Segunda-feira, 17 de Agosto de 2015

Ψυχή, Psychē e Fado

O universo é vibração e no grande reino frequêncial das imagens arquetípicas e dos impulsos, estas não só nada têm a ver com as tendências da personalidade como também são tantas vezes contrárias a ela.

Questiono a vida do ego e a matriz maior do qual este se ergue com a sua ilusão de separatividade…
Os impulsos quais notas musicais soltas que estão acessíveis à consciência do individuo e que marcam a transição para uma outra fase ou oitava da consciência, se-lo-ão de facto? Esses impulsos são dissonantes trígonos ou melódicos acordes?

Observando a noção rítmica do tempo, a consciência não pode apreender a transição por só operar numa fracção de momento, sussurrando-nos que o que experimentamos é tão somente o perímetro da pauta na qual entre linhas e espaços se insere a realidade.

O que nos conduz a uma identificação com a realidade “objectiva” na qual a mão direita de Deus nos tolda e nós, deixamos de ver que esta é completamente subjectiva por ser meramente uma linha da pauta individual que expressa a nossa breve realidade, o grande mestra da ilusão, o Senhor da Fronteira não nos permite a ver que apenas criamos qual executante musical, a nossa própria interpretação da vida.

Ao atravessarmos a “noite escura da Alma”, “Caput Mortuum”, o nigredo, o grande mestre torna-nos cientes do Outro dentro de nós; o mero interprete torna-se então o compositor, revelando-se o verdadeiro poder criativo e curativo do Self.

Este processo meramente musical e psicológico, desperta-nos, porque o impulso que simboliza, como todos os conteúdos do inconsciente é projectado…

As notas musicais com que a vida nos envolve, parecem voltar ao individuo na forma de súbitos eventos emanados de fora, despedaçando a estrutura daquilo que este até então identifica como a sua realidade, da mesma forma que um músico observa a plateia ao mesmo tempo lhe é permitido vislumbrar a ideia colectiva subjacente sobre a qual construiu a sua realidade (interpretação) pessoal.

Porque a experiência existencial, geralmente escapa à percepção do indivíduo, com a qualidade de uma interpretação musical geralmente escapa ao próprio intérprete; a própria Psique é o fado, no qual através do choque ou da dor nos é permitido sermos conduzidos a um despertar para uma consciência vibracional maior.


Danuia Pereira Leite

Publicado por Re-ligare às 18:20
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