Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

RELIGIÃO E DESPORTO

A comemoração do Brasil pelo título da Copa das Confederações, na África do Sul, e o comportamento dos jogadores após a vitória sobre os Estados Unidos causaram polémica na Europa. A queixa é de que a selecção brasileira estaria a usar o futebol como palco para a religião. A Fifa confirmou à Agência Estado que mandou um alerta à CBF pedindo moderação na atitude dos jogadores mais religiosos, mas indicou que por enquanto não puniria os atletas, já que a manifestação ocorreu após o apito final.

Ao final do jogo contra os EUA, os jogadores da seleção brasileira fizeram uma roda no centro do campo e oraram. A Associação Dinamarquesa de Futebol é uma das que não estão satisfeitas com a Fifa e quer posição mais firme. Pede punições para evitar que isso volte a ocorrer.

 

Bem, o jogo já tinha terminado; e por isso acho que não há nada a apontar. Mas se o problema é haver manifestações religiosas durante os jogos (que nem foi o caso...) então que se comece mas é a proibir os jogadores de se benzerem antes de entrarem no campo.

 

Luís Seabra Melancia

Docente na Lic. em CR

 

 

Publicado por Re-ligare às 20:04
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12 comentários:
De Ideberto Bonani a 9 de Julho de 2009 às 12:10
A Fifa deveria olhar para esse ato no final da partida com bons olhos e até com um pouco de fé, sim, estar perdendo para o "Tio San" de 2x0 no primeiro tempo e no segundo tempo virar 3x2 é digno de uma pequena reunião de oração. Vai ver se eles não estavam pedindo ao papai do céu para que cada um pudesse ser vendido por 94.000,000,00 de euros.
Compreenda dona Fifa, compreenda!!! São meninos pobres!
Abraço professor Melancia e dá uma olhadinha no comentário que fiz do assunto anterior do Prof: Paulo Mendes intitulado "Tauromaquia da Nação".
Sei que estás engressando no mundo político e os desafios são para ser encarados!
Abração!!!
Desculpa a ousadia. Dá uma olhadinha também no meu blog e faz algum comentário:
http://bonanisimbanananao.blogspot.com/
De Sidson Novais a 9 de Julho de 2009 às 17:13
Realmente estamos a viver numa época em que é ACEITÁVEL que uma pessoa exiba publicamente o seu ateísmo, mas é OFENSIVO que uma pessoa exiba publicamente a sua fé.
De Luis Melancia a 10 de Julho de 2009 às 13:36
Muito interessante a sua observação, Sidson; muito interessante! Muitíssimo pertinente.
Luís Melancia
De Wallace Sousa a 20 de Julho de 2009 às 03:23
Parece que algumas pessoas se sentem acuadas ou ofendidas por uma expressão pública de fé, por quê? Enquanto em alguns círculos a ausência de fé ou ainda, em casos mais extremados, a ridicularização da fé é incentivada, aqueles que se levantam contra isso, são praticamente repreendidos e publicamente ridicularizados.

Em que pese nossa cultura ser altamente permeada pela expressão religiosa, em todas suas nuances, o ateísmo, ou como pretendo denominá-lo: a crença ao avesso, também deve ter seu espaço, mas se esse espaço não admite outras expressões, não se apresenta muito diferente de uma ditadura.

Antigamente, o ateísmo lutava para poder se expressar, alegando falta de espaço no mercado das ideias, todavia, agora, esse mesmo ateísmo procura agir do mesmo modo que outrora condenava.

Deixo as questões:

1- o ateísmo era mesmo tão perseguido quanto alegava ser?

2- o que justifica que se tenham morrido tantas pessoas em nome dessa aversão religiosa? O fato de tantos outros terem morridos em nome da religião? Isso não seria uma repetição do erro, mais condenável por ter conhecimento do passado?

3- se nem mais se aceita uma reunião de gratidão em campo (ou seja lá onde for), ignorando o FATO de estarem reunidas pessoas de DIFERENTES confissões religiosas (do Brasil), o que, por si só, é uma verdadeira lição de tolerância religiosa, quem está sendo intolerante com quem, e por qual motivação?

4- até onde se permitirá que, em nome de uma suposta ofensa, se negue o direito de exprimir nossos pensamentos, visto que a religião nada mais é do que a externação de algo abstrato que ocorre na mente?

5- que futuro deixaremos de herança para nossos descendentes, onde serão, talvez, obrigados a uma ditadura religiosa que lhes imporá a adoração a um improvável deus chamado acaso que lhes nega a mais simples expressão de vontade, que é crer naquilo que quiserem, inclusive descrer?

