Segunda-feira, 4 de Dezembro de 2006

O colégio público Hilarion Gimeno em Saragoça

A poucos tem passado ao lado o largo conjunto de reformas estruturais que a nossa vizinha ESpanha tem estado a efectuar. Concorde-se com elas, ou não, a verdade é que as alterações são de monta no campo da relação com o mundo das religiões.

Sem falar em questão profundamente complexas como o aborto ou o casamento entre homossexuais, alguns outros fenómenos nos fazem pensar sobre os processos de adaptação de traços seculares da identidade colectiva, que hoje são vistos como significativamente intolerantes, e anova diversidade religiosa de muitas das cidades.

Em alguns locais, algumas festividades populares onde figuras de Maomé eram queimadas foram recentemente abandonadas. A coincidência da identidade colectiva ainda radicada na ideia de Reconquista Cristã é posta em causa pelos caminhos do presente.

Nos "dias de hoje", alguns jornais deram a notícia de uma escola em Saragoça que não irá festejar o Natal. A justificação é linear: não ofender os alunos, já em grande número, não cristãos.

Curiosos, fomos em busca de um site da dita escola. Ele existe:

http://sauce.pntic.mec.es/~jbellido/index.html.htm

é pequenino, simples, rudimentar, mas tem o essencial: um program pedagógico. Nele podemos ler a justificação da opção mediante a estrutura das linhas de orientação da instituição:

  1. Lograr una educación integradora, solidaria, tolerante y respetuosa con todo tipo de creencias.
  2. Potenciar las relaciones de amistad, compañerismo, diálogo y participación.

Enfim, é apenas uma nota, um exemplo para pensar.

 

 

Paulo Mendes Pinto

 

Publicado por Re-ligare às 01:20
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2 comentários:
De Marco Oliveira a 4 de Dezembro de 2006 às 15:58
Paulo,
No meu próprio país, eu não abdico dos meus valores culturais. Fazem parte da minha identidade.
E o Natal (mesmo eu sendo Baha'i ) é para mim uma festa de família que eu gosto muito e vou ensinar os meus filhos a gostar.
A minha liberdade acaba onde começa a liberdade dos outros; mas a minha liberdade não pode acabar onde começa a sensibilidade dos outros.
É a minha opinião.
De SAM a 10 de Dezembro de 2006 às 15:53
Na minha perspectiva, o exagero é evidente em qualquer dos dois extremos.

Também como bahá'í jamais me agradou o facto de ser obrigado (a palavra é mesmo essa) a participar em actos religiosos cerimoniais que nada têm a ver com a cultura mas com a tradição que "se faz por fazer".

Comemorar o Natal não é comemorar o 25 de Abril ou o 1º de Dezembro que tem uma relação com a identidade nacional do país no qual nos encontramos.

Por outro lado, o Natal é a comemoração do advento de Jesus, a Personalidade considerada Cristo por tantas dezenas, centenas, milhares de pessoas mundo afora. É um direito dos estudantes cristãos comemorarem o Natal (em casa, na escola, na rua, onde queiram), mas é também direito dos não-cristãos não o comemorarem.

O mesmo acontece com a "bênção de pastas" no final da universidade, e cerimónias onde aparecem figuras eclesiásticas.

Se os estados são deveras laicos, devem tomar uma de duas medidas: ou acabarem com o sectarismo que obriga a participação de quem não deseja participar, ou comemorarem o Festival das Luzes judeu, o Ramadão islâmico e o Naw-Ruz bahá'í.

Volto a dizer, nenhum reducionismo é bom!

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