapêutica, pretende‐se efetuar um trabalho de cariz eminentemente prático e que chegue a um elevado número de pessoas, cumprindo com um importante objetivo desta formação:

tornar a formação em Biomusicologia® pragmática e socialmente atuante.

Biomusicologia Terapêutica® controla os batimentos cardíacos, torna a respiração mais lenta e profunda, previne as enfermidades cardíacas, relaxa a musculatura, combate o nervosismo, combate enxaquecas, aumenta a resistência às excitações sensoriais, previne as neuroses, previne as enfermidades psicossomáticas, combate o stress, permite o domínio das forças afetivas e ajuda no bom funcionamento fisiológico.

  • Tanto pode causar um estado profundo de relaxamento semelhante ao da vigília, ou estado alpha, quanto pode elevar o espírito e trazer um estado de contentamento duradouro ao ato de celebrar e encontrar a verdadeira unidade.
  • Assim sendo, pode produzir no cérebro a mesma sensação de bem-estar produzida pelas endorfinas (grupo de proteínas segregado pelo hipotálamo, de grande poder analgésico, que estão presentes em estado natural no cérebro) responsável pela redução da dor que sentimos.
  • Esse estado leva à quietude mental, aliviando o stress, as preocupações, a insónia, a inquietação e a agitação mental. Faz tomar contacto com as emoções mais profundas retomando o sentido do verdadeiro Eu e dos valores mais importantes para a autorrealização.

Sendo a música um fenómeno existente na totalidade dos grupos humanos, os cientistas acreditam existir uma base biológica para a sua criação e apreciação.

Para além de terem descoberto que não somos os únicos seres abençoados com esse dom.

A Biomusicologia tem revelado que somos todos seres musicais!

 

Danuia Pereira Leite

 

Bibliografia:

WALLIN, Nils L, BROWN, L. Steven, MERKER, Björn, (Eds., 1999): The Origins of Music, Cambridge, Mass. MIT Press;

PERETZ, Isabelle, The nature of music from a biological perspective, 2006100, pp. 1–32;

WISNIK, José Miguel, O som e o Sentido, s.d.

PERT, Candace, “Molecules of Emotions”, Pocket Books, 1997;

CAESER, Wesley, MusicAll – Contraponto, 1990;

____________

[1] Wallin, Nils L./Björn Merker/Steven Brown (Eds., 1999): “The Origins of Music”, Cambridge, Mass.: MIT Press. ISBN 0-262-23206-5.

[2] Wallin, Nils L./Björn Merker/Steven Brown Op. Cit

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Quarta-feira, 24 de Dezembro de 2014

Natal, naTAO

Feliz Natal

Feliz naTAO

feliz é aquele(a)

que vive no Tao

 

Natal é Cristo

naTao é Buda

Natal é nascer

naTao é re-nascer.

 

Nas-cer

Renas-ser

 

Ser um

Em Cristo, em Buda

 

menino Jesus, menino Sidarta

menino você, menina você

 

todos somos crianças.

 

Quando é que vamos aprender?

 

Aprender a ser

Apreender

Empreender

Entender

 

Que Tao, em chinês

Virou Théos, em grego

Deus, em português.

 

Daí a reverência:

namas, em sânscrito

 

Deus em mim

Saúda Deus em Ti.

 

Namas, vem de namo, em páli.

Eu me refugio

na partícula

Buda

na partícula

Deus

que existe em mim

que existe em você,

no outro, no próximo.

 

E se Ele, está, é

tão perto, tão próximo

por que o tornamos tão longe?

 

A solução?

 

Todos os dias no Tao

todo dia é Natal

dia de florescer

a parte boa que existe em mim

a parte boa que existe em você.

 

Feliz Ano Novo também !

Se nascemos a todo instante

A cada momento surge um novo ano

uma nova oportunidade

de ser feliz.

 

Feliz Natal

Feliz tudo de bom

Feliz tudo de Buda

Feliz tudo de Cristo

 

Feliz Natal

feliz é você

que vive no Tao.

