Segunda-feira, 18 de Agosto de 2008

Para que (nos) servem os líderes religiosos?

            

Depois de Lugo, antigo Bispo católico, assumir a Presidência da República do Paraguai, devemos olhar para o que irá acontecer, o que irá fazer Harold Caballeros, assumido candidato à Presidência da República da Guatemala. Em comum, para além de serem sul-americanos, ambos são antigos líderes religiosos (Caballeros era Pastor evangélico).
Ora, perante este exemplo, uma questão se coloca com uma acuidade cada vez mais premente: para que servem as elites e os líderes religiosos? Na actualidade, que campos podemos vislumbrar de imediato sentido dos líderes religiosos para as populações?
Temos o horizonte primário: Desde a Antiguidade que os sacerdotes – com raiz no latim sacer, sagrado – são objecto e desejo, de proximidade, de toque. Num sentido quase mágico, que está mais próximo do sagrado é tido como quase pertencente a ele… sejam sacerdotes ou simplesmente líderes.
Num horizonte funcional, os líderes religiosos são quem garante, eventualmente media, os ritos e as práticas, as definições da crença e as ortodoxias. No limite da visão colectiva da comunidade de crentes, são quem se responsabiliza pela orientação do rebanho.
Mas devemos buscar um outro horizonte, não uma via do meio, em sentido budista, mas uma nova via. Ninguém, como um líder religioso, tem capacidade para falar e ser ouvido. Ora, os líderes religiosos deste novo século XXI devem ter a plena noção do poder que lhes foi conferido pelo simples facto de serem vistos como… líderes.
Infelizmente, pouco vemos os líderes religiosos fazer. A vida interna das comunidades religiosas ainda é o seu destino de acção. Criar um mundo melhor não parece merecer, pela parte maioritária dos líderes, algum interesse. Sendo o céu o seu limite, a terra é despovoada de funções.
Mas, duas ordens de questões deveríamos ver discutidas, dirigidas, proclamadas pelos líderes e pelas elites religiosas: a defesa da dignidade da pessoa humana, a mais cantada criação do Criador; e a defesa da própria Criação, do mundo, do espaço comum que todos habitamos.
Estes são, a relativo curto espaço de tempo, os tópicos da agenda de um líder religioso que olhe para o mundo e não o rejeite (esses, os que rejeitam o mundo, são um outro problema muito mais grave).
Os desafios da actualidade, estou certo, devem conseguir espaço na mente e nas palavras dos líderes por esse mundo fora. Estou a referir-me ao que mais directamente coloca em causa a própria causa primeira: a Criação e o seu legado. Por outras palavras, a ecologia. Ou, ainda, a defesa da Casa Comum, do planeta.
 

É o momento de conquistar para o lado da defesa do planeta os líderes de todas as confissões. Se há elemento que une as religiões é a visão da potência criadora e do respeito que a humanidade lhe deve.

             

 

Paulo Mendes Pinto

(director do Mestrado e da Licenciatura em Ciência das Religões) 

 

Publicado por Re-ligare às 14:57
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