Segunda-feira, 21 de Abril de 2008

Dia 22 de Abril de 2008, a imagem da vergonha

No próximo dia 22, amanhã, irei assistir à inauguração do monumento, do memorial que recorda o massacre dos judeus em Lisboa, e m 1506. Deveria ir contente a este evento, contente por, finalmente, haver em Lisboa uma evocação digna da memória desses inocentes massacrados devido a uma visão religiosa que tolheu o país durante séculos.

                   

Mas não vou alegre. Vou triste, vou envergonhado. Se algum turista no Rossio me perguntar o que se passa, que se comemora, terei que dizer que comemoramos uma data com dois anos de atraso. Ou pior, comemoramos uma data com muitos anos de atraso.

Sim, há muito que no Largo e S. Domingos devia haver este memorial Há muitos mais deveria haver um grande monumento aos que foram torturados, queimados vivos pela Inquisição. Mas não, apenas agora e faz o primeiro desses monumentos.

                        

É sim, é vergonha o que sinto.

            

             

Paulo Mendes Pinto

Director da Lic. em Ciência das Religiões

                  

                                

                           

                 

Câmara Municipal de Lisboa

Proposta Nº 423/200

Edificação de um memorial à vítimas do massacre judaico de Lisboa de 1506, que, após negociação com as comunidades católica e judaica, integrou os projectos destas duas comunidades, entrados na Câmara no final do ano de 2006, ficando com a seguinte redacção final:

PROPOSTA N.º 423/2007

MEMORIAL ÀS VÍTIMAS DA INTOLERÂNCIA


Considerando que:


1. No ano de 1506, a cidade de Lisboa foi palco do mais dramático e sanguinário episódio anti-judaico de todos os que são conhecidos no nosso território;

2. Durante três dias, 19, 20 e 21 de Abril, estes acontecimentos, que tiveram início junto ao Convento de S. Domingos (actual Largo de S. Domingos), levaram a que cerca de dois mil lisboetas, por mera suspeita de professarem o judaísmo, tivessem sido barbaramente assassinados e queimados em duas enormes fogueiras no Rossio e na Ribeira;


3. Evocar este hediondo crime em que consistiu o massacre de 1506, inscrito numa política de intolerância que, segundo Antero de Quental, contribuiu para a decadência deste povo peninsular, será fazer justiça póstuma a todas as vítimas da intolerância e constituirá uma afirmação inequívoca de Lisboa como cidade cosmopolita, multiétnica e multicultural.


4. A pedagogia de combate ao racismo, à discriminação, à xenofobia e a todas as formas análogas de intolerância, constitui um eixo fundamental da democracia e da coexistência pacífica entre os povos.


Os vereadores do Partido Socialista, da Lista “Cidadãos por Lisboa” e do Bloco de Esquerda, ao abrigo da alínea b) do n.º 7 do art.º 64.º da Lei 169/99 de 18 de Setembro, com a redacção dada pela Lei 5-A/2002 de 11 de Janeiro, têm a honra de propor que a Câmara Municipal de Lisboa, na sua reunião de 30 de Janeiro de 2007, delibere:


1. Instalar na cidade de Lisboa um Memorial às Vítimas da Intolerância, evocativo do massacre judaico de Lisboa de 1506 e de todas as vítimas que sofreram a discriminação e o aviltamento pessoal pelas suas origens, convicções ou ideias;


a) O Memorial localizar-se-á no Largo de S. Domingos e deverá ser composto por um mural evocativo das vítimas da intolerância, cuja concepção, execução e instalação competirá aos serviços municipais;


b) Esta intervenção contemplará, igualmente, o arranjo da área envolvente e incluirá a colocação, no mesmo Largo, de elementos escultóricos contributos das comunidades católica e judaica;


c) A inauguração do Memorial terá lugar no dia 19 de Abril de 2008, em cerimónia promovida pela Câmara Municipal de Lisboa, para a qual serão convidadas todas as comunidades étnicas e religiosas da Cidade.

Os Vereadores

 

 

 

 

Publicado por Re-ligare às 13:43
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