Sexta-feira, 14 de Setembro de 2007

No RAMADÃO - algumas notas

Ramadão [da raiz árabe ramaDa, que significa «estar a arder, queimar» (cf. J. P. Machado), talvez como alusão ao sacrifício que sofrem os muçulmanos quando o Ramadão calha no Verão] é o nome do 9.º mês do calendário islâmico. Conforme o versículo 185 da Sura 2 do Alcorão, foi neste mês que o Profeta Muhammad recebeu a revelação do Livro «como guia para os homens e provas da Guia e da Distinção».
Este é o mês mais sagrado do Islão, dedicado à prática intensa dos seus preceitos, mas em especial o do Jejum [Siyâm Shahri Ramadân] que está prescrito, integralmente, desde a aurora até à noite, estando interdito o consumo de comida, de bebida (salvo por razões de saúde), de fumar e de ter relações sexuais.
Dos Pilares da fé islâmica – profissão de fé no Deus Único, a oração, a esmola, a peregrinação, o jejum – o Jejum, depois da profissão de fé, é o pilar relevante em que todo o muçulmano se apoia para manifestar o reconhecimento ao seu Criador.
O Jejum é considerado o acto humano supremo para com Deus, que suplanta todas as outras manifestações consideradas de origem pagã como as oblações, os holocaustos, os círios, as oferendas materiais, o ouro, a prata, o dinheiro, pois, segundo o crente, «a Deus pertence tudo o que há na Terra e nos Céus» (cf. Sura 2:284).
Para o crente esclarecido, o sentido profundo do Jejum do Ramadão é o de um testemunho de gratidão para com Deus, através da oferta do sacrifício físico, e constitui a ocasião para uma peregrinação interior, uma oração física.
Na impossibilidade absoluta de praticar o jejum, o fiel deve substitui-lo pela esmola ou pela oração intensa, que sempre serão substituições insuficientes, tomando em consideração o hadîth do Profeta:
     
«Deus disse: tudo o que o homem pratica, pratica-o no seu próprio interesse, excepto o Jejum, pois este é a Mim dedicado e Eu o recompensarei. O Jejum é uma protecção contra as transgressões. Todo aquele que dentre vós jejua nunca tem propósitos desonestos, nem vocifera. Se alguém o insulta ou ataca, ele diz: “Eu jejuo”. Aos olhos de Deus, é mais agradável o Jejum que o perfume do almíscar. Quem pratica o Jejum tem duas alegrias: quando o termina é invadido de grande satisfação, e logo que encontra o Senhor, ele ficará muito contente por ter jejuado.»
    
No presente ano, o Ramadão decorre entre a Lua Nova de Setembro e de Outubro (desde o dia 13 de Setembro até 12 de Outubro).
    
Rui A. Costa Oliveira
Investigador do Centro de Estudos em Ciência das Religiões
Publicado por Re-ligare às 17:27
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2 comentários:
De Sónia Rodrigues a 20 de Setembro de 2007 às 11:25
Abençoado o mês de Ramadão.
Sou muçulmana e tento fazer todos jejuns.
É um mês inexplicável.Há uma grande força divina neste mês.Parece que sou mais feliz neste mês e que alegria prevalece.
De dvidal a 18 de Novembro de 2007 às 09:12
Comentários: De dvidal a 17 de Novembro de 2007 às 20:25

Ao ler o artigo "16 de Novembro, o Dia Internacional para a Tolerância " do digníssimo professor Paulo Pinto, achei oportuno, dar o meu, modesto, contributo, se contributo for, já que nestas coisas cada um é livre para avaliar à sua maneira e ficar no que lhe parece. Todavia aqui vai:

Relativamente à opinião do citado Locke , (a tolerância é uma acção que implica uma derrota, pois é «parar de combater o que não se pode mudar»). A propósito temos, na história do cristianismo, um paradigma interessante, "O Édito de Tolerância" em 311 d.C. promulgado por Galério , César romano (293-311). Este depois de combater os cristãos por todos os meios, sem sucesso, porque se dizia: "o sangue dos mártires é semente do cristianismo, quanto mais perseguidos, mais fortes" assim, para contrariar a tendência, promulgou o referido Édito, em que não se asseguram direitos, mas simplesmente se tolerava o culto cristão. Sem dúvida, a grande coragem dos mártires, ditou a derrota do Soberano , e constitui-se no triunfo da fé. Ora , entenda-se que em questões de Direitos Fundamentais, como era o caso, a Tolerância é, de facto, muito pouco, por isso, nesta matéria, concordo, o caminho foi deveras difícil, e ainda o é, na actualidade, em muitas, e lamentáveis realidades, tanto políticas como religiosas, e outras.

Todavia, importa dizer: A "Tolerância", não tem que ser, necessariamente , apenas aquele factor de "derrota", antes pelo contrário, segundo o Dicionário Enciclopédico KOOGAN LAROUSSE , 1º vol. pp. 863, pode ler-se: "...na vida social a maior virtude é a Tolerância".

Nesta perspectiva , Considero fundamental que isto se afirme claramente, porque enquanto o estigma do primeiro caso é fortemente inibidor da tolerância, este torna-se promotor, de melhores relações.

Até porque a compreensão de que, na vida, todos falhamos, quer seja por acção como por omissão, deve levar-nos a sermos mais TOLERANTES com aqueles que nos rodeiam.

Por outro lado, quanto ao "dia internacional para a tolerância", deseja-se, que não se constitua , hipocritamente, apenas em, um dia no ano, para a tolerância, com a exclusão dos restantes 364/5, mas sim uma oportunidade de reflexão séria, que contribua para, a efectiva mudança de comportamentos e culturas, na relação entre as diferenças.

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