 

 

ANTONIO CARLOS ROCHA

 

antoniocpbr@ig.com.br

 

Publicado por Re-ligare às 12:38
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Sexta-feira, 19 de Dezembro de 2014

Encontro com Manuel Frias Martins

Foi num muito saboroso encontro – mais um – com o Professor Manuel Frias Martins, intelectual que me cativou pela leitura muito antes de conhecê-lo pessoalmente (eu corria o JL à procura dele, e das crítica literária que produzia, nesse Jornal de Letras onde também eu publiquei prosa, numa época que me parece já uma ficção esfumada); foi nesse encontro e pela gentileza de me oferecer dois livros seus, que revi uma frase inexplicavelmente perdida na minha memória. Manuel Frias Martins citou-a, em livro, e transcrevo-a agora: “o Reino de Deus é alcançado pela violência”.          

A frase inquieta alguns – não me incluo, pois sou de uma formação onde os reinos pouco cabem e as inquietações vêm sempre dos meus pares e nunca daqueles que nos transcendem– e é de um filósofo político, Thomas Hobbes (1588-1679). Não há coincidências – mas no mesmo dia da oferta do livro e do reler da frase, num alfarrabista de Santa Catarina, vi na montra o Leviatã (de 1651, do mesmo Hobbes).

Quem lia as tirinhas de banda desenhada de um dos nossos jornais diários – onde, pensando bem, noutra época eu também publiquei prosa -,da autoria do norte-americano Bill Watterson, conhece as histórias do irrequieto Calvin (Calvino) e do tigre Hobbes, tigre de pelúcia que, produto do imaginário, materializa-se de acordo com os requisitos da ação que emerge do fantasioso Calvin, menino com ansiedades de adulto, sendo inseparáveis companheiros de inquietação e desventuras.

Calvin – homenagem a Calvino, cristão suíço-francês, da Picardia, que teve papel fundamental na Reforma Protestante – e Hobbes, que observava a natureza humana e a necessidade de governos e sociedades. No estado natural, enquanto que alguns homens possam ser mais fortes ou mais inteligentes do que outros, nenhum se ergue tão acima dos demais por forma a estar além do medo de que outro homem lhe possa fazer mal. Por isso, cada um de nós tem direito a tudo, e uma vez que todas as coisas são escassas, existe uma guerra constante de todos contra todos (Bellum omnia omnes). No entanto, os homens têm um desejo, que é também em interesse próprio, de acabar com a guerra, e por isso formam sociedades entrando num contrato social.

João Calvino, que viveu entre 1509 e 1564 e discorria acerca da depravação total do homem e acerca da predestinação e Thomas Hobbes, autor da célebre frase “O homem é lobo do homem”- ou seja, cada homem é predador de seu próximo. Thomas possuía uma visão obscura e pessimista da humanidade (visão que o tigre da banda desenhada compartilha). Mas Calvino via o homem obscuro a cada passo.

Manuel Frias Martins num dos livros que me ofereceu – As Trevas Inocentes - explica tudo isto bem melhor do que eu, que apenas recolho sentimentalmente algumas frases que ele me inspirou. E não havendo coincidências, pensar que tudo isto se passou quando os talibãs afegãos condenavam publicamente o atentado perpetrado, pelos talibãs paquistaneses, contra uma escola do vizinho Paquistão, afirmando que matar crianças inocentes vai contra os princípios do Islão. Não havendo coincidências, fico aqui ao canto a pensar no que ressalta da violência. Do que ela ensina. Do que contem e do dela pode extrair-se. A Paz não seria entendida sem o conflito que a motiva e gera. A violência e o sagrado (Frias Martins cita o título de René Girar que usa a mesma expressão) estiveram sempre na mesma antecâmara, na mesma sala ritual, à mesma distância – por ventura uma legitima o outro e vice versa. A história mostra o que Hobbes escreveu: “o Reino de Deus é alcançado pela violência”. Mesmo sabendo que esse patamar é propriedade da utopia. Como o da paz – que é um estádio em que os homens convivem provisoriamente apaziguados com os seus conflitos.

                  

 Alexandre Honrado

Publicado por Re-ligare às 14:26
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