Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Inquérito aos Valores Pessoais e Sociais

O Público de ontém dava conta da presentação do Inquérito ao Valores Pessoais e Sociais. Iniciativa da Universidad Católica Portuguesa, sob a responsabilidade de Lourenço Xavier de Carvalho, este projecto tem, para além do óbvio interesse da aálise, ainda uma outra dimensão de maior interesse: compara os valores actuais com os de semelhante inquérito em 1999.

                   

O trabalho é excepcional na compreensão em torno do individualismo e da forma de olhar para si mesmo e para os outros. Contudo, os dados sobre religão são da maior importancia.

                

Lançando apenas dados para reflexão:

 

- À questão "o que é mais importante para maioria das pessoas que conhece?", apenas 12% indicou o "ter fé".

Esta resposta é de um interesse imenso. Porque apena 12% dos inquiridos dizem que ter fé  é importante para as pessoas que conhecem?

Estes valores estão abaixo dos de prática religiosa, dos de identificação religiosa...

Teremos muito resligiosos que não demonstram a sua fé, levando os outros a não perceber o peso dela? ou teremos muitos religiosos cépticos face à sua própria religião? Isto é, dissimulaç]ão ou cepticismo religioso?

               

- Uma outra questão muito interessante é a que perguntava algo de quase irreal nos dias de hoje. Mas, mesmo que quase nunca nos passe pela cabeça, é um indicador de muito interesse: "Faz sentido para si morrer..."

Apenas 12,8% dos inquiridos disse fazer sentido morrer pela "sua religião". Em1999 este valor ainda subira aos 18%.

Esta questão encerra em si um dramatismo imenso. Morrer pela religião, hoje, em 2009? Sim, parece haver ainda 12% de nós que encararia essa possibilidade...

Mas, devemos não esquecer a nossa memória. Há não muitas décadas, todos, ou quase todos, estaríamos prontos para morrer pela Cristandade...

                 

- Num campo mais interessante, 93,5% dos inquiridos não teriam prblemas em morar ao lado de uma família de outra religião. Em 1999 o valor era já muito alto, 87%, mas agora consolidou-se.

                        

São projectos como este que nos ajudam a compreender a nossa sociedade.

                   

Parabens à Universidade Católica Portuguesa.

          

Paulo Mendes Pinto

 

 

 

Publicado por Re-ligare às 14:39
Link do post | Comentar | Favorito
4 comentários:
De Luís Melancia a 2 de Julho de 2009 às 04:03
O ponto 2 ainda me preocupa.
Fujo a sete pés de quem dá a vida por uma ideologia ou por uma religião. É que quem relativiza a vida desse maneira, tanto morre como mata por uma causa.

De Yur Arievilo a 4 de Julho de 2009 às 15:51
Matar e morrer são duas realidades BEM DIFERENTES!
Talvez quem mate por uma causa seja capaz de morrer por uma causa.
Mas já não será verdadeiro o contrário, pois muitos dos que morrem por uma causa, jamais seriam capazes de matar por essa mesma causa.
Os martirológios de todas as religiões - assim como epitáfios ideológicos laicos - estão cheios de nomes de seres humanos que deram a vida por uma causa, e quantas vezes a causa era precisamente a luta contra a arbitrariedade da morte provocada.
Os trocadilhos vocabulares por vezes surtem efeito tautológico, o que não é, RARAS VEZES É, o caso.

Um passante
De Luis Melancia a 4 de Julho de 2009 às 20:03
Olá Yur. Obrigado por ter passado; e passe mias vezes! Comentando-o, diria eu que, em minha opinião, a sua premissa é tão vulnerável quanto a anterior! Num e noutro caso - morrer ou matar - há uma questão grave: a relativização do valor da vida! E quem se deixa morrer não estará igualmente a matar? Pelo memos a matar-se a si próprio...
De Luís Melancia a 3 de Julho de 2009 às 00:54
...e quando alguém dá a vida por uma causa, pergunto-me se essa pessoa não morre antes por ÓDIO À CAUSA CONTRÁRIA e não por AMOR À SUA CAUSA!

Eu sei lá...

Comentar post

.Mais sobre Ciência das Religiões

.Pesquisar

.Posts recentes

. Ψυχή, Psychē e Fado

. A PRESENÇA AUSENTE (três)...

. A CULTURA QUE NOS REDEFIN...

. Música e Emoções - Romant...

. Biomusicologia – Definiçã...

. Natal, naTAO

. Encontro com Manuel Frias...

.Arquivos

.tags

. todas as tags

.Links

.Links

blogs SAPO

.subscrever feeds