Terça-feira, 16 de Janeiro de 2007

Banhos sagrados na Índia - I (as bases, os Himalaias e o festival Kumbh Mela)

Começamos hoje um conjunto de posts sobre um acontecimento quer decorre agora: as grandes peregrinações e banhos seguintes no Ganges. Ao longo dos próximos dias faremos algumas reflexões históricas sobre o tema.

Himalais significa, em sanscrito, «morada dos deuses». Para budistas e hindus, a montanha era habitada por vários deuses, nomeadamente por Shiva.

Fisicamente, os Himalaias são constituídos por três cordilheiras paralelas formadas devido ao choque das placas tectónicas do continente euro-asiático com o sub-continente indiano.

Religiosamente, os nomes dos seus picos mostram a profundidade religiosa que a eles está associada, quer por Hindus, quer por Budistas. No Grande Himalaia, a maior das cordilheiras, temos o Tchomo Lungma, a «deusa-mãe das montanhas», o Tchomo Lhari, a «deusa da montanha sagrada», o Nanda Devi, a «deusa Nanda», o Anapura, a «deusa dos alimentos», entre outros. O primeiro destes nomes sagrados foi colonialisticamente rebaptizado pelos ingleses com o nome de um superintendente-geral da Índia, de seu nome Evereste.

O Ganges é um dos mais nomeados filhos dos Himalaias, tido por Alexandre como o limite do mundo.

Para hindus, o Ganges é Ganga, a «que vai célere», a deusa da purificação. Conta a tradição que em tempos remotos, os 60.000 filhos do rei Sagara foram mortos pelo olhar fulminante de um sage, devido à sua arrogância. Quando posteriormente um rei, Bhaguirathi, se penitenciou por aquela ofensa no cimo dos Himalais, Shiva mandou que Ganga descesse à terra a fim de que fossem purificadas as cinzas; desta forma, os filhos de Sagara atingiram finalmente o céu.

Nas faldas dos Himalaias encontramos um dos locais de maior culto ao Ganges, a pare de Benares. Na cidade de Hardwar tem lugar, de doze em doze anos, quando Júpiter entra na casa de Aquário, o festival Kumbh Mela. Frequentemente se deslocam a estes festivais mais de quatro milhões de pessoas.

Igualmente, todas as Primaveras aqui se encontram cerca de cem mil pessoas, entre eles muitos ocidentais desde os anos sessenta do século XX, para comemorar o nascimento de Ganga.

Texto feito com base no nosso  volume, em co-autoria com Francisco Moura, Itinerários de Fé.

Paulo Mendes Pinto

Publicado por Re-ligare às 18:48
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