Terça-feira, 12 de Agosto de 2008

Entre função e papel social... o lugar que nos deixam ter "as flores"

                   

Continuando uma refexão começada há umas semanas atrás, retomada agora devido aos comentários ao meu último post, tenho que me centrar num binómio muito complicado de gerir, porém, muito rico em possibilidades de trabalho:

                              

1. Há uma crescente visibilidade da área de Ciência das Religiões que se desenvolve por várias linhas:

                   

1.1. Interesse crescente dos actores políticos, sociais e culturais, que perceberam (nomeadamente após os atentados de 11 de Setembro) o interesse e a necessidade de estudar o fenómeno religioso;

              

1.2. Há um cada vez maior interesse por parte dos próprios religiosos em ter conhecimentos mais sólidos sobre Religião. E isto é válido, quer para cristãos, quer para todos os que giram em torno de religiões e culturas orientais;

                

1.3. Especialmente pela proximidade à História (via uma História das Religiões), são cada vez mais os interessados em ter conhecimentos sobre religiões antigas.

                      

2. Tudo o que disse antes não se repercute directa e proporcionalmente em inscrições nas nossas actividades lectivas.

              

Apesar de neste momento se estar numa situação nunca antes vivida, os alunos da nossa licenciatura e do nosso mestrado ainda são em número que se deve considerar reduzido.

Em termos de investigação somos fortes, em termos de docencia, somos... menos fortes.

               

Partindo deste quadro, e sendo que devemos ter sempre em mente a vida da própria área, sem descurar a vida dos que a enfomam, somos levados a pensa nas tais flores que usamos para povoar o nosso jardim.

                

As flores são belas e ninguém questiona a uma flor, na sua beleza de linhas, a função social que ela desempenha. Mas, mais uma vez, podemos estar a ver apenas uma parte do fenómeno, esquecendo o resto: nenhuma flor existe fora do seu ecossistema.

          

Todas as flores precisam de abelhas ou de minusculos passarinhos para as polinizarem e se reproduzirem... para cumprir a sua função "natural". Sim, é belo ver uma flor, mas ela nunca foi "imaginada" pela natureza para contentar os nossos olhos mas sim para cativar um insecto que a vá saquear do seu pólem e fertlize as sus células reprodutoras.

             

Sei que ao colocar as coisas desta forma perdemos toda a poética. Mas por detrás da poética há seres... funções e mesmo papeis sociais.

               

As flores não são apenas comidas na cozinha mais requintada. Não, são "comidas" a todo o instante pelos insectos que as polinizam... nós temos que perceber que os alunos são os nossos insectos.

               

Paulo Mendes Pinto

(dir. da lic. em Ciência das Religiões)

Publicado por Re-ligare às 10:50
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