Segunda-feira, 1 de Outubro de 2007

Dialogue of Life

Cada vez mais o chamado Ecumenismo, ou mais propriamento o Diálogo Inter-Religioso, se tem mostrado incapaz de dar respostas úteis aos problemas da contemporaneidade. talvez também se tenha criado um espectro de espectativas muito além das suas capacidades ou, até, das suas efectivas funções - reduzido a certos grupos muito específicos dentro dos credos, pouco são os frutos fora dessa elite que se repete evento após evento em tudo o que é de "ecuménico".

O exemplo do Oriente com o seu "Dialogue of Life" pode ser-nos importante. Talvez este conceito e esta prática não andem muito longe da aplicação da ideia de "Single One" de Martin Buber, esta mais próxima de nós a nível cultural (Between Man and Man, The Question to the Single One). 

Apenas com a consciencia de que não estamos sós, de que temos um outro que nos afirma a nós próprios e que, essencialmente, é por esse confronto, contacto ou tomada de consciencia que conseguimos ser nós mesmos, nos leva a algum caminho produtivo.

Uma via pragmática é aquilo de que necessitamos em diálogo entre as religiões. Que pode cada um dar para que a Casa Comum possa ser melhor para todos? Este é o centro da questão que, egocentricamente vinda de cada um , talvez possa dar respostas a todos nós.

Não será bem o "um por todos e todos por um", mas sim mais o "um por um e todos por todos" a máxima determinante.

   

Paulo Mendes Pinto

Director da Licenciatura em Ciência das Religiões

 

Publicado por Re-ligare às 00:33
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9 comentários:
De Re-ligare a 22 de Outubro de 2007 às 10:08
Gostei da ideia de arrogancia neste quadro ... gostei mesmo. E gostei porque é disso mesmo que se trata. Basta, por exemplo, ir à nossa Lei da Liberdade Religiosa: quem dá os pareceres para que uma nova confissão seja aaceite num certo patamar de relação com o Estado? simples, uma assembleia que, na prática, é constituida por membros de religiões já aceites. A lei não diz isto, mas a escolha dos membros assim o ditou ...
De Gabriel a 23 de Outubro de 2007 às 14:36
É curioso este paradoxo onde se dá este fenómeno insólito, no qual se reverte o impulso original de todas as religiões, impulso de emancipação e de revolução para fora de um sistema rígido e conservador, para logo depois seream reabsorvidas no mesmo mecanismo, passando a ocupar o mesmo cargo e função controlador antes ocupado por quem lhes ofereceu resistência. É uma espécie de autofagia religiosa, onde o núcleo duro, o epicentro espiritual centrado no indivíduo que o manifesta e comunica (Profeta, Messias ou Instrutor) é consumido pela forma que adquire, numa busca de território e estabilização formal. De facto, o evento numinoso (R.Otto) e na maior parte das vezes desconcertante, que está na origem das sucessivas e posteriores manifestações formais, em busca de delimitar essa experiência dando-lhe um formato e conjunto de códigos que o torne legível à comunidade (o que acaba por obedecer a uma necessidade de controlar uma realidade que pertence a um plano e a um registo de leis inteiramente diferente do plano social e mundano) acaba por se esbater e tornar-se um reflexo tímido na superfície da estrutura formal que o contém. Já alertava um tal de J.R.Tolkien para os perigos de um estranho e tentador anel: o que prometia a experiência do poder... De que me serve tentar dirigir leis e realidades Misticas, Transcendentes, ou Sagradas se nem sequer sei gerir e manobrar as leis mais elementares do meu veículo psicológico? Lá, onde se encontram todos esses conflitos e confusões de categorias existenciais...

Gabriel.

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