Terça-feira, 15 de Abril de 2014

Sobre "O 25 de Abril e a Liberdade Religiosa" - o jantar-tertúlia do Clube de Filosofia Al-Mu'tamid do dia 15 de Abril

Logo após participar num debate com o filósofo André Barata e o ensaísta Miguel Real, e estimulado pelo mesmo, li uma frase exposta pelo primeiro num sítio da Internet que o representa, frase que não só captou a minha atenção como me motivou a revisitação de um trabalho antigo, publicado na revista Philosophica em finais do século passado. A frase citada da página de André Barata é esta “O jogo da filosofia é sempre um jogo insensato. Supor, porém, que não fosse absolutamente sério seria um ultraje. Se não fosse subversivo, irritante e insuportável, Sócrates teria sido simplesmente ridículo”. E o trabalho revisitado é de Félix Duque, da Universidad Autonoma da Madrid. Intitula-se o mesmo “Destruccion de lo Divino” e tem como subtítulo La Tragedia del Absoluto en el Hegel de Jena”. O nexo que me ocorreu entre Barata e Duque só a mim parece evidente. Não só o jogo insensato da Filosofia se destacava no artigo sobre Hegel, como a verdade em Barata me parece interessante: sendo insensato é um jogo sério.  E se não formos subversivos, irritantes e insuportáveis seremos, ao nível das análises que fazemos, tão somente ridículos.  Tendo em conta que, na próxima quinta-feira o tema do mês do jantar-tertúlia do Clube de Filosofia Al-Mu'tamid é "O 25 de Abril e a Liberdade Religiosa" - já no dia 15 (3ª feira), pelas 19h30 na Mesquita de Lisboa.

Terá como oradores: José Vera Jardim (antigo Ministro da Justiça);  Fernando Soares Loja (Presidente da Comissão da Liberdade Religiosa); e o meu colega Joaquim Franco (como eu, a um tempo jornalista e investigador em Ciência das Religiões) – a  minha pequena reflexão parece-me oportuna pois temas como liberdade religiosa, destruição do divino e a subversão como ato metodológico ferem a atualidade. A Ideologia do Espírito, o Idealismo, as Religiões (ou teses verdadeiramente surpreendentes que resgatam o marxismo ou posicionam como ameaçadoras as novas presenças fundamentalistas da Direita, da Extrema Direita e da sua condenação do Homem e do Humanismo), o próprio Hegel voltam a interessar apaixonadamente quem se dedica a coisas... do pensamento. Uma característica singular do estilo hegeliano é a incrível fusão que por vezes faz convergir a sua escrita em crítica de temas candentes do direito, da política e da religião. O que em Hegel mais nos apaixona é a capacidade ensinar a criticar – a maior parte de nós imite juízos de valor pobres e apaixonados estando assim a uma distância confrangedora do sentido crítico. Distanciando-se de Holderlin e de Schelling, isto é, do contágio frankfurtiano, Hegel desenvolveu o conceito de que a mente (ou espírito) – "Geist" – manifesta-se num conjunto de contradições e oposições que, no final, integram-se e unem-se, sem eliminar qualquer dos polos ou reduzir um ao outro.  É um jogo insensato – e profundamente sério. Como o que se propõe levar a cabo na reflexão em torno de o 25 de Abril e da Liberdade Religiosa, pois o primeiro proporcionou o segundo – e hoje isso parece ser esquecido. A um tempo, nesse evento como noutros do tempo que atravessamos, o raciocínio pedirá o confronto da subversão com o da constatação. A síntese ditará a melhor parte que ficar desse debate, ao gosto, diria eu, hegeliano. Não esqueço que, com o decorrer dos anos, Hegel refugiar-se-á numa razão de volto ao lógico, mas fá-lo para se capaz de suportar os horrores do mundo objectivo. Vivemos os tempos da degradação, pois sofremos a lógica da ação. Como noutros tempos da História que conduziram à morte e à vergonha humana. A Natureza perde a sua oportunidade de redenção, o Espírito a de reconciliação plena consigo mesmo e com o fundo natural; não há puro e absoluto Saber. Não antevemos feliz desenlace. A menos que aprendendo com a História seja possível impedir que ela se repita.


Alexandre Honrado linha de Investigação em Ciência das Religiões (grato a André Barata e a Félix Duque)



Publicado por Re-ligare às 16:11
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