Terça-feira, 13 de Novembro de 2007

16 de Novembro, o Dia Internacional para a Tolerância

Do latim tolerare (sustentar, suportar), «tolerância» é uma palavrita simpática que define, nada mais nada menos, que o grau de aceitação de uma realidade diferente de uma norma comummente aceite. Toleramos o que temos ou aceitamos suportar, não aquilo de que gostamos com naturalidade

           

Seguindo uma frase atribuída a Locke, a tolerância é uma acção que implica uma derrota, pois é «parar de combater o que não se pode mudar». Ora, como muitas vezes digo, «em religião é intolerável tolerar».

          

E é intolerável tolerar porque o desejo de todos deveria ser o do caminho harmonioso das partes, a busca de uma paz duradoura, o exercício de uma liberdade que não fosse ataque nem fosse atacada.

              

Mas o caminho parece ser longo. No melhor dos casos, como o próprio nome do dia o diz, toleramos. Não damos espaço de direito, consentimos.

            

De resto, se a acção de dar um lugar ao outro fosse natural, porque seria necessário ela estar na constituição no espaço dos Direitos e Garantias? Porque seria necessário criar um dia?

                 

Paulo Mendes Pinto

(director da lic. em Ciência das Religiões)

Publicado por Re-ligare às 11:27
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4 comentários:
De dvidal a 17 de Novembro de 2007 às 20:25
Ao ler o artigo "16 de Novembro, o Dia Internacional para a Tolerância " do digníssimo professor Paulo Pinto, achei por bem, dar o meu modesto contributo, se contributo for, já que nestas coisas cada um é livre para avaliar à sua maneira e ficar no que lhe parece. Todavia aqui vai.

Relativamente à opinião do citado Locke , (a tolerância é uma acção que implica uma derrota, pois é «parar de combater o que não se pode mudar»). A propósito temos, na história do cristianismo, um paradigma interessante, "O Édito de Tolerância" em 311 d.C. promulgado por Galério , César romano (293-311), que depois de combater os cristãos por todos os meios, sem sucesso, porque se dizia que: "o sangue dos mártires era semente do cristianismo", promulgou o referido Édito, em que não se asseguram direitos, mas simplesmente se tolera o culto cristão. Sem dúvida, a grande coragem dos mártires, ditou a derrota do Soberano , e constitui-se no triunfo da fé. Ora , entenda-se que em questões de Direitos Fundamentais, como era o caso, a Tolerância é de facto muito pouco, por isso, nesta matéria, o caminho foi deveras difícil, e ainda o é, na actualidade, em muitas, e lamentáveis realidades, tanto políticas como religiosas.

Todavia, a "Tolerância", não tem que ser, necessariamente , apenas um factor de "derrota", antes pelo contrário, segundo o Dicionário Enciclopédico KOOGAN LAROUSSE , 1º vol. pp. 863, pode ler-se "...na vida social a maior virtude é a Tolerância".

Considerei importante que isto se afirme claramente, porque enquanto o estigma do primeiro caso é fortemente inibidor da tolerância, este torna-se promotor , de boas relações.

A compreensão de que, na vida, todos falhamos, quer seja por acção como por omissão, deve levar-nos a sermos mais tolerantes com aqueles que nos rodeiam.

Por outro lado, quanto ao "dia internacional para a tolerância", deseja-se, que não se constitua , hipocritamente, apenas em, um dia no ano, para a tolerância, com a exclusão dos restantes 364/5, mas sim uma oportunidade de reflexão séria, que contribua para, a efectiva mudança de culturas na relação entre as diferenças.
De Re-ligare a 19 de Novembro de 2007 às 10:59
É totalmente pertinente o que diz (excepto o dignissimo professor... não me tarate assim que terei que fazer censura no blog).

Contudo, o quie me interessa levantar é uma questão que para mim, sob um ponto de vista meramente utilitário, é essencial: facilmente caimos na ideia errada de que tudo está bem, quando apenas estamos iiludidos com um suposto ecumenismo e uma suposta tolerância onde nos podemos refugiiar.

A tolerância é importante, é um avanço, mas temos que tentar ir mais longe.

Abraço,
pmp
De SAM a 19 de Novembro de 2007 às 23:10
Concordo plenamente consigo e até acho que deveríamos era celebrar o dia da aceitação ao inves do dia da tolerância.

A tolerância, muitas vezes, acaba por ser o caminho dos mais fracos que, não lhes aprazendo as diferenças cada vez mais presentes na nossa sociedade, complacentemente toleram a existência do outro, no seu canto.

O que deveríamos era almejar a aceitação da diferença, a unidade na diversidade e não a diversidade estagnada, compartimentada, separada, tolerada...
De Manuel Duque a 30 de Novembro de 2007 às 22:56
Comentando sobre tolerãncia.
Para quem nasceu nos anos do antigo regime político e passou parte dos tempos de estudante nessa época, sem dúvida que fazendo uma comparação com os tempos de hoje, verifica que "é bem melhor o hoje que o ontem", pois a liberdade que se tem gozado é muito diferente da opressão do antigamente.
No entanto parece que se começa a entender, que em certos países estejam a aparecer lideres tentando usar de "braço de ferro" para com a queles que não concordam com as suas ideias.
Isso reflete um ofuscar da liberdade de cada pessoa e uma falta de tolerância, que se poderá propagar quer a nível político quer a nível religioso.
Mas não é isso que o povo português espera.
Oxalá que tais tempos nunca mais voltem.
Afinal de contas, quem é que não gosta de ser livre para pensar e para agir?
Manuel Duque

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