Segunda-feira, 3 de Setembro de 2007

A Coreia do Sul e o Cristianismo

A 19 de Julho último, com final apenas dos últimos dias, começava mais uma das muitas epopeias que os media nos trazem neste tempos um pouco conturbados em que os sequestros são uma arma de um dramatismo incalculável.

Nesse dia, um grupo de missionários cristãos coreanos foram sequestrados em Ghazni, quando viajavam pela perigosa estrada que une Cabul a Kandahar, no sul do Afeganistão.

Mais que ficar constrangido pelo acontecimento em si, alguns reparos do campo da análise religiosa deve ser feito.

Os indivíduos raptados não eram "normais" aos olhos dos talibã. Missionários coreanos, eram vistos como uma dupla afronta: originários de um pais que apoia aguerra dos EUA contra no Afeganistãao, contra os talibã, e, em especial, missionários de uma outra religião.

Numa carta que a imprensa cita e que os talibã terão entregue ao último grupo de libertados, era dito:

"O que é mais perigoso, fontes cristãs enviaram missionários para mudar a religião do país"

"O nosso povo está preparado para sacrificar tudo para preservar a nossa religião, na qual a conversão é estritamente proibida"

Este é, possivelmente, o motivo mais profundo do rapto: a tentativa de uma potencia cristã converter muçulmanos.

Não é por acaso que, pouco tempo depois de raptados, o líder do grupo de missionários, um pastor evangélico de 42 anos, foi morto, castrando a direcção do grupo.

Mas quem são estes missionários coreanos?

Interessante. Neste momento, este país da Ásia é, depois dos EUA, o maior berço de missionários cristãos. Profundamente empenhados na expansão da sua fé, os coreanos divulgam a fé cristã evangélica pelos cantos mais reconditos do globo... Ora, para muitos meios religiosos, não se concebe, sewuqre, a mudanbça de religião, sendo directamente punida com a morte...

                

Voltaremos a este tema brevemente... talvez com um post-tipo-mesa-redonda entre alguns dos investigadores da área.

                   

Paulo Mendes Pinto

Director da Lic. em Ciência das Religiões

 

 

Publicado por Re-ligare às 12:32
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5 comentários:
De Manuel Duque a 31 de Outubro de 2007 às 18:37
falando sobre o caso dos Missionários Coreanos presos, acho que não passa de radicalismo religioso . Imaginem que no Ocidente eram aplicadas as mesmas medidas a todos os que não são cristãos! Penso que o ser humano necessita de uma instrução sistemática no sentido de uma maior compreensão dos outros. Afinal somos todos diferentes... e ainda bem que assim é... Por isso é bom que cada um tenha a liberdade de poder escolher o quer ser.
Manuel Duque
De Re-ligare a 2 de Novembro de 2007 às 09:42
Tem toda a razão, mas acho que devemos tentar perceber melhor o fenómeno. Entre as duas situações que compara há um diferença radical: num caso é a liberdade de missionação que é posta em causa, e o que responde é com a própria liberdade religiosa.

De facto, são duas coisas distintas: uma é evangelizar, outra é viver a sua religião.

O que se passou neste caso foi o seguinte: alguém sabia, previamente, que ia ser mal recebido e que pela legislação do pais em causa era proibido missionar. Mesmo assim, correndo esse risco de forma consciente, foi-se evangelizar.

Teria essa pessoa, esse grupo, o direito de colocar os seus paises de origem em xeque, de os obrigar a procurar resgatá-los, quando eles próprios sabiam que não eram desejados e que aquele fim era previsível?

Um abraço amigo,
pmp

De Manuel Duque a 3 de Novembro de 2007 às 17:12
Realmente, uma coisa é Evangelizar e outra é viver a religião.
O que se passa aqui é um confronto entre dois tipos de ideologia religiosa, em que, cada um acha que a sua fé é a verdadeira.
No entanto, os missionários coreanos, habituados a uma liberdade religiosa que não existe no país dos talibã, movidos pela sua fé, tentaram entrar naquele país na esperança de darem a conhecer uma outra opção religiosa ao povo que ali existe.
O facto poderia ter sido bem recebido por aqueles que aspiram ter mais conhecimento acerca de outras culturas, mas o que se viu é que um grupo de talibãs agiu como temos ouvido, tendo os missionários sido presos e maltratados, ao ponto de terem de pedir socorro quando viram as suas vidas em risco.
Poderíamos pensar que eles não teriam direito de ter pedido socorro, visto que a lei do país onde se encontravam não permitia tal acesso, mas se bem pensarmos, qualquer pessoa teria agido assim.

Também, o país de origem dos missionários, poderia não dar importância ao facto, mas deu.
Ao dar importância ao assunto e ao tentar negociar a situação, mostrou que existe mais amor e mais espírito de ajuda e socorro num país de liberdade religiosa, do que num país sem liberdade de opção.

Não terá sido bom que todas estas situações tenham acontecido, para que países como aquele comecem a abrir a possibilidade de liberdade de escolha religiosa?

A globalização está a tentar dar a volta aos diferentes sistemas mundiais, no sentido de romper com as barreiras da comunicação, da política e da religião e este incidente certamente que terá dado uma ajuda neste sentido, ou pelo menos contribuiu para que o mundo entendesse que é melhor viver num país livre do que num país sem liberdade.
Saudações
Manuel Duque
De dvidal a 17 de Novembro de 2007 às 11:02
Experiência Informática
De Sara Divino a 30 de Março de 2012 às 04:53
Olá!! Estou começando a me graduar em História agora e tenho muito interesse no assunto, se tiver uma bibliografia a cerca do assunto poderia compartilhar comigo?? Pode ser em inglês ou espanhol!!

Desde já obrigada!!

Sara Divino
saradivino@hotmail.com

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