Segunda-feira, 1 de Outubro de 2007

Dialogue of Life

Cada vez mais o chamado Ecumenismo, ou mais propriamento o Diálogo Inter-Religioso, se tem mostrado incapaz de dar respostas úteis aos problemas da contemporaneidade. talvez também se tenha criado um espectro de espectativas muito além das suas capacidades ou, até, das suas efectivas funções - reduzido a certos grupos muito específicos dentro dos credos, pouco são os frutos fora dessa elite que se repete evento após evento em tudo o que é de "ecuménico".

O exemplo do Oriente com o seu "Dialogue of Life" pode ser-nos importante. Talvez este conceito e esta prática não andem muito longe da aplicação da ideia de "Single One" de Martin Buber, esta mais próxima de nós a nível cultural (Between Man and Man, The Question to the Single One). 

Apenas com a consciencia de que não estamos sós, de que temos um outro que nos afirma a nós próprios e que, essencialmente, é por esse confronto, contacto ou tomada de consciencia que conseguimos ser nós mesmos, nos leva a algum caminho produtivo.

Uma via pragmática é aquilo de que necessitamos em diálogo entre as religiões. Que pode cada um dar para que a Casa Comum possa ser melhor para todos? Este é o centro da questão que, egocentricamente vinda de cada um , talvez possa dar respostas a todos nós.

Não será bem o "um por todos e todos por um", mas sim mais o "um por um e todos por todos" a máxima determinante.

   

Paulo Mendes Pinto

Director da Licenciatura em Ciência das Religiões

 

Publicado por Re-ligare às 00:33
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9 comentários:
De carla esteves a 25 de Outubro de 2007 às 12:37
Reafirmo por adesão à convicção da insuficiência no encontro de respostas úteis aos problemas contemporâneos que o "Ecumenismo" ou "Diálogo Inter-Religioso" tem proporcionado; no entanto suscito dúvidas sobre a génese dessa dificuldade sugir pela repetição ou uso e/ou abuso das idéias, palavras, nomenclaturas e/ou outros que lhe sejam adstritas; pelo contrário emprendo antes pela "máxima" de que "o que abunda não prejudica". No entanto versa a experiência (uma outra que não nos é particularmente atinente!) de que:
"aquele que tiver controlado totalmente os seus "vrittis" chega a um estado de identificação entre o observador, o objecto observado e o acto de abservação, assim como o cristal reflete as cores do objeto refletido" (I-41, Pátañjali), daí que protagonizar um objectivo às religiões pela transformação integral do ser humano só se torna perceptível se essa transformação for cognoscível a partir do ponto nuclear mas interno da circunferência e não externo (que nos acede contudo à sua circunscrição!) ou seja se a interiorização for empreendida de tal ordem que sejam os "vrittis" totalmente controlados, e isso como sabemos dificilmente nos ocorre. Tal a insuficiência/desconhecimento de uma outra experiênciação do processo de aprendizagem/crescimento que protagonizamos no ocidente (e qual excesso de experienciação versado em sentido oposto-oriente- capaz de traduzir ao seu alheamento de cognição!). Ainda porque, sem dúvida levantam-se ainda as "vozes do restelo" encetadas no afirmado "desejo de saber e medo do saber". Não que isso possa implicar que a busca do homem deva ser empreendida em paralelo com o corrigir e encontrar soluções para os dramas sociais emergentes a par do firmar do uso de instrumentos de auto-transformação, porque versa o mesmo texto supra que: "o conhecimento que é alcançado nos níveis superiores de consciência ou percepção particular é excepcional por contrária do conhecimento intelectivo, por não estar sujeita às informações externas (shruti) de inferencia ou dedução (anumana)" (I-49, ibid.). Ora por si só esta constatação é garante da gigantesca dificuldade da absorção integral da compreensão plena do fenómeno "ecumenismo" (atente-se à génese epistemológica da própria palavra que por si só já redime por cercear ao tender a sua analogia ao movimento religioso: o protestante e a tentativa do estabelecimento de uma união desencontrada) por ainda não nos ser possivel alcançar a "lucidez que elimina todo o sofrimento" (I-36, ibid.) pois que por via disso "a sua compreensão ou domínio se estenderia do infinitesimal ao infinito" (I-40, ibid.). Assim, se de facto "não nos lembramos do que é incomódo", restará em demão inicial questionar: porque a memória não surte? por comodismo? não creio, estas páginas selam já um despertar e anseio a novas alvoradas!; por alteração ao efectivamente/acontecer como forma de eliminar qualquer necessidade de respeito ou diálogo ou outro acessório por ser implícito a convir existirem regras e legislação, não firmo tanto mais que é longa a tradição da humanidade enquanto estruturada e hierarquicamente organizada na fornalização dos seus "saberes" como forma de ascece à sua plasmação identificativa ou mesmo no seu advir que é colectivo por estrutural, organizativo e burocrático a bem de ser pela efectiva realização da sua existência; pelo "medo do saber" inclino-me! e rendo-me! porque se de facto fosse (numa ecosofia ou não) encontrado pela humanidade elitizada que fosse o "pleno conhecimento da realidade" (I-48, ibid.) decorreria o "desaparecimento dos obstáculos ou do sofrimento e do karma" (IV-30, ibid.) e qual caverna sem sombras ou de Aladin seria finalmente encontrado "o estado de libertação pelo equilíbrio dos "gunas" por a consciência pura então puder volver ao Uno" (IV-34, ibid.); mas fica a maior das sombras ou a "ensombração": como lograr praticar (nem mesmo já especular vivênciar!) a senda da prática proposta nos 55 sutras do Livro II atrás citado. E pior dos males que nos enferma como "trilhar os poderes" do mesmo número de sutras do livro seguinte, para não falar sequer da incapacidade de experiênciar os tão só "dez mandamentos" ou os demais enfatizados no Corão??? Parece que urge transformar/fazer algo! Mas quando, como e para quê?? Os eternos "vrittis"
De Gabriel a 25 de Outubro de 2007 às 16:50
Cara Carla...

