Terça-feira, 8 de Julho de 2008

Delimitar pela religião...

Num comentário ao meu post anterior, o Alexandre Branco levanta uma série de questões da maior importância. Não as esgotando, gostava de lançar algumas ... achas e não respostas.

                

De facto, tem-se verificado uma certa aliança entre diversas religiões e confissões contra o que consideram a-religioso. Esse mal, o ateismo, por exemplo, é a causa das desgraças, para muitos. Neste momento, dificilmente as instituições irão mais longe numa definição de religião que as tradicionais e institucionais aceites pelos diversos órgãos do Estado. Como escrevi num post deste blog há uns meses atrás, as minorias religiosos estão tão contentes de terem sido elevadas à categoria de dialogantes com o Estado como o era a Igreja Católica, que são elas mesmas a aniquilar qualquer possibilidade de agora destruir essa nobilitação, mantendo-se a definição que lhes agrada e é centrada na Igreja Católica.

                     

Mas tudo vai mais longe, é claro. Por trás de tudo está um discurso muito em voga, centrado em formas de olhar para a religiosidade talvez inspiradas nos movimentos pacifistas do século XX, em que a religião surge como o remédio para a guerra, a pobreza, o ódio... como se não tivessem as estruturas religiosas concorrido como mais nenhumas para isso mesmo ao longo dos séculos.

            

Não é de estranhar, neste quadro, que uma das entidades a ter declarado a necessiadde dessa disciplina de História Comparada seja exactamente aquela que mais tem sido atacada numa visão redutora da religião: a maçonaria. António Reis, Grão Mestre do GOL-MP, foi dos primeiros a afirmar a necessidade desses estudos.

                  

Porque, de facto, tudo vai muito além que a simples noção de religião. E se o não for, então estamos a perder um momento e uma possibilidade muito importantes. Não pode ser apenas uma História das Religiões. Todo o mundo menos definido a nível tradicional das espiritualidades deve ter lugar num olhar actual sobre as religiões. Os problemas de uma Ética Globa, lançados por Hans Kung de forma mais visível na Assembleia das Religiões de 1992 devem ser centrais.

                      

Na prática, e lançamdo o desafio a um patamar mais complexo (e complicado...), uma cadeira sobre o fenómeno religioso no Ensino Secundário não deve ser apenas uma apresentação histórica das grandes religiões. Se o for, já será bom, mas podemos ir mais longe.

                  

É para esse "mais longe" que necessitamos de.... sugestões.... imaginação.... e, naturalmente, serenidade.

                

Paulo Mendes PInto

 

Publicado por Re-ligare às 16:08
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1 comentário:
De Alexandre B. Weffort a 9 de Julho de 2008 às 13:55
Todos diferentes; todos iguais ...

A proposta vai em termos de dissensão que, à partida, quando imaginativa e serena (seguindo a proposta do Paulo Mendes Pinto), creio poder ser mais produtiva que uma busca inicial de consenso.

Nas discussão suscitada neste “blog” pela proposta de inclusão, no currículo da escolaridade geral, de uma disciplina que desenvolva questões acerca do fenómeno religioso percorremos uma série de questões nucleares.

Sumariando algumas daquelas questões, a par da necessidade de maior esclarecimento público acerca das diversas religiões, sua história, seus símbolos, valores e comportamentos característicos, vemos a necessidade de manter a prática confessional de uma religião como acontecimento da esfera privada; outra questão se prende com a delimitação do universo de assuntos a que se atribui natureza religiosa e daqueles que são normalmente tratados na esfera das religiões, bem como do papel social desempenhado pela religião; há ainda a delimitação de conteúdo do próprio conceito de religião, dentro de um conceito mais abrangente: a espiritualidade, aqui entendida como uma característica inerente ao ser humano, característica que nos define globalmente como “Humanidade”.

Revendo algumas ideias trocadas acerca do assunto, observo uma tendência – é um traço habitual no processo de debate – ao recurso às dicotomias. As dicotomias são um instrumento limitado (e, eventualmente, limitador). Muitos dos conceitos apresentados como dicotómicos são apenas extremos identificáveis de um continuum. Outros, na realidade, mascaram divergências ideológicas, vertidas enquanto conteúdos científicos, filosóficos, teológicos, etc.

Vejamos algumas daquelas dicotomias, que surgiram no debate acerca dos conteúdos e valores normalmente associados à esfera da religião: religioso/a-religioso; crença/não-crença; humanismo/(??!).

Abraço,
Alexandre B. Weffort

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