Sexta-feira, 12 de Setembro de 2008

Ordens monásticas poderão regressar

A carta que Bento XVI endereçou à Igreja Católica na China continua a dar
frutos. Terá sido em parte por ela, e pelo diálogo que abriu, que Pequim
permitiu a ida de oito padres católicos chineses para a Alemanha, onde
experimentaram a vida monástica durante um curso que se realizou num
mosteiro beneditino.
A China proibiu todas as ordens monásticas masculinas durante a revolução
cultural, mas esta iniciativa poderá indicar alguma abertura no sentido de
permitir que estas regressem. Algumas ordens femininas já operam no país.
Jeremias Schröder, o abade do mosteiro de Santo Otílio, onde os oito
chineses estiveram hospedados, disse mesmo que a carta do Papa tinha sido
"da maior importância" para possibilitar esta experiência.
O gesto do Governo chinês parece indicar alguma vontade de melhorar as suas
relações com a Igreja Católica. Contudo, o clima de perseguição não
desapareceu por completo. No último dia dos Jogos Olímpicos o Bispo Julius
Zhiguou, da Igreja clandestina, terá sido detido pelas autoridades sem que
se saiba nada sobre o seu paradeiro.
 

Sofia S.

aluna do 2º ano da Lic. em Ciência das Religiões

*Fontes*: Agencia Lusa, RFM Online, Renascença Online.

Publicado por Re-ligare às 13:28
Link do post | Comentar | Favorito
Quinta-feira, 11 de Setembro de 2008

Governo proíbe barbas durante o Ramadão

Os governos regionais do ocidente de Xinjiang, na China, estão a impor
regras severas durante o Ramadão, que começou a semana passada, provando
mais uma vez que as autoridades se sentem desconfortáveis com a fé.
Entre as regras conta-se a proibição de funcionários públicos, professores e
estudantes de observarem o Ramadão ou entrarem em mesquitas durante o mês
que este dura. Todos os membros do Partido Comunista estão sujeitos à mesma
proibição, que abrange ainda os funcionários públicos reformados.
Mais bizarra é a nova lei que proíbe os homens de deixarem crescer a barba
durante esta época, obrigando a rapá-la os que já possuam uma. As mulheres,
por sua vez, estão banidas de usar véus.
Mas as leis não se ficam por questões capilares. Os restaurantes passam a
estar obrigados a cumprir horários normais, para impedir que encerrem
durante o dia, como muitos costumavam fazer.
A região ocidental de Xinjiang é habitada principalmente por Uighurs. Estes
são na sua maioria muçulmanos e etnicamente próximos dos turcos. A zona tem
sido abalada por alguns atentados e existe um movimento independentista que
preocupa o Governo chinês.
O Ramadão, que celebra a transmissão do Alcorão a Maomé, é um mês do
calendário muçulmano. Sendo este lunar, a data do Ramadão, segundo o
calendário seguido no ocidente, varia. Este ano teve início no dia 1 de Setembro e
continua até ao dia 30. Durante esse mês os muçulmanos maiores e saudáveis
cumprem um rigoroso jejum entre o nascer e o pôr-do-sol. É também uma época
de oração intensificada.
 

Sofia S.

aluna do2º ano da Lic. em Ciência das Religiões

 

Publicado por Re-ligare às 13:26
Link do post | Comentar | Favorito
Segunda-feira, 8 de Setembro de 2008

Religião e Sexualidade. Liberdade e Poder.

 

 

 

O corpo feminino na Arte e na Religião

 

 

 

Detalhe do Cruzeiro do
Castelo de Viana do Alentejo.
De estilo gótico-manuelino,
ostenta na face Ocidental a
Virgem do Leite e
na face Oriental a Piedade.
 
Foto ABW, 2008

 

 

questão surgiu neste blog a propósito dos comentários a uma fotografia erótica associada a um símbolo religioso[1], mas a discussão ficou presa à reacção (reacção essa que amplificou a importância de um episódio que pouco significa em termos estéticos e, decorrentemente, menos ainda em termos éticos).

 

O interesse maior situa-se assim não no significado da fotografia referida mas na reacção que ela suscitou. E essa manifestação ocorre, e de forma significante, até mesmo no espaço deste blog (perfilhando um prisma que se pretenderá científico).

 

A definição do que é um “prisma científico” é, desde já, problemática, instável, mas não impossível. Colocando de uma forma algo simplista, creio que este deve obedecer a alguns critérios: deve ser “experienciável”, deve poder ser partilhado e deve manter um carácter não dogmático (podendo ser confirmado ou rejeitado).

