Terça-feira, 30 de Setembro de 2008

Hawking diz que explicações da Ciência não deixam espaço para Deus

O famoso cosmólogo acha que a Ciência está a dar cada vez mais respostas a perguntas que pertenciam ao domínio da religião.
Hawking fez um prognóstico muito pessimista: "Será muito difícil evitar um desastre no planeta Terra nos próximos cem anos"
Falando hoje aos jornalistas na Universidade de Santiago de Compostela, na Galiza, Stephen Hawking salientou que as leis em que se baseia a Ciência para explicar a origem do Universo "não deixam muito espaço nem para os milagres nem para Deus".
Citado pela edição online do diário espanhol "El País", o professor de Física Teórica da Universidade de Cambridge disse que acreditava que o desenvolvimento da Ciência permitirá um dia "dar uma resposta definitiva sobre a origem do Universo".
Referindo-se às experiências que vão ser levadas a cabo no LHC - o gigantesco acelerador de partículas do CERN, em Genebra, que agora está parado devido a uma avaria - Stephen Hawking acha que "seria muito mais interessante" para a Ciência se o LHC não encontrasse o bosão de Higgs, a partícula elementar que falta descobrir para completar o actual modelo de explicação da matéria, da sua composição e origem.
Com efeito, se o Higgs não fosse encontrado, os cientistas chegariam à conclusão "que algo está mal e que precisam de voltar a pensar sobre o assunto", isto é, a ciência teria de encontrar um novo modelo-padrão para explicar a matéria.
Sobre o a evolução da espécie humana, Hawking defendeu que "o futuro a longo prazo da raça humana está no espaço" e fez um prognóstico muito pessimista: "Será muito difícil evitar um desastre no planeta Terra nos próximos cem anos".

 
Fonte: RFM Online

 

Sofia S.

(aluna do 2º ano de Ciência das Religiões)

Publicado por Re-ligare às 16:46
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2 comentários:
De Marco Oliveira a 30 de Setembro de 2008 às 23:39
E qual será o conceito de Deus que Hawking tinha em mente ao fazer esta afirmação?
De Alexandre B. Weffort a 5 de Outubro de 2008 às 13:07
A pergunta acerca de "qual será o conceito de Deus que Hawking tinha em mente" é por demais pertinente. Sem elucidar essa questão não é possível apreciar o sentido da afirmação que a notícia reproduz. É uma das consequências da superficialidade do discurso jornalístico. E o leitor pode, por isso, ser induzido em erro, tomando a afirmação de Hawking como certa (afinal, trata-se de um cientista de renome mundial) ou como errada, pelo facto de Hawking ser agnóstico (logo, como pode elucidar sobre algo em que não acredita?).
Aqui surge o paradoxo: a questão é pertinente mas não conduz ao esclarecimento. O crédito que merece Hawking ao crente (que não será certamente pela sua posição agnóstica) derivará não da superficialidade das opiniões mas do pensamento consistente e consequente do cientista que, por isso mesmo, integra desde 1986 a Pontifícia Academia das Ciências, por nomeação de João Paulo II.
Vale a pena rever o que disse João Paulo II acerca da relação entre Ciência e Religião na comemoração do primeiro centenário do nascimento de Albert Einstein:
"Galileu formulou normas importantes de carácter epistemológico, que se mostram indispensáveis para pôr de acordo a Escritura sagrada e a ciência. Na sua carta à Grã-duquesa mãe, da Toscana, Cristina de Lorena, reafirma a verdade da Escritura: «A Sagrada Escritura não pode nunca mentir, sob condição todavia de que seja penetrado o seu verdadeiro sentido, que — não julgo poder negar-se — está muitas vezes oculto e é diferentíssimo daquele que parece indicar o simples significado das palavras» (Edição nacional das obras de Galileu, vol. V, p. 315). Galileu introduz o princípio duma interpretação dos livros sagrados, que vai além do sentido literal mas é conforme ao intento e ao tipo de exposição que são próprios de cada um deles. É necessário, como afirma, que «os sábios que a expõem mostrem os sentidos verdadeiros dela»".
Ora, o mesmo princípio de interpretação se deverá aplicar ao apreciar o sentido das palavras de um cientista como Hawking acerca de Deus.

Alexandre B. Weffort

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