Sexta-feira, 1 de Abril de 2011

ida ao culto

           

Há uns meses, em Brasília, fui visitar um templo da Igreja Universal do Reino de Deus. Era um acontecimento importante para mim. Dei aulas durante uma semana a uma turma que tinha, claramente, um agastamento estrutural em relação a esta igreja. Não era de espantar, parece ser "universal" – como o suposto reino de deus – a antipatia que os evangélicos nutrem pelos neo-pentecostais, como que desejando que o filho pródigo regresse a casa… mas não regressa e, acima de tudo, prospera muito mais que o pai.
E essa prosperidade é patente nos ditos templos. Não apenas no que visitei, mas em muitos outros, de uma arquitectura até sumptuosa. Este, no centro de Brasília, num local muito bem escolhido, era de significativo bom gosto. O edifício era, exteriormente, muito agradável e esteticamente muito bem concebido.
Entrei e, por sorte, ia ter início um culto. Fiquei. O espaço oferece a máxima dignidade a quem entra. É-se acolhido. Afavelmente acolhido. O espaço que nos é posto à disposição é bom. Cadeiras muito boas, espaço limpo, luminoso, digno.
E não será também isso que os crentes buscam? Especialmente os da tradição cristã, milenarmente habituados a serem espezinhados por conceitos e teologias que tudo retiram, a não ser o inferno?
Naquelas poltronas, sob um tecto azul celeste, com um tom de solenidade no ar trazida para o quotidiano, eu via pequenos miúdos com ar de gente respeitada. Eu via mulheres esqueléticas, talvez de fome, com ar de virem a ser atendidas. Eu via rostos de esperança, de prazer, de gozo. Afinal, a igreja até lhes dava a dignidade de serem como todos os outros e de se sentarem como não se sentam em casa, de irem a casas de banho como não têm em casa, de serem tratados, nos seus medos e nos seus sonhos, como nunca foram tratados.
Não será também isto, afinal, dignidade?

          

Paulo Mendes Pinto

Publicado por Re-ligare às 21:31
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