Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2009

Religião e equidade

Obrigando-nos a equacionar perante o espanto...

            

"O sociólogo norte-americano Phil Zuckerman phil-2007(foto) diz ser  balela o conceito segundo o qual a  sociedade que não cultua Deus está condenada a atrocidades de toda ordem.

Ele afirma ter constatado que os países menos religiosos são os que tendem a ser mais saudáveis, morais, igualitários, livres. Já  onde há forte presença de Deus, das religiões, há mais corrupção, pobreza e crimes.

Zuckerman chegou a essa conclusão após ter comparado a Dinamarca e a Suécia, os dois países mais irreligiosos do mundo, com nações cuja população tem forte fé em Deus.

Em recente entrevista ao site do Instituto Humanitas Unisinos, mantido por uma universidade jesuíta brasileira, Zuckerman disse que esses dois países, onde morou por mais de um ano para estudá-los, apresentam o menor índice de crença na vida após a morte, na ressurreição de Jesus, no céu e no inferno etc. E não entanto são as sociedades mais prósperas e igualitárias.

Dinamarca e Suécia estão no topo da civilização, diz. É onde mais se respeita as crianças, os velhos, a natureza, é onde mais se cuida da saúde, da democracia e do combate à criminalidade.

O sociólogo disse que nos países onde é forte a influência das religiões existe o conformismo de que tudo afinal “está nas mãos de Deus”.

Em países seculares, a população sabe que tudo depende dela e apenas dela. “Os dinamarqueses e os suecos contam apenas com seu próprio esforço – não com orações a Deus. E eles têm um respeito muito forte pela dignidade humana e, para isso, não precisam de Deus.”

Ele citou o Brasil como exemplo de país injusto socialmente, embora seja forte em religiosidade.

“Vocês [brasileiros] têm taxas de pobreza e de criminalidade elevadas, níveis muito altos de desigualdade, de corrupção política, um sistema de saúde pobre, centenas de milhares de pessoas vivendo nas ruas, milhares de crianças pedindo comida.”

Zuckerman deixa claro que Dinamarca e Suécia, onde poucos levam Deus a sério, são mais humanos que o Brasil.

Afirma não ser contra as religiões e que, como estudioso, apenas faz constatações."

             

Que respostas podemos dar?

                  

Retirado de:

http://e-paulopes.blogspot.com/2009/01/pases-menos-religiosos-so-mais-justos.html

 

Publicado por Re-ligare às 00:30
Link do post | Comentar | Favorito
3 comentários:
De Luís Seabra Melancia a 15 de Janeiro de 2009 às 20:21
Também eu acho «balela» a conclusão de Zuckerman: então o sábio investigador não sabe que a laica Dinamarca é um país constitucionalmente... protestante? E que a Suécia tinha, no século XVIII, 80% de taxa de alfabetização por conta da leitura da Bíblia??? E não sabe o investigador que a idiossincrasia de um povo não se constrói numa geração??? Será que esses valores, que tanto admira na Dinamarca e na Suécia, são fruto de uma geração??? Será que é o preconceito religioso que não deixa o investigador admitir que esses valores partilhados pelos dinamarqueses e pelos suecos – liberdade, igualdade de oportunidades, justiça, solidariedade – são, afinal, o resultado de séculos de sedimentação de uma mundivisão centrada na Bíblia???

E o que é isso de «uma cultura que não cultua Deus»? Não deve estar a referir-se à cultura europeia (suecos e dinamarqueses incluidos...), onde 80% dos seus cidadãos diz acreditar em Deus!!! O investigador baralha os conceitos: será que uma fraca frequência à Igreja representa, necessariamente, uma fraca convicção religiosa?

Por acaso, o sr. Zuckerman tem uma concidadã que chegou a uma conclusão mais interessante que a dele: no que ao fenómeno religioso diz respeito, assistimos hoje a uma nova forma de viver o religioso: «believing but not belonging».

Agora, o que o senhor Zuckerman está a querer dizer é que se não há «belonging» (pertença a uma estrutura eclesiástica), então também não há «believing» (quer dizer, não há crença). E, essa conclusão, ele não a pode tirar.

E já agora, o sr. Zuckerman é ateu? É que isso pode ajudar a explicar a parcialidade da sua análise!
De Eduardo Vasconcellos a 16 de Janeiro de 2009 às 03:05
Como todo cientista social, Zuckerman avalia que o humanismo trouxe muitos benefícios a humanidade e que o homem, como responsável pelo seu próprio destino, é capaz de resolver todos seus problemas e dificuldades. Ignora que esse discurso que deifica o homem é que vem causando grande vazio existencial no próprio ser.
Uma análise teológica de suas afirmações o assemelham aos fariseus que acusavm a Jesus de sentar-se à mesa com publicanos e pecadores [“Vocês [brasileiros] têm taxas de pobreza e de criminalidade elevadas, níveis muito altos de desigualdade, de corrupção política, um sistema de saúde pobre, centenas de milhares de pessoas vivendo nas ruas, milhares de crianças pedindo comida.”].
Certamente, como ateu, ignora as palavras de Jesus como resposta a seus acusadores: "Os são não necessitam de médico, mas sim os que estão doente; eu não vim chamar os justos, mas sim os pecadores" (Mc 2.17).
A parábola do homem rico e do mendigo Lázaro também nos tras uma ilustração bastante pertinente sobre a sorte de cada um. A conclusão é que Deus não vê a realidade segundo a ótica humana e mesquinha, que somente valoriza as posses, senão que encontra nas circunstâncias um propósito maior, o de que todos se acheguem a Ele!
De Samuel R. Rodrigues a 17 de Janeiro de 2009 às 02:25
Que conclusão patética!
Em todo o caso, parece-me arriscado considerar este ponto de vista uma constatação estudiosa, como declara ser. Primeiramente a Dinamarca é um país declaradamente religioso, e não secular como o afirma, em seguida e o mais importante, é ter esquecido que os maiores massacres jamais realizados , foram perpetuados por nações comunistas ateias, onde a religião não somente era (e nalguns países ainda o é) proibida na sua livre expressão. Alexandre Soljenitsine lembra na sua obra “O arquipélago do Gulag ” como era dada pelos guardiões ateus, a cínica permissão aos desgraçados dos, infelizmente famosos, campos de concentração russos, de dirigirem orações a Deus com a única condição que só Ele as pudesse ouvir.
Tal fobia do “religioso”, não evitou nessa grande nação, a desgraça social, económica e moral, nem, os milhões e milhões de mortes e assassínios, nem as atrocidades mais selváticas, nomeadamente contra religiosos que foram crucificados, atirados para dentro de caldeirões de alcatrão a ferver, escalpados , estrangulados com estolas da missa, obrigados a receber uma Comunhão de chumbo derretido, afogados em buracos no gelo. (...) Só em 1918 foram mortos a tiro quase três mil religiosos.

…“Ele afirma ter constatado que os países menos religiosos são os que tendem a ser mais saudáveis, morais, igualitários, livres.” ???????????????????????????????

Finalmente, e ao percorrer a História, parece-me que o Homem não precisa de religião para se odiar e nem sempre a religião foi fonte de destruição. Por isso tenho que qualquer equação que não tome isso em consideração é inadequada.

Comentar post

.Mais sobre Ciência das Religiões

.Pesquisar

.Posts recentes

. Ψυχή, Psychē e Fado

. A PRESENÇA AUSENTE (três)...

. A CULTURA QUE NOS REDEFIN...

. Música e Emoções - Romant...

. Biomusicologia – Definiçã...

. Natal, naTAO

. Encontro com Manuel Frias...

.Arquivos

.tags

. todas as tags

.Links

.Links

blogs SAPO

.subscrever feeds