Terça-feira, 11 de Setembro de 2007

Mikao Usui - O fundador do Reiki

A humanidade tem sempre uma actitude positiva ou negativa de divinizar os seres humanos cujos actos ou palavras (ensinamentos) ultrapassam a compreensão normal. Esta actitude remete geralmente os indivíduos com tais características para o universo do transcendente, onde a criação (força e temperatura), os fluidos (energia), a matéria (massa) e a luz (crepúsculos) são objectos fora do alcance dos cinco sentidos, e portanto do comum dos mortais. O transcendente é, portanto, um universo extra-sensorial. Mas esta perspectiva falaciosa, é apenas o corolário da aprendizagem e do conhecimento adquirido pela humanidade ao longo da sua evolução como civilização. A percepção sensorial e intelectiva do universo (enquanto fenomenologia) onde vivemos, é proporcional à emergência de qualquer epistemologia. Esta introdução serve apenas para esclarecer, que qualquer evidência espiritual do foro transcendental, antecede por vezes a revolução de um saber epistemológico; a relatividade da experiência espiritual é completada pela relatividade do conhecimento científico. Este é o caso do Reiki e do seu fundador Mikao Usui (1865-1926).
      
A sua biografia até ao aparecimento público é incerta, contraditória e enevoada por um misticismo ora cristão ora budista. Já por si, esta completude do transcendente é característica de um processo de mitificação do humano. Porém, pouco ou nada importa a análise que se faça dos fenómenos espirituais ou místicos, se o resultado não afecta directa ou indirectamente a fenómeno em si. E se ele é benéfico para a saúde espiritual, psíquica e fisiológica dos adeptos, tanto melhor para o bem comum. Muitos são os caminhos da completude social e espiritual da humanidade.
     
Mikao Usui não parece ter dito nada sobre o seu passado, e o que se "lhe" atribui é o que geralmente diz a suposta bibliografia (inicialmente oral), relatada por uma sua discípula, a Sra. Takata. Teria sido ministro e director da escola cristã de Kioto, e um dia interpolado por um seu aluno sobre as curas de Jesus, Mikao Usui terá respondido que acreditava, mas impotente para exemplificar como essas curas terão sido operadas, Mikao Usui retitou-se e partiu em busca da resposta. As suas viagens levaram-no até aos EUA, onde se inscreveu na Universidade de Chicago em Religiões Comparadas (embora não hajam registos da sua passagem pela instituição). Insatisfeito, procurou resposta no budismo, e igualmente nada encontrou sobre o processo de cura operado por Buddha. Regressou então ao Japão onde correu todos os mosteiros a fim de encontrar resposta para o enigma. Depois de ter aprendido a língua chinesa e até o sânscrito (que em nada o ajudaram para interpretar os Sutras), acabou por encontrar dois manuscritos intitulados "Sutra do Lotus" e "Sutra do Buddha que Cura". A meditação a que se submeteu (durante 21 dias) seguindo as informações contidas nos manuscritos, levaram-no à revelação da fórmula que hoje é conhecida por milhões de seres humanos como Reiki.
    
A descrição do estado mental em que Mikao Usui se encontrou no 21º dia é de notável semelhança com o estado em que se encontram aqueles que experimentam os efeitos da Ayuaska. Porém, este aspecto pouco nos importa para o momento, na medida em que este pequeno artigo tem como singela pretensão, apresentar um fenómeno dito de ordem espiritual, em que duas componentes (oriental e ocidental) parece terem-se sintetizado sob a forma do Reiki. Mikao Usui parece ter conseguido encontrar a fonte de energia que quer Buddha quer Jesus usaram para curarem e predicarem.
    
O exemplo de Mikao Usui incere-se num fenómeno de globalização dos mitos, em que o encontro entre civilizações tem produzido as melhores sínteses da história da humanidade, e ao mesmo tempo tem fornecido instrumentos para a comprensão de antigos fenómenos remetidos para o universo do transcendente, e que hoje se tornam tangíveis ao cidadão. Só assim se pode compreender a adoção do mesmo Reiki por várias comunidades cristãs e ordens religiosas, nomeadamente os Jesuitas que, inevitavelmente, adotaram os cursos de Reiki nos seus programas espirituais.

   

José Carlos Calazans

Docente na Lic. em Ciência das Religiões

Publicado por Re-ligare às 17:39
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