Sábado, 15 de Dezembro de 2007

DA NATUREZA DA ÉTICA E DA ECONOMIA - II

Depois do colapso económico do comunismo, o capitalismo experimentou uma espécie de revitalização e a partir desse momento tem estado sujeito a uma análise e crítica constantes. Desde que o bloco económico comunista desapareceu que a discussão sobre as contradições do Estado e do Mercado se diluíram, e o ênfase do discurso passou para uma avaliação sobre o grau de ética com que os vários tipos de capitalismo actuam, dentro das diferentes formas de organização económica.

Embora o capitalismo Anglo-Americano não seja a única forma de empresariado de natureza privada, é sobre ele que têm caído as críticas mais displicentes relativas às forças individualistas, ao lucro exclusivo em detrimento do bem comum, etc. Porém, outros modelos de capitalismo, com maior ou menor proximidade ao primeiro, apresentam iguais disfunções ao nível ético, e por isso evidenciam uma inclinação praxiológica que podemos classificar como uma “economia do lucropor oposição a uma “economia do humano”. Trata-se, portanto, de uma perda da noção do sentido de uma cultura económica em função da dignidade do homem; a “economia do lucro” opõe-se à construção do homem social, na mesma proporção em que se afasta dos valores éticos e morais; a “economia do lucro” tem no seu fim o resultado de uma desagregação do bem comum a favor de apenas um sujeito.

Deste quadro derivou a ideia consensual de que o capitalismo necessita de ser validado por uma ética que lhe seja exterior, por uma moral de carácter universal, pois o que a anima carece do essencial ao bem-estar espiritual e social do homem. Digamos que economia e solidariedade se afastaram até que uma e outra passaram a ser inconciliáveis, e tão estranhamente foi esta incompatibilidade que acabou por influir no perfil político dos Estados, ao assumirem uma economia da qual está ausente o que justamente a deveria animar; a “economia do lucro na moral e na própria ética, uma séria desvantagem à acumulação desmedida, e assim tem construído um caminho em que a ordem comercial depende essencialmente da ganância.

Publicado por Re-ligare às 14:33
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