Sábado, 18 de Outubro de 2014

Missões, evangelização e a identidade portuguesa

Encheu-me de gozo ouvir o arcebispo de Goa em Fátima agradecer a fé cristã recebida dos portugueses e dizer que a sua mãe o ensinou dar o nome de Fátima a Nossa Senhora. A evangelização e lusofonia na expansão, colonização e emigração portuguesas são inseparáveis, como ficou bem evidenciado no Congresso dos 500 anos da diocese do Funchal. O caldo lusófono de Banguecoque, Sri Lanka, India, Brasil, Angola; e das comunidades de emigração , Canadá , Estados Unidos,Venezuela, África do Sul, Austrália, para não falar das da Europa, consta de marcas e vestígios católicos, igrejas e capelas; nomes de bispos portugueses, missionários, fundadores de obras sociais; santos portugueses, catecismos, festas religiosas, que tornam inseparáveis lusofonia e evangelização católica. As duas dão visibilidade a Portugal no mundo. Surpreende que em tantos volumes eruditos sobre lusofonia se omita esta ligação com a evangelização. A aldeia global lusófona não existiria sem a evangelização católica realizada por missionários e leigos católicos. Ser conhecido, do Brasil ao Japão, Portugal deve-o aos missionários das naus de Lisboa.

Sem expansão missionária católica quem notaria Portugal? Sem o ímpeto da evangelização na expansão, colonização e emigração portuguesa a dimensão da lusofonia ficaria meia apagada. Em Lusofonia e Identidade na Diáspora concluímos a urgência de um “Mapa de lusofonia e portugalidade” da língua e cultura portuguesa no mundo, como serviço ao revigoramento da identidade e da pertença ao “Portugal Missionário”. Sem as missões do Padroado a identidade portuguesa ficaria sem afirmação. Nem se esqueça que para além das bandeiras do Futebol e do Fado, Fátima e Nossa Senhora, a grande evangelizadora, ainda é um dos maiores focos de irradiação da portugalidade e lusofonia!

A mentalidade de génese pombalina, liberalista e maçónica hostil à Igreja persiste em escamotear a coesão do empreendimento português de séculos entre a expansão, colonização e evangelização católica. Algumas tensões e conflitos neste empreendimento não anulavam a necessária unidade e colaboração pelo ideal comum de expandir Portugal e dilatar a Fé Católica. Hoje sobram os conflitos ideológicos e falta a coesão à volta de um empreendimento capaz de unir e dinamizar os portugueses. E não será encontrado sem a chave perdida da lusofonização evangelizadora. Não se enxerga “cola” que possa unir o país. A primeira globalização  veio do fermento evangelizador lusófono; a grande pequenez do Portugal de Quinhentos dilatou-se na expansão de sentido evangélico que ainda hoje espanta e leva muitos povos dos cinco continentes a agradecer a Portugal a sua fé católica.

Precisamos de um mapa guia para visitar os marcos da história de lusofonização e evangelização católica que fomos e somos. As   muitas centenas de igrejas e capelas; nomes de   evangelizadores, ruinas de conventos, hospitais, escolas e residências de bispos, missionários, religiosos; devoções e irmandades difundidas; e a suas obras escritas nos arquivos e bibliotecas pedem entrada nesse mapa para em dia das Missões nos dizerem o que somos e o que arriscamos esquecer.

Funchal, 17 de setembro de 2014

Aires Gameiro

Publicado por Re-ligare às 15:49
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