 

Voltando à questão inicial, da tensão criada entre liberdade e religião, neste caso, entre a liberdade de expressão e o respeito ao valor simbólico dos ícones religiosos, essa tensão começa com a apreciação que se estabelece entre a sexualidade e a sua manifestação estética - o primeiro parágrafo deste texto veicula, de certa forma, uma valoração estética negativa, mas poderia ter recorrido à fórmula oposta (citando material deste mesmo blog: “a menina mostrou o que é seu, o belo corpo ...”).

 

O problema não será estritamente religioso (nem, efectivamente, essencial). Há outros problemas do mesmo cariz e, creio, mais relevantes (no âmbito da relação entre religião e sexualidade) como, por exemplo: da possibilidade ou não de mulheres exercerem o sacerdócio; da possibilidade ou não do casamento para os sacerdotes; dos casos de pedofilia envolvendo sacerdotes, etc.

 

A ideologia veiculada pela religião, nomeadamente a cristã (e, mais especificamente, a católica), conserva um conflito não resolvido com a questão da sexualidade. É uma área tabu, também presente em outros quadrantes religiosos (como o Islão), onde o papel regulador dos comportamentos desempenhado pela religião aparece de forma evidente.

 

O desnudar do corpo ganha então uma significação especial: não seguir uma determinada prescrição da sociedade assume uma dimensão de liberdade (mesmo que ilusória). Confronta-se o poder sancionatório da sociedade através da contradição às regras morais dominantes.

 

Confronta-se assim o próprio Poder. E uma questão acessória torna-se, pelo valor simbólico do confronto, uma questão essencial, por exemplo, se a considerarmos sob o ponto de vista da igualdade de direitos entre homens e mulheres. Da burqa e do xador islâmicos à nudez plena, o direito da mulher à liberdade de decidir sobre o seu próprio corpo é posto em causa pelos ditames religiosos[2]. Esticando um pouco a questão, podemos chegar ao problema da utilização de contraceptivos, da relação pré-nupcial ou da interrupção da gravidez ... Exagero, poderão alguns considerar, pois apenas se questionava a sobreposição de símbolos (do nú com o crucifixo). Mas está dentro da mesma linha de problematização: a do papel da religião como instrumento regulador dos comportamentos sociais no âmbito da sexualidade (e querendo esticar ainda mais o tema, que é como as cerejas – tira-se uma e vem sempre outra agarrada – chegávamos a Freud ... e à mensagem que a Virgem do Leite nos proporciona).

 

Alexandre B. Weffort

 



[1] Publicada no Brasil pela revista Playboy e objecto de censura pela justiça brasileira.

[2] Não esquecendo que, no caso da revista referida, trata-se de um aproveitamento comercial do símbolo sexual. A imagem da mulher subordina-se, nesse caso, ao processo de mercadorização que domina a sociedade moderna.

 
Publicado por Re-ligare às 23:03
Link do post | Comentar | Favorito
Terça-feira, 2 de Setembro de 2008

Alguns exemplos de normalidade

Segue um exemplo de como se usam normalmente símbolos ou peças religiosas, sem que notemos por isso.

                       

Cristiano Ronaldo, na praia com o "terço" a fazer de colar. Andou assim todo o Verão e não me lembro de ter isto algum jornal a noticiar esta prática como errada.

                

 

 

Publicado por Re-ligare às 21:12
Link do post | Comentar | Favorito

o uso da normalidade

É muito complexo o problema em causa. E é complexo porque é... simples, mas vem já de um tempo longo.

                
No fundo, podemos vislumbrar muito rapidamente duas questões para as quais eu pedia a opinião dos nossos queridos visitantes:

                 

1. Tornou-se fácil, moda, chique, atacar os símbolos e as instituições do Cristianismo. Se um artista faz uma obra que é uma provocação à religião dominante, isso é arte e é legítimo fazê-lo. Se o mesmo artista faz uma obra de arte que caricaturiza um símbolo de outr religião... isso é ofensa.

                            

2. Há uma já longa tradição na culturas populares ocidentais de usar, num sentido laicizado, e com uma certa carga erótica, os símbolos cristãos. Lembremos que, já na década de oitenta do século XX, todas as estrelas POP usavam crucifixos a fazer de brinco, começando pela Madonna por exemplo.
Portanto, tornou-se normal.

                   

O problema reside em como gerir o caos que actualmente existe no uso de símbolos religiosos. Na Europa há governos que quase caem porque se publicam caricaturas sobre Maomé, mas ao mesmo tempo há museus que expôem obras, como a que aqui apresentámos, com um rã crucificada.

Onde ficamos?

                                         

A discussão é claramente necessária.