Muito obrigado pela tua exposição e introdução à Filosofia de Pátanjali. Será concerteza um objecto de estudo futuro muito útil e rico, no contexto desta licenciatura.
De carla esteves a 29 de Outubro de 2007 às 15:30
Grato Gabriel,
Antes a ti o meu obrigado, porque só a partir do convite do nosso "Ilustre Maior" e depois das tuas reflexõs me foi dada a possibilidade de registar as minhas quase poucas memórias e encetar a reflexão e o diálogo...
volta sempre...e provoca...ainda mais...
bem hajas
Carla
De Re-ligare a 2 de Novembro de 2007 às 09:25
Para mim, o problema do tal ecumenismo reside exactamente na falta da tal "lucidez que elimina todo o sofrimento" ou, por outras palavras na fuga ao "pleno conhecimento da realidade".
Isto é, em torno da ideia e das práticas de ecumenismo reuniram-se um grupo de pessoas, se bem que muito bem intencionadas, depois nada fazem para além do seu círculo restrito de proximidades. No fundo, o ecumenismo reune uma parcela das elites das confisões, dando-se um espectáculo mediático que em nada está de acordo com a efectiva dimensão interna desses movimentos... por exeplo, o cardeal de Lisboa pede perdão aos judeus ... e de que forma é esse evento imagem do corpo dos seus fieis? O mais natural é nem saberem desse acontecimento, quanto mais do que levou o cardeal a tê-lo!
Retomando, por trás de uma aparente actividade, está, essencialmente, uma tremenda "falta de lucidez" em que as tais bem intencionadas pessoas julgam estar a mudar o mundo, mas mudam apenas aqueles 5 ou 6 que já queriam previamente ser mudados. Isto é, vive-se, no movimento ecuménico, ao lado da realiaded, tomado uma pequen parte pelo todo, mas descurando, assim, toda e qualquer possibiliadde de levar uma mensagem aos crentes, aos tais que nunca saberão que o cardeal pediu perdão de coisa alguma, e muito menos porque o fez.

pmp

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