Quarta-feira, 2 de Novembro de 2011

As nações são feitas de homens… as religiões também…

 

Desde tempos primordiais o homem procura Deus… fora de si… dentro de si… a necessidade da compreensão do mundo e a não-aceitação das inúmeras limitações intrínsecas à condição humana sempre fizeram com que o ser humano ansiasse por sinais irrevogáveis da existência e da presença divina na Terra. Assim, ao longo da história foram recebidos e reconhecidos evangelhos e profetas. Uma grande parte da população do planeta considera-se filha do patriarca Abraão… no entanto, os filhos de Abraão, apesar das raízes comuns passaram os últimos milénios em guerra. Os países ocidentais, fruto da hegemonia política, económica e cultural dos últimos séculos, intitulam-se como países desenvolvidos. São nações onde se respeitam os direitos humanos e a liberdade religiosa entre outros valores. O atentado de 11 de Setembro de 2001 foi um atentado contra os dois arranha-céus do mundo ocidental: a superioridade e o medo. Hoje o Islão é mediaticamente apresentado como o mundo da Al-Quaeda, onde vivem os bombistas- suicidas, onde o fanatismo é regra e as palavras de ordem são violência e intransigência. Não obstante as consequências justas e inevitáveis de punição pelos crimes cometidos por alguns fundamentalistas islâmicos, importa compreender que lugar é reservado a mais de 1,5 bilhão de crentes que são todos os dias arbitrariamente rotulados. Fruto do medo do desconhecido, de crenças e tradições diferentes, actualmente o mundo ocidental ignora o seu perfeito sistema legislativo ao ter uma ideia pré concebida sobre os islâmicos, e ao discriminar genericamente os crentes de uma das maiores religiões do mundo. A islamofobia é, nos dias de hoje, um conceito real e concreto que está presente na sociedade ocidental e que terá um efeito castrador no respeito e tolerância para com o Islão nas gerações vindouras que têm como marco histórico os atentados do 11 de Setembro. A resposta ocidental - violência, como resposta à violência dos atentados, é elucidativa de uma supremacia cultural falsa. Muito embora o Ocidente tenha sofrido perdas irreparáveis, o Islão, quer como nação menos desenvolvida em questões sociais e de direitos humanos, quer como nação adversária ideologicamente, deve ser respeitado pela sua história e tradição e, acima de tudo por todos os seres humanos que são exactamente iguais aos homens ocidentais, com os mesmos medos e angústias existenciais. As críticas veladas ao Islão são um reflexo da nossa própria história, das nossas próprias feridas, dos nossos defeitos enquanto nações e enquanto seres humanos. A dor e a vergonha de admitirmos que a nossa natureza é igual, impedem – nos de abandonar esse ar de nação superior e de olhar de igual para igual para o Islão e aprendermos mutuamente a coexistir no mundo em paz, tal como irmãos que efectivamente somos: embora diferentes, mas com o mesmo pai. Afinal, o que deveríamos pedir não é que Deus abençoe a América, mas sim, que Deus nos abençoe… sem discriminação.        

           

Cátia Daniela R. Moura

(finalista de Ciência das Religiões na ULP)

 

Publicado por Re-ligare às 11:18
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1 comentário:
De Emanuel Fernandes a 3 de Novembro de 2011 às 12:34
O texto da colega Cátia parece-me excelente. Parabéns colega!

As religiões são feitas por homens, tal como as casas, as escolas, as universidades, as estradas, os hospitais, os cemitérios, etc.

Por isso Deus, que não faz distinção de pessoas (os homens sim) abraça todos através do Seu Filho que morre numa Cruz de braços abertos para todos, à espera do reencontro com todos e do abraço de todos. JESUS morre apontando em todas as direcções (norte, sul, este e oeste) mostrando assim que Ele é O Caminho, como resposta a uma das perguntas mais colocadas naquele tempo, já deste o tempo dos filósofos gregos.

Tudo que se passa em torno da Religião e que muitas vezes (quase sempre) envolve Deus. é marginal, passa ao lado do Próprio Deus. Se neste momento que estou no Porto, alguém na minha terra em Lisboa, estiver a falar de mim, bem ou mal, estiver a fazer algo em meu nome, bem feito ou mal feito, que culpa tenho eu disso?

As nações e as religiões é tudo imaginação do homem. Sim. Estou de acordo.

Deus é algo completamente diferente. A relação que cada um tem com Ele é que faz toda a diferença...e eu sei...eu conheço...eu sinto...a relação que tenho com DEUS através do Seu Filho JESUS.

Visito a América há muitos anos e às vezes várias vezes ao ano. Realmente é um país onde o cristianismo é imposto, tal como noutras partes é imposto o islamismo ou outra qualquer corrente de pensamento religioso.

O Cristo libertador não impõe. Ele sugere. Ele diz: "Eis que ponho diante de vós dois caminhos: caminho da vida e caminho da morte. Escolhe pois a vida para que vivas."

Desculpem qualquer coisinha...

É tudo.

Emanuel
3º Ano, Lisboa

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