Quarta-feira, 28 de Maio de 2008

Os constrangimentos e os desejos de uma Ciência das Religiões

Estando nós finalmente a entrar no nosso objecto de discussão, proponho que continuemos a reflexão iniciada pelo Porf. Teotónio com base em Gould, agora seguindo a minha experiência no campo da licenciatura e outras actividades relacionadas com a  Ciência das Religiões.

                   

Felizmente, há muito que vai sendo ultrapassada a ideia de que o estudo das religiões servia para definir a nobreza dsa religiões, para as hierarquizar e dotar algumas de um patamar de existencia aceite pela universidade, ao passo que outras ficavam de fora.

                           

Actualmente, a Ciência das Religiões, na Europa em indefinição de lugar no mundo e nas relações com os EUA, numa época de medo e de terrorismo, numa época de erosão das identidades religiosas tradicionais, é o lugar de encontro de várias ambiguidades. Contudo, esssa ambiguidades são a sua riqueza.

                               

1. O mito do conhecimento isento, que vale por si - em Ciência das Religiões é cada vez mais difícil fazer sobreviver este mito; o saber é utilitário e somos constantemente confrontados com a necessidade de fazer acções, tomadas de posição que o anulam;

                       

2. A inevitabilidade mediática - recorrentemente o cientista das religiões é convocado a participar em debates, a dar entrevistas,  dar a cara e a ter visibiliadde em questões que são, cada vez mais, desejadas pelo público, pelos cidadãos;

                        

3. A inevitabilidade política - os órgãos de soberania necessitam, urgentemenmte, de pareceres para a tomada de decisão. O cientista das religiões é chamadoa  essas funções, dirigindo a decisão política;

                       

4. A erosão das identidades - na exacta medida da queda dos valores e modelos tradicionais, à Ciência das Religiões colocam-se questões de assaz acuidade no equilíbrio social. Questões fracturantes da sociedade passam pela análise do fenómeno religioso. Ao cientista das religiões é pedida opinião e posição;

                        

5. Por fim, o desaparecimento do diletantismo - à área de Ciência das Religiões é pedido um saber activo, prático, referente ao presente, e pouco erudito.

                           

Neste quadro, a Ciência das Religiões tem feito algumas rotações de sentido e objecto que interessa sistematizar:

                       

1. Passámos de um saber mais histórico e filológico para um mais sociológico e político;

                 

2. Passámos de uma escassa pressão social e política para uma forte visibilidade;

                        

3. Trabalhávamos em questões pouco influentes no presente e agora é-nos pedido que actuemos nas questões do mundo actual, muitas delas verdadeiramente dramáticas.

                         

Ora, a Ciência das Religiões na Europa percebeu esta sua nova função. Basta seguir os trabalhos da International Association for the History of Religions, ou da European Association for the Study of Religions, para ver que a tomada de consciência foi realizada.

                             

É, sem dúvida, no campo de influencia de um, a Ciência das Religiões que hoje se começa a desenvolver uma opção ao tão apontado falhado ecumenismo. Talvez o movimento ecuménico, como o caracterizou o nosso colega Dimas de Almeida não tivesse, de facto, a vocação que depois se lhe colou.

                     

Neste momento, não tenho dúvidas em afirmar que a bola (já que estamos quase no Europeu de futubol, uso a imagem) está do nosso lado.

                 

Só no campo de uma abordagem científica se consegue o tal alheamento que imperativo para um diálogo que esteja assente no respeito.

                      

Abraço a todos,

Paulo Mendes Pinto

 

 

 

Publicado por Re-ligare às 10:08
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1 comentário:
De Teotonio R. de Souza a 17 de Junho de 2008 às 17:15
Um link que pode intressar os colegas
http://www.ingentaconnect.com/content/brill/jre

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