Segunda-feira, 26 de Julho de 2010

SOBRE O VÉU NA FRANÇA


            Acabei de ler algumas notícias acerca da proibição do véu ou niqab (véu que deixa apenas os olhos à mostra) e da burca (vestimenta que cobre toda a face), hidjab e xador (parcialmente coberto) e a burca (uma espécie de tela nos olhos), na França. A Assembléia nacional francesa aprovou nesta terça-feira, 13 de julho, em primeira leitura, por maioria esmagadora, o projeto de lei destinado a proibir o uso do véu islâmico em espaço público.
Confesso-lhes que estou extremamente revoltado com esse gesto de pura intolerância religiosa. Já não bastam as colonizações europeizantes? Já não bastam a proliferação histórica da moral e ética religiosas mundo afora? Já não bastam os olhares de desdém aos asiáticos e sul americanos?
            Classifico a atitude do parlamento francês, intolerante, agressiva, discriminatória, desrespeitosa, legalista, fundamentalista, presunçosa, ilegal e, principalmente um atentado ao livre arbítrio, inerente ao ser humano. Toda essa celeuma político-religiosa só comprova o olhar histórico-reprovador ocidental acerca do Oriente, especificamente religioso.
            Escrevi na 3ª edição da PT. Islã e parece que profetizei acerca desse episódio: Vale ressaltar que esta perseguição religiosa ultrapassa a esfera religiosa e limites histórico-temporais. Para isso, constitui-se uma guerra extraterritorial e imprecisa, tarefa bastante difícil e de extrema inspiração religiosa[1].
            As reportagens mostram que os “guardiões” da República Francesa alegam ser o uso dos véus um atentado à dignidade das mulheres e uma ameaça à igualdade entre os sexos, o qual feriria totalmente os valores e princípios éticos da velha França.
            Não tem nada de novo essa novela francesa, pois desde o ano de 2004 se alastrou nas escolas francesas, com as crianças muçulmanas. De acordo com a Professora Francirosy Campos Barbosa Ferreira - UNICAMP[2], o caso francês é caso de Islãfobia, isto é, repúdio e medo às práticas do Islão. Segundo ela, trata-se de interesses políticos, uma vez que a França abriga a maior comunidade islâmica da Europa.
Para a socióloga Magda Aref[3], usar o véu trata-se de um mandamento divino presente no livro sagrado do Corão, diferentemente do crucifixo, pois o livro dos cristãos não determina o uso do crucifixo, ou determina? A socióloga esclarece que o uso do véu ou da burca, no caso francês, não fere nenhum principio do livre arbítrio da mulher.
A iniciativa da lei de proibição voltará em setembro ao Senado. Vale lembrar que a Anistia Internacional condena sumariamente este projeto de lei que a classifica como "violação da liberdade de expressão e de religião". Outros Países europeus como Espanha e Bélgica também vêem a possibilidade de adotarem a presente lei.
Acredito que tanto a cultura quanto as práticas religiosas do Islão, devem ser respeitadas como qualquer prática cultural ou religiosa de outras crenças não ocidentais. Infelizmente, o ideal dos bons costumes ocidentais, parece dominar o cenário mundial, principalmente quando o assunto é político-religioso.
Até quando poderemos sonhar com a laicidade? Até quando continuaremos sendo reféns da europeização mundial? Até quando deixaremos de ser inumanos? Até quando teremos novelas? Salve o Véu!
              

Adriano Trajano
Pastor da Igreja Batista em Chã Preta/AL - Brasil

Aluno da Pós-Graduação (com acesso ao Mestrdao) em Ciências das Religiões

Publicado por Re-ligare às 12:09
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