Wallace Sousa,
Brasil.
De Re-ligare a 11 de Julho de 2009 às 14:33
Mais que interessante, como o Luís Melancia diz, é preocupante. E é preocupanmte porque estamos ainda a viver uma fase em que o desejo é o de que a religião seja reduzida ao mundo do privado. Nada de manifestações públicas...
Em certa medida, este reaciocínio até poderia ter alguma base para argumentação. Mas cai no campoo da questão central: a Liberdade de Expressão.
E esta, a dita LIberdade de Expressão, neste caso, expressão religiosa, apenas deve ser cortada em situações em qwue seja clara a ofensa para um qualquer "outro".
Ora, não me parece que uma simples reunião, de escassos instantes, ofenda o público que foi ver o jogo.
A questão está, então noutras esferas. Por exemplo, que pais europeu tem perseguido manifestações públicas de religião? de que pais é o actual presidente da FIFA?
Acho que, por vezes, as coisas são mais simples do que parecem....

abraço a todos,
Paulo Mendes Pinto

De Fernando Gomes a 14 de Julho de 2009 às 02:55
É muito curiosa esta escrupulosa higienização relativamente ao religioso que está a fazer moda!
- Então e se a política não se metesse no futebol?!
- e a corrupção também não!
- e a Idolatria também não (é a adoração a outro deus!)
- e se acabassem as claques?
- e a vi0olência no futebol?
- e se se higienizassem as mentalidades relativamente à imoralidade dos valores das transferências?!
- e se se verificassem as contas dos clubes!
- como é que num mundo em crise se arranja tanto dinheiro para gastar em "futebóis" e não há para auxiliar países pobres com gente a morrer à fome?
é que depois destes colapsos financeiros já se percebeu que não é bom deixar uma certa rapaziada andar aí à lagardere" cos gajos não são de fiar " e se se deixa é porque não há vontade de os controlar porque provavelmente o que temos é o "rock e a amiga"
Isto para dizer que pode ser duvidosa a origem de tanto dinheiro, não virá de dinheiros sujos?!!!
Para que todos ficassemos descansados era importante saber se tanto dinheiro não vem de certeza das m´´afias da droga, das armas , por exemplo, é que esse mundo parece ter uma fonte inesgotável de dinheiro e que eu saiba isso não existe, então o que é que existe?!!!
E está a Fifa tão preocupada com a oração dos jogadores?!!!
Bom a B´blia também diz que há gajos que coam um mosquito e engolem um elefante!
Só espero que o bicho lhes faça uma azia do caraças!
Fernando Gomes
De Rinaldo Rodrigues deOliveira a 17 de Julho de 2009 às 03:54
A Fifa pode, mas não deve proibir as manisfetações religiosas dos atletas,pois é ferir a liberdade do ser humano.
De Pedro Jorge a 18 de Julho de 2009 às 21:34
Não é a toa que no Brasil o futebol seja o esporte mais praticado dentre tantos outros e que, em especial, os jogadores inventem coreografias que não estão presentes nas regras deste jogo para coroar o momento máximo de suas realizações, “o grito de gol”, ao exemplo do ocorrido na Copa das Confederações, na África do Sul.
Acredito que haja a preocupação coletiva da seleção brasileira em usar o futebol como palco para a religião, tanto quanto a preocupação de se difundir o samba, ritmo usado pela maioria dos jogadores durante as comemorações.
O lamentável é punir a gratidão, o reconhecimento e a liberdade de expressão individual de quem quer que seja, garantias invioláveis presentes em nossa Constituição.
De pedro jorge a 8 de Agosto de 2009 às 17:07
O SBT, uma emissora de TV brasileira, comentou o ocorrido na Copa das Confederações, e parcialmente colocou um jornalista criticando veementemente a prática dos jogadores manifestarem-se cristãmente, em conformidade com a FIFA. Infelizmente o que o SBT não se lembrou de fazer foi colocar alguém para do outro lado da balança emitir parecer se não favorável, devidamente responsável. O que se pode tirar disto tudo é que a emissora endossou o parecer da FIFA e de todos que condenam e veja tudo isso com maus olhos.
Prestem mais atenção redatores...
De Ana Maria Miranda Pinto a 23 de Julho de 2009 às 05:40
Como observado Pelo Prof. Melancia, a manifestação dos jogadores ocorreu quando a partida de futebol já havia terminado, portanto, não há respaldo algum para a polêmica levantada. Está havendo, sem dúvida, uma clara demonstração de intolerância religiosa e, até mesmo, intenção de tolher direitos garantidos pela constituição brasileira, ainda que os nossos jogadores estivessem fora de solo brasileiro. Entendo que a FIFA e a CBF , enquanto instituições ligadas ao futebol , devem preocupar-se com o bom desempenho dos jogadores no exercício de suas funções e não na fé que professam ou deixam de professar. A tentativa de tolher manifestações é uma forma de tolher o direito de ir e vir do cidadão. Daqui a pouco um jogador de futebol não vai poder nem sequer apontar o indicador aos céus e demonstrar sua gratidão a Deus pelo gol feito, como de vez em quando faz um de nossos jogadores.
De Orcival Pereira Xavier a 7 de Agosto de 2009 às 14:12
Acredito que a Fifa não pode ceder às pressões de quem quer que seja, e em especial, contra jogadores expressarem seus sentimentos religiosos, dentro ou fora de campo, durante ou após os jogos; é muito mais ético esse comportamento, do que o de jogadores que ao comemorarem uma vítória ou um gol, provocam a torcida adversária com gestos obscenos, não acham?
Por outro lado, o que deve causar preocupação para a Fifa é a violência que vem ocorrendo nos estádios de futebol, resultando na morte de milhares de pessoas em todo o mundo.

É cada uma!!!!!!!


Orcival Pereira Xavier
De Jogos de Motas a 11 de Maio de 2011 às 17:30
Obrigado, vou por este blog nos meus favoritos, Clara

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