Terça-feira, 2 de Setembro de 2008

o uso da normalidade

É muito complexo o problema em causa. E é complexo porque é... simples, mas vem já de um tempo longo.

                
No fundo, podemos vislumbrar muito rapidamente duas questões para as quais eu pedia a opinião dos nossos queridos visitantes:

                 

1. Tornou-se fácil, moda, chique, atacar os símbolos e as instituições do Cristianismo. Se um artista faz uma obra que é uma provocação à religião dominante, isso é arte e é legítimo fazê-lo. Se o mesmo artista faz uma obra de arte que caricaturiza um símbolo de outr religião... isso é ofensa.

                            

2. Há uma já longa tradição na culturas populares ocidentais de usar, num sentido laicizado, e com uma certa carga erótica, os símbolos cristãos. Lembremos que, já na década de oitenta do século XX, todas as estrelas POP usavam crucifixos a fazer de brinco, começando pela Madonna por exemplo.
Portanto, tornou-se normal.

                   

O problema reside em como gerir o caos que actualmente existe no uso de símbolos religiosos. Na Europa há governos que quase caem porque se publicam caricaturas sobre Maomé, mas ao mesmo tempo há museus que expôem obras, como a que aqui apresentámos, com um rã crucificada.

Onde ficamos?

                                         

A discussão é claramente necessária.

                                 

                                                                      Falemos,

                                                                      Paulo Mendes Pinto

Publicado por Re-ligare às 21:09
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4 comentários:
De Luís Melancia a 3 de Setembro de 2008 às 01:43
Quero reportar-me ao tema que tem acompanhado esta troca de ideias, a da utilização do crucifixo por parte da modelo, para dizer que:

1. A questão tem de colocar-se, obrigatoriamente, no plano ético: não se mistura pornografia com coisa nenhuma. As revistas pornográficas e os filmes pornográficos constituem um sub-mundo, com regras e mercado próprio. E se não se mistura pornografia com coisa nenhuma, por que razão se misturaria pornografia com símbolos religiosos? Fica por saber se o objectivo é santificar a pornografia ou aporcalhar os símbolos religiosos…

2. Mas por outro lado, também sei que esta mistura entre o nu e os símbolos religiosos é particularmente difícil de aceitar por parte de uma religião que diaboliza o corpo, como faz o cristianismo...

3. O que está em causa é o mercado… até hoje eu não sabia quem era a Carol Castro e até aposto que, fruto desta campanha de marketing tão bem montada, a Playboy já encaixou mais um milhares e a «artista» já vale mais uns milhões…

4. Para terminar e lançar ainda mais confusão, direi que sempre me perguntei por que razão uma religião que diaboliza o corpo insiste, afinal, em representar a figura de Cristo, crucificado, de forma tão exposta, indigna e desnudada. Afinal de contas, aqueles panos mal amanhados a tapar os órgãos genitais é de uma agressividade imensa...Não sei se é o meu lado iconoclasta a falar, mas que não bate certo, lá isso não bate…
De Re-ligare a 3 de Setembro de 2008 às 22:29
Sim, Luís, há sempre uma vertente que me deixa perfeitamente atónito nestas situações: o uso dos símbolos religosos já é, de careteza, planeado para criar a notícia e dar mais lucro.

Mas, de forma escusa, também tenho de concordar contigo num sentido: o uso constante das imagens de santos e do próprio Jesus possibilitou a criação de uma cultura onde os símbolos entraram num jogo do qual é dificil retirá-los.

No fundo, a banalização do símbolo e da imagem "sagrada", libertou-o do seu peso estritamente religioso, dessacralizando-o perante a sociedade e, em especial criou o hábito do seu multi-uso.

No fundo, e retomando o teu posto no Teo-Logizar, o rapazito que anda com uma t-shirt a dizer que se mandem os cristãos aos leões, sabe o que está a dizer. Pode não saber bem como foia pereguição, mas sabe que a mensagem significa um grande vão-se matar. Neste caso, a maioria dos homens que iriam ver as fotografias nem dariam pelo afcto de se estar a ofender alguém...

E aí é que está o busilis... uma coisa é a ofensa, outra é nem saber que se ofende.

Assim, regresso a uma minah querida questão: a cultura sobre o reigioso. Estou profundamente covicto que, se tivessemos uma sociedade religiosamente letrada (e falo, em especial, dos não crentes) nada disto acontecia...

abraço,
paulo


De Luís Melancia a 4 de Setembro de 2008 às 18:30
Viva, Paulo.
Dizes «No fundo, a banalização do símbolo e da imagem "sagrada", libertou-o do seu peso estritamente religioso, dessacralizando-o perante a sociedade e, em especial criou o hábito do seu multi-uso.».

Acho que estás certo!!! E não deixa de ser curioso que os judeus nem o nome de YHWH pronunciam, quanto mais a sua representação plástica... Na economia do sagrado, entre os judeus, a imagem é secundarizada em relação à voz!

E outra consequência desagradável (para os crentes e religiosos em geral) é que ao banalizar o símbolo banalizou-se também o «objecto»...

Pergunto-me se a proliferação de imagens do sagrado (da qual a Igreja é a primeira responsável) não será uma forma de invocar (através da imagem) o Nome de Deus em vão...
De Gnóstico a 5 de Setembro de 2008 às 22:25
Não será este post um pouco exagerado? Afinal de contas ninguém tem direitos de autor sobre qualquer simbolo religioso. E fraca é a religião que leva tão a sério estas mini-provocações artisticas - que sem o furor que as próprias organizações religiosas criam com a sua condenação seriam apenas, na maior parte dos casos, banalidades de gosto duvidoso.

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