                                 

                                                                      Falemos,

                                                                      Paulo Mendes Pinto

Publicado por Re-ligare às 21:09
Link do post | Comentar | Ver comentários (4) | Favorito

A decisão judicial

Vejamos a decisão judicial que implicou a retirada da revista dos pontos de venda:

                    

Processo 2008.001.251383-5

1. Alinha a autora, na peça de ingresso, o vilipêndio de símbolo religioso, utilizado em foto de nudez, através de revista de grande circulação, para adultos, lançada pela editora-ré.

2. Os aspectos enfocados integram conflitos aparentes de interesses constitucionalmente protegidos, na seara da liberdade jornalística, artística e religiosa.

3. Cabe ao Magistrado, em sede de tutela antecipada, ponderar os interesses de direitos difusos, para não tolher o livre acesso do cidadão à qualquer tipo de informação, com ingerência na sua vida privada ou violando a privacidade, assim como proteger o sentimento religioso.

4. Com efeito, não pode atuar o Judiciário de forma arbitrária, no recolhimento dos exemplares que se encontram nos estabelecimentos de venda, por isso que já estão disponibilizados para o público, em geral, até porque não atingida, em princípio, a integridade moral dos jurisdicionados, cuja faceta integra a fase probatória.

5. Em contrapartida, deve evitar-se o atingimento do mencionado sentimento religioso da comunidade cristã, até porque nenhum, ou pouco, prejuízo irá ser imposto à editora-ré, com a subtração de uma só foto.

6. Pelo talhe do exposto, considero que presentes, em parte, os pressupostos autorizativos, por isso que DEFIRO, PARCIALMENTE, A TUTELA ANTECIPADA, para determinar à ré abstenha-se de distribuir novas revistas com a foto impugnada, sob pena de multa diária de R$1.000,00.

7. Cite-se e intime-se, com cópias da exordial e desta decisão, cuja diligência deve ser cumprida em até 72 (setenta e duas horas).

8. Publique-se.

 

Publicado por Re-ligare às 15:31
Link do post | Comentar | Favorito

Carol - II (a resposta)

                

... não, ainda não é a foto da Carol...

                

Chegou-me uma resposta da modelo publicada num jornal. Aqui segue ela (a resposta).

            

"Odeio hipocrisia", dispara Carol Castro sobre a polêmica do crucifixo

Após ser criticada pela Igreja Católica por sua foto seminua com um crucifixo – em ensaio da revista Playboy de agosto –, Carol Castro foi surpreendida com mensagens críticas e de apoio em seu Bloglog. Aos que criticaram a foto, ela respondeu: "Odeio hipocrisia", em um post prublicado nesta sexta-feira (15).

Em sua página pessoal, a atriz chegou a ser ofendida por alguns internautas e disse que não iria ler os comentários, pois já disseram a ela que a discussão não estava muito construtiva.

"Soube por pessoas próximas que estava acontecendo um debate, um rebuliço, nos comentários do meu blog. Porém, soube também que o nível caiu em alguns momentos. Então prefiro nem ler. Porque odeio hipocrisia e não vou dizer que não me importo com o que escrevem para mim, porque não é verdade! Uma pena, mas fico feliz que a maioria esteja me apoiando e me defendendo", escreveu a Sheila de "Beleza Pura", da Globo.

A foto é, segundo a atriz, a interpretação de Dona Flor, da obra de Jorge Amado "Dona Flor e seus dois maridos", já que o ensaio foi inspirado na Bahia e nos personagens do escritor.

"Óbvio que não era a minha intenção magoar ou desrespeitar ninguém! Mas enfim, a foto fazia parte do contexto do ensaio: Mulheres de Jorge Amado. Elas sempre foram sensuais e religiosas. E na 'tal' foto, tratava-se de Dona Flor, viúva, sofrendo pela morte de Vadinho, rezando sua falta", explicou Carol.

Em apoio à atriz, o músico Tico Santa Cruz, vocalista da banda Detonautas, escreveu em seu Bloglog: "Senhores, voltemos nossas energias para causas que possam ajudar esta infame nação a sair desse caótico sistema, cujo vossos filhos estão entregues a todo tipo de mazelas. Despendam vossas energias para os destinos certos, onde precisamos de mobilização. Deixem a Carol Castro em paz!".

 

Publicado por Re-ligare às 10:52
Link do post | Comentar | Ver comentários (1) | Favorito

.Mais sobre Ciência das Religiões

.Pesquisar

.Posts recentes

. Ordens monásticas poderão...

. Governo proíbe barbas dur...

. Religião e Sexualidade. ...

. Alguns exemplos de normal...

. o uso da normalidade

. A decisão judicial

. Carol - II (a resposta)

.Arquivos

.tags

. todas as tags

.Links

.Links

blogs SAPO

.subscrever feeds