Sábado, 26 de Abril de 2008

REVITALIZAÇÃO

O Diário de Notícias, na sua edição on-line, apresenta hoje um artigo de opinião da autoria de Álvaro Santos Pereira, professor da Universidade de York. Nesse artigo, o autor elenca os três grandes problemas que a Igreja Católica de hoje enfrenta: (1) a concorrência das outras igrejas, (2) uma crise de vocações e (3) o número de almas disponível por força do aumento do secularismo.

 

Quando em Novembro os bispos portugueses fizeram a sua visita quinquenal ao Vaticano, a visita "Ad Limina Apostolorum", levaram «um puxão de orelhas do Papa» quando ouviram Bento XVI fazer também um diagnostico dos grandes problemas da Igreja Católica em Portugal: «é preciso mudar o estilo de organização da comunidade eclesial portuguesa e a mentalidade dos seus membros para se ter uma Igreja ao ritmo do Concílio Vaticano II».

 

Até agora estamos no diagnóstico; o necessário, contudo é uma prescrição terapêutica que salve a Igreja Católica da condição profetizada pelo Prof. Alfredo Teixeira, da U.C.P., quando diz que «a Igreja na Europa tem o chão a fugir-lhe dos pés e não vai poder voltar a ser o que já foi».

 

Para que essa renovação aconteça, basta a Igreja Católica dar ouvidos a uma das suas vozes proféticas mais claras, nítidas e lúcidas; a voz e o pensamento de um homem que, apesar da sua pertinência e relevância, tem sido inquisitorialmente silenciado no nosso tempo: a voz do padre Hans Küng.

 

Quem é Hans Küng? É um padre católico suíço e um dos mais brilhantes teólogos cristãos do nosso tempo; foi perseguido e banido por João Paulo II por apresentar, há 25 anos atrás, o que chamaríamos de «roteiro para revitalização da Igreja Católica». Se Bento XVI e os bispos portugueses ouvirem o padre Hans Küng, vão ouvir dizer que a sobrevivência da Igreja Católica depende de:

 

1. Abandonar o dogma da infalibilidade Papal;

2. Terminar com a imposição do celibato dos padres;

3. Acabar com o que ele chama de «clube do Bolinha». Isto é, não fazer do sacerdócio um clube onde as mulheres não podem entrar;

4. Aceitar o uso de anti-concepcionais;

5. Deixar o culto do marianismo católico (isto é, acabar com o culto a Maria e a todas as «senhoras» que dela advêm);

6. Reconhecer os ministros protestantes e as celebrações eucarísticas protestantes.

O roteiro, apresentado por Hans Küng no seu livro «Por que ainda ser cristão hoje?» (editado pela Verus Editora, do Brasil) está traçado. Seria bom que a Igreja Católica Portuguesa tivesse a coragem de fazer o que parece impossível: fazer-se à estrada e levar o povo português pelo caminho da renovação! Todos ganharíamos!!!

 

Luís Melancia

Docente da Lic. em Ciência das Religiões da Universidade Lusófona

  

Publicado por Re-ligare às 14:30
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