Domingo, 14 de Fevereiro de 2010

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O OLHAR DO OCIDENTE SOBRE O ISLÃ
Acredita-se que a religião Islã tornou-se o centro da opinião pública mundial, em especial, Ocidental, a partir do acontecimento de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos.
Constata-se que a religião Islã não supera a cifra de um milhão de fiéis em todo o Brasil. O episódio após o ocorrido em 1979, o que chamou de revolução islâmica no Irã, desencadeou em uma série de noticiários acerca da religião islâmica, colocando assim, a mesma no centro da opinião pública Ocidental.
Do ponto de vista midiático, a religião Islã torna-se em particular no Brasil, um grupo minoritário individualizado, criando-a visivelmente de maneira bem específica.  Desse modo, a visão ocidental acerca do Islã, acaba assumindo um discurso homogêneo, construindo assim, a base de certo consenso social.
Percebe-se uma forte herança religiosa, diga-se de passagem, judaico-cristã que indubitavelmente influencia sobremaneira a forma de pensar e interpretar a religião islâmica dentro do contexto ocidental.
Infelizmente o Ocidente sempre se coloca ao lado de Israel nos conflitos do Oriente, pois o islamismo passou a ser sinônimo de fundamentalismo, terrorismo e violência latente ou manifesta.
            Compreende-se que a noção ocidentalista está imbuída de hábitos de intolerância religiosa; cultura do multiculturalismo diferencialista; apenas revestida teoricamente, bem como síndrome de subdesenvolvimentismo e inferioridade cultural religiosa.
Assim torna-se complicado o diálogo com o Islã, uma vez que historicamente os antagonismos, cruzadas, crueldades e inúmeros morticínios de ambas as partes, estiveram presentes, tudo isso em nome de Deus, Alá e Yawvé.
            Entende-se que a imagem da religião Islã está estereotipada de fundamentalismo, radicalismo, fanatismo, terrorismo, bem como povo extremamente estranho aos costumes ocidentais. Crer-se que o Ocidente de hoje precisa dialogar consigo mesmo. 
Percebe-se que há uma continua configuração na esfera religiosa ocidental, uma vez que, conforme abordado, a presença das tradições judaico-cristãs caracteriza o mundo religioso ocidental em particular, norte americano. Assim há um olhar extremamente preconceituoso e excludente concernente a espiritualidade oriental, neste caso, Islãmica.
Interessante notar que a religião Islã, de fato, nunca foi uma religião extremamente pacifista, o que não implica dizer que seja agressiva, apenas tem por base a doutrina da guerra santa.
Passa-se a entender que tanto a religião cristã quanto a Islã percorreu caminhos contrários aos seus primórdios.
A idéia de atribuir ao Islã, à imagem de uma religião terrorista e homicida, constitui-se um equívoco, uma tendência inadequada, pois o Islã tem em sua constituição homens e mulheres que nada têm a ver com terrorismo ou algum tipo de violência.
Acredita-se que a guerra entre Ocidente e Oriente está muito bem representada na dicotomia, entre o contraste da barbárie e o da civilização, conforme explora alguns autores.
Acontece que o continente europeu, do ponto de vista religioso, atribui ao Oriente, espiritualidade e mística, isso muito bem representado no Islamismo, contrapondo-se assim ao materialismo europeu e de um povo civilizado.
            Compreende-se que a construção negativa e, por sua vez, pejorativa dessa religião, retrata a insatisfação com o crescimento da cultura religiosa Oriental no mundo Ocidental, bem como o aparato socioeconômico existente em territórios orientais.
            Diante do olhar excludente e de inferiorização do Ocidente à religião Islã, encontra-se também a busca pela hegemonia econômica, bem como a busca desenfreada pela centralização do petróleo.
Vale ressaltar que esta perseguição religiosa ultrapassa a esfera religiosa e limites histórico-temporais. Para isso, constitui-se uma guerra extraterritorial e imprecisa, tarefa bastante difícil e de extrema inspiração religiosa.
            Conclui-se, portanto, afirmando mediante o exposto, que a “agressão” e a “demonização” da religião Islã em particular no continente americano, pressupõe e conduz à necessidade de algum tipo de reação.

 


Adriano Trajano

Aluno da Pós-GRaduação em Ciências da Religião, com acesso ao Mestrado em Ciência das Religiões da ULHT.

Publicado por Re-ligare às 00:16
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