Sexta-feira, 19 de Fevereiro de 2010

Ecologia e Materiais para Mitos Contemporâneos


As certas e definidas matemáticas dizem-nos que o Janeiro passado foi o mais chuvoso dos últimos anos. Mais, por exemplo, dizem-nos, ainda, que em São Paulo, no Brasil, nunca chovera assim desde 1947! Efeitos mais ou menos directos das alterações climáticas, a verdade é que o célebre aquecimento global vai dando os seus resultados da forma mais dramática possível: a procura de novos equilíbrios térmicos implica uma alteração dos ecossistemas e da própria geografia. É inevitável.


Neste momento, temos uma causa próxima conhecida que despoletou osacontecimentos atmosféricos. Estamos habituados a uma visão conservadora da natureza que não concebe as alterações que vivemos. Mas o clima nem semprefoi como o temos à nossa frente. Muitas outras vezes se deram grandes alterções climáticas, com consequencias desastrosas para o Homem epara os outros seres vivos.


Há cerca de 8500 anos, a mais antiga pintura de paisagem da Humanidade, feita nas paredes de uma casa de Chatal Huyuk, na actual Turquia, mostra uma erupção vulcânica. Hoje, o vulcão ainda lá está, aumas centenas de quilómetros da antiga aldeia. A aldeia, essa, navoragem do tempo, desapareceu e foi resgatada do solo há poucas dezenas de anos.

 

Nessa data, ainda se vivia no início do Neolítico, com uma agriculturanascente, rudimemtar, ela própria o resultado de grandes alterações climáticas. Sim, só foi possivel a passagem da caça e da recolecçãopara a vida sedentária porque se deu o fim da última glaciação e, porconsequencia directa, os ecossistemas se alteraram radicalmente, possibilitando o aparecimento da agricultura.

 

Terão desaparecido milhões de espécies nesse degelo magnifico que, em poucos séculos, mudou radicalmente o clima do região do Mediterrâneo (em Portugal,no Zêzere no Gerês houve dois glaciares!). Terão desaparecido muitas mais com a agricultura, um processo que remete a reprodução natural para a gestão do Homem, através do controle da semeia e da colheita.

 

Mitologicamente, ficámos com as narrativas de Dilúvio, possivelmente, ecos dos flagelos que ao longo desses séculos foram tendo lugar, sempre com grandes cheias em pano de fundo.

 

Como iremos digerir, no tempo longo, as actuais alterações climatéricas? Enfim, a tentação de mitologizar é grande... por exemplo, há já pastores fundamentalistas que dizem ter sido o desastre do Haiti uma vingança de Deus por um antepassado das primeiras populações da ilha ter feito um pacto com o Diabo...

 

Uma coisa é certa, estamos numa época rica em materiais para mitos.

                  

Paulo Mendes Pinto

 

Publicado por Re-ligare às 12:11
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3 comentários:
De Rosemarie B. do Nascimento a 21 de Abril de 2010 às 14:36
Já disse o autor Fernando Pessoa:"O mito é o nada que é tudo. O mesmo sol que abre os céus, é um mito brilhante e mudo". Nada neste universo é por acaso antigamente imaginavam a terra plana depois chegaram-se ao entendimento de uma terra redonda, o sol era um mito que inspirou muito em religiões e crenças diversas, mas até cientificamente explicado é. Como poderia tudo isto existir sem haver um criador? Seria do nada?Seria um mito compilarem em escritos a resposta da criação do universo mais precisamente à terra atribuída a um único criador? Diz as Escrituras Sagradas - Bíblia Cristã no livro de Gênesis capítulo 7 versículo 4: "Porque, passados ainda sete dias, farei chover sobre a terra quarenta dias e quarenta noites; e desfarei de sobre a face da terra toda substância que fiz." é bem verdade que a natureza muda e o homem não tem controle sobre a mesma e mais adiante em tempos bem depois há escrito no livro de São Mateus capítulo 8 versículos 26 e 27: ..."Então, levantando-se, repreendeu os ventos e o mar, e seguiu-se uma grande bonança. E aqueles homens se maravilharam, dizendo: Que homem é este, que até os ventos e o mar lhe obedecem?" Esta passagem se refere de Jesus o Cristo e percebemos o agir sobrenatural que firma a fé, escrito não tão obstante e que distancia-se da primeira narrativa, mas que atualmente estamos a presenciar não só em São Paulo mas por estes dias de abril de 2010, fatos como este ocorridos agora no Rio de Janeiro, China, e outros lugares. Ainda aproveitando este rico momento para tecer tal comentário oportunizo-me de citar também uns versículos escritos no memo livro de São Mateus agora no capítulo 24 quando Jesus dialogava com alguns de seus discípulos que o indagava quais seriam os sinais para a sua volta e Ele os respondeu nos versículos 6,7 e até o 14, "E ouvireis de guerras e de rumores de guerras; olhai não vos assusteis, porque é mister que isso tudo aconteça, mas ainda não é o fim. Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá fomes, e pestes, e terremotos, em vários lugares."
São fatos reais e que estão ocorrendo diariamente por vários lugares como foi descrito, há uma ordem de equilíbrio no universo e sabemos que se não houvesse uma harmonia seria um total desequilíbrio, quem o criou não faria tal coisa, mas tem o controle sobre todas as coisas até sobre o agir do bem e do mal, estamos diante de uma grande reflexão a fazermos e que a mesma sirva para abrir horizontes de entendimentes e perspectivas de olhares em ângulos diferentes.



Rosemarie B.do Nascimento
Curso de Pó-Graduação em Ciências da Religião
Acesso ao Mestrado em Ciência das Religiões da Universidade Lusófona
Brasília - DF, Brasil


De Jimmy Wisner a 23 de Abril de 2010 às 20:44
Achar explicações em mitos ou religiões para amenizar as consequências das ações humanas na natureza é bem mais fácil do que reconhecer os erros de séculos. O tempo passa e discurso nunca muda. Esse comentário sobre o terremoto me fez lembrar da exlicação católica sobre o genocídio dos povos Astecas, Maias e Incas. Por serem todos idólatras e antropófagos, receberam de Deus a vingança por seus atos. Os Europeus foram os "usados" por Deus , os instrumentos da vingança. enquanto houver instrumentos capazes de explicar as desgraças naturais que vem acontecendo, o homem inconsequente explorador da natureza nunca será culpado. No máximo, contemplador dos sem fé que morrem por defender sua cultura cultivada século após século.
De Rosenise Nery de Almeida a 27 de Abril de 2010 às 01:33
Interessante o artigo do Prof. Dr. Paulo Mendes Pinto sobre “Ecologia e Materiais para Mitos Contemporâneos”. Efetivamente, a natureza sempre exerceu forte fascínio nos homens, em todas as eras, proporcionando uma gama de materiais para mitos. Ainda mais, nos últimos tempos o que está em alta, o aquecimento global e seus efeitos devastadores, tem servido de inspiração para muitos estudiosos no assunto.

Rosenise Nery de Almeida
FATIN - Pós-Graduação com acesso ao Mestrado em Ciência das Religiões - Brasil - Brasília - DF

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