Segunda-feira, 12 de Novembro de 2007

PADRE FERNÃO DE OLIVEIRA, UM HUMANISTA QUASE DESCONHECIDO

Mais conhecido por Fernão de Oliveira (c1507-c1582) e por ter escrito a primeira Gramática da Linguagem Portuguesa em 1536, com o seu nome em português modernizado, Fernando Oliveira, também escreveu outras obras pioneiras noutras áreas do conhecimento em Portugal: a Arte da Guerra do Mar, o relato da Viagem de Fernão de Magalhães, o Livro da Fábrica das Naus, a Ars Nautica, o Livro da Antiguidade, Nobreza, Liberdade e Imunidade do Reino de Portugal e a primeira História de Portugal.

Fernando Oliveira formou-se na Ordem dos Pregadores e envergou o hábito de São Domingos, no entanto o seu modo de ser irreverente e crítico levou-o a deixar os Dominicanos, exercendo várias profissões desde preceptor de filhos da nobreza a piloto de navegação, viajando pela Europa e pelo Norte de África ao serviço de diferentes frotas navais portuguesas e estrangeiras.

 Apesar de ser hoje reconhecido internacionalmente o pioneirismo científico e técnico das suas obras, especialmente da sua obra náutica, e em Portugal a sua crítica pioneira ao esclavagismo, Fernando Oliveira ficou entre nós quase desconhecido. Em boa parte, esse desconhecimento deveu-se às suas convicções e ao seu espírito crítico pouco conformes com o statu quo e a mentalidade reinante na sua época, colocando-o na margem do poder quando não contra os poderes vigentes. Foi, com efeito, duas vezes preso e condenado pela Inquisição devido ao seu antiescalvagismo e por causa de críticas que teceu abertamente contra determinados costumes da Igreja e da sociedade do tempo que considerava pouco conformes com o Evangelho.

Celebramos, pois, este ano mais um centenário do nascimento de um dos mais originais, mais avançados e mais multifacetados sábios do humanismo português. Luís Albuquerque apelidou este humanista, caracterizando o seu carácter, o seu percurso existencial e a sua obra, como um sábio aventureiro, genial e insubmisso, cuja vida daria um enredo apaixonante para um estimulante filme de acção. É de facto de grande justiça recuperar a memória deste intelectual reconhecido pela ciência europeia e que foi um dos mais avançados e brilhantes dos humanistas do século XVI ingratamente secundarizado entre as grandes figuras da nossa cultura.

 José Eduardo Franco

Publicado por Re-ligare às 08:30
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1 comentário:
De Antonio Angeja a 27 de Junho de 2009 às 16:14
Que país é este que não respeita aqueles que nos fizeram a historia e a cultura.

Fernão de Oliveira diz ser de Aveiro e a sua cidade e a sua região madrastas viram em 2007 passarem os 500 anos do seu nascimento e apesar de avisados não fizeram nada..... parabéns a algumas universidades brasileiras que recordaram a data...
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Que país é este que não respeita aqueles que nos fizeram a historia e a cultura. <BR><BR>Fernão de Oliveira diz ser de Aveiro e a sua cidade e a sua região madrastas viram em 2007 passarem os 500 anos do seu nascimento e apesar de avisados não fizeram nada..... parabéns a algumas universidades brasileiras que recordaram a data... <BR><BR class=incorrect name="incorrect" <a>Antonio</A> Angeja

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