4 comentários:
De Luís Melancia a 3 de Setembro de 2008 às 01:43
Quero reportar-me ao tema que tem acompanhado esta troca de ideias, a da utilização do crucifixo por parte da modelo, para dizer que:

1. A questão tem de colocar-se, obrigatoriamente, no plano ético: não se mistura pornografia com coisa nenhuma. As revistas pornográficas e os filmes pornográficos constituem um sub-mundo, com regras e mercado próprio. E se não se mistura pornografia com coisa nenhuma, por que razão se misturaria pornografia com símbolos religiosos? Fica por saber se o objectivo é santificar a pornografia ou aporcalhar os símbolos religiosos…

2. Mas por outro lado, também sei que esta mistura entre o nu e os símbolos religiosos é particularmente difícil de aceitar por parte de uma religião que diaboliza o corpo, como faz o cristianismo...

3. O que está em causa é o mercado… até hoje eu não sabia quem era a Carol Castro e até aposto que, fruto desta campanha de marketing tão bem montada, a Playboy já encaixou mais um milhares e a «artista» já vale mais uns milhões…

4. Para terminar e lançar ainda mais confusão, direi que sempre me perguntei por que razão uma religião que diaboliza o corpo insiste, afinal, em representar a figura de Cristo, crucificado, de forma tão exposta, indigna e desnudada. Afinal de contas, aqueles panos mal amanhados a tapar os órgãos genitais é de uma agressividade imensa...Não sei se é o meu lado iconoclasta a falar, mas que não bate certo, lá isso não bate…
De Re-ligare a 3 de Setembro de 2008 às 22:29
Sim, Luís, há sempre uma vertente que me deixa perfeitamente atónito nestas situações: o uso dos símbolos religosos já é, de careteza, planeado para criar a notícia e dar mais lucro.

Mas, de forma escusa, também tenho de concordar contigo num sentido: o uso constante das imagens de santos e do próprio Jesus possibilitou a criação de uma cultura onde os símbolos entraram num jogo do qual é dificil retirá-los.

No fundo, a banalização do símbolo e da imagem "sagrada", libertou-o do seu peso estritamente religioso, dessacralizando-o perante a sociedade e, em especial criou o hábito do seu multi-uso.

No fundo, e retomando o teu posto no Teo-Logizar, o rapazito que anda com uma t-shirt a dizer que se mandem os cristãos aos leões, sabe o que está a dizer. Pode não saber bem como foia pereguição, mas sabe que a mensagem significa um grande vão-se matar. Neste caso, a maioria dos homens que iriam ver as fotografias nem dariam pelo afcto de se estar a ofender alguém...

E aí é que está o busilis... uma coisa é a ofensa, outra é nem saber que se ofende.

Assim, regresso a uma minah querida questão: a cultura sobre o reigioso. Estou profundamente covicto que, se tivessemos uma sociedade religiosamente letrada (e falo, em especial, dos não crentes) nada disto acontecia...

abraço,
paulo


De Luís Melancia a 4 de Setembro de 2008 às 18:30
Viva, Paulo.
Dizes «No fundo, a banalização do símbolo e da imagem "sagrada", libertou-o do seu peso estritamente religioso, dessacralizando-o perante a sociedade e, em especial criou o hábito do seu multi-uso.».

Acho que estás certo!!! E não deixa de ser curioso que os judeus nem o nome de YHWH pronunciam, quanto mais a sua representação plástica... Na economia do sagrado, entre os judeus, a imagem é secundarizada em relação à voz!

E outra consequência desagradável (para os crentes e religiosos em geral) é que ao banalizar o símbolo banalizou-se também o «objecto»...

Pergunto-me se a proliferação de imagens do sagrado (da qual a Igreja é a primeira responsável) não será uma forma de invocar (através da imagem) o Nome de Deus em vão...
De Gnóstico a 5 de Setembro de 2008 às 22:25
Não será este post um pouco exagerado? Afinal de contas ninguém tem direitos de autor sobre qualquer simbolo religioso. E fraca é a religião que leva tão a sério estas mini-provocações artisticas - que sem o furor que as próprias organizações religiosas criam com a sua condenação seriam apenas, na maior parte dos casos, banalidades de gosto duvidoso.

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