Terça-feira, 24 de Junho de 2008

Disciplina Única Sobre Religiões em Todos Os Graus de Ensino

 

RETIRADO DO SITE "PARÓQUIAS DE PORTUGAL"

 

2002-02-07

O padre Peter Stilwell, responsável do patriarcado de Lisboa para o diálogo inter-religioso, defende a criação de uma cadeira de ensino das religiões para todo o universo escolar, incluindo o ensino superior.

A ideia foi ontem lançada numa das sessões do último dia da Semana de Estudos Teológicos, iniciativa da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa (FT/UCP), dedicada ao tema "Identidade, violência e justificação religiosa".

Em declarações ao PÚBLICO, o teólogo e professor na UCP diz mesmo que esta disciplina deveria também incluir o estudo das tradições humanistas e ateias, incluindo o estudo de grupos como a Maçonaria. E que poderia, em último caso, substituir a actual cadeira de Educação Moral e Religiosa (EMR), que é actualmente restrita ao catolicismo e a algumas religiões que pediram o seu acesso à aula.

Defendendo a sua ideia, Stilwell justifica: "Em sociedades plurais e multi-religiosas, o factor religioso pode dividir e criar tensões no tecido social. Por isso, é importante o conhecimento mínimo do que cada religião representa para cada crente." Um católico deve perceber, exemplifica, por que é que um muçulmano que está a viver o jejum do Ramadão trabalha com mais esforço ou mais fragilizado.

A sugestão deste padre católico segue de perto o modelo que existe actualmente na Noruega e tem semelhanças com a realidade de outros países do norte da Europa. A sua criação, admite, levantaria alguns problemas: a articulação com o esquema actual das aulas de EMR, a necessidade de cada tradição religiosa se sentir representada, a escolha e nomeação de professores. Também muitos católicos poderão reagir, com o argumento de que uma aula destas produziria o indiferentismo religioso. "O sistema escolar não tem produzido devotos", ironiza Peter Stilwell.

O estado actual da teologia e das ciências religiosas pode proporcionar a aproximação dos dois campos. A teologia percebeu que não pode existir sem contextualização - daí a teologia da libertação, as teologias da negritude ou as feministas, para falar só no campo cristão. E as ciências religiosas, que no início se entendiam como um olhar equidistante sobre o fenómeno, passaram a valorizar também "o elemento subjectivo para o entendimento crítico do fenómeno humano e religioso".

Depois de excluída do ensino universitário - a Faculdade de Teologia da Universidade de Coimbra foi extinta há um século -, a teologia só regressou ao ensino superior na Universidade Católica, enquanto as Ciências Religiosas chegaram há poucos anos à Universidade Lusófona. Mas a universidade deveria ser, por excelência, o centro de onde se definiriam conteúdos, curricula e métodos.

Na Noruega, diz Stilwell, foi o próprio Estado a iniciar o processo. Mas o teólogo desconfia que, em Portugal, haja idêntica vontade. O choque do 11 de Setembro, no entanto, não pode evitar o debate, acrescenta. A percepção do fenómeno religioso alterou-se, o seu estudo tem que se fazer, defende. Fonte Público

Publicado por Re-ligare às 11:24
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