Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2009

MICROFINANÇA E MICROEMPRÉSTIMO. DO SUCESSO FÁCIL À FALÊNCIA ECONÓMICA

Os inúmeros casos da prática de microfinança na Sérvia e nos Balcãs, em geral, são exemplos típicos da ajuda desenfreada prestada por parte de alguns bancos comerciais (estrangeiros) a partir de 2001, a uma procura igualmente desenfreada por parte de privados, que vêem uma oportunidade de ganharem dinheiro rápido. Tão rápido quanto os bancos que oferecem linhas de microcrédito para acumular lucros fáceis.

Quer a aposta desenfreada do microcrédito como o fluxo de empréstimos e consequente aumento de actividades de comércio de rua, levam a dois problemas fundamentais que estão na origem de desequilíbrio da economia geral na Sérvia.

O primeiro é o desvio de fundos normalmente usados, ou destinados à economia local; fundos que passaram a ser dirigidos para pequenos e médios empreendimentos. O segundo é o crescimento acelerado de microempréstimos, a tal ponto, que em 2004-2008 a Sérvia ficou cheia de comerciantes ambulantes, quiosques, lojas revendedoras e quintas de subsistência.

Estas duas situações levaram à actual situação de destruição da economia de base. A extensiva comercialização de programas de microfinança levou à inflação do sector do micro-comércio e à falência do comércio em geral que garantia efectivamente a circulação de bens e a riqueza das comunidades.

Quando Muhammad Yunus criou o sistema de microcrédito em 1970, não teve como objectivo os pequenos produtores, mas sim as populações pobres realmente necessitadas. E se as poupanças começaram a crescer entre as populações mais pobresjustamente aquelas que acederam ao microcrédito ― o retorno desse crédito foi habilmente reconduzido para um investimento e crescimento produtivo intermédio do comércio geral e não como tem acontecido na Sérvia. Uma economia que for alimentada apenas com o microcrédito, verá o aumento exponencial de quiosques, vendedores ambulantes e rickshaws.

Não basta apenas oferecer a possibilidade de microcrédito aos mais necessitados, como um verdadeiro direito humano à subsistência com dignidade, é necessário educar as populações a gerirem as suas economias e as suas finanças familiares e de grupo. É necessário e urgente ensinar um método eficaz que traga uma riqueza e bem-estar às populações, em harmonia com o meio, reintegrando a vida económica do micromercado num ciclo natural ditado pela vida e não contra ela.

 

José Carlos Calazans (Docente de Ciências da Religião ULHT).

Publicado por Re-ligare às 16